31.3.09

Eu: Jornalista


Trabalhei dois anos como assessor de imprensa do Ronaldinho Gaúcho.
Posso dizer que bem no período onde gozava de seu maior prestígio futebolístico, nos anos de 2005 e 2006.
Mas minha relação com ele vem desde muito antes, na época em que a jovem promessa surgia no Grêmio.
Muito mais do que uma relação profissional, surgia a amizade e a admiração pela forma simples de tratar as pessoas e de jogar futebol.
Não foram raras as vezes que permanecia no gramado suplementar do Olímpico após os treinos pedindo para que o menino fizesse alguns malabarismos com a bola.
Coisas que só ele sabia fazer.
Já longe do Grêmio, após uma separação traumática, surgiram alguns convites para ajudar na assessoria de imprensa de alguns eventos no Brasil.
Muita tietagem, muito assédio, muitas entrevistas. Tudo coordenado da melhor maneira possível.
Tanto foi assim que o convite definitivo para trabalhar com o melhor jogador de futebol do mundo surgiu no início do ano seguinte.
Duas reuniões com o irmão Assis no hotel Deville, zona norte de Porto Alegre, selaram o acordo e o início das minhas atividades no escritório da Rua Murá, em uma bela casa no bairro Guarujá.
Independente do assédio constante da mídia sobre o ídolo, sempre procurei tratar a imprensa com atenção e respeito, como acreditava que deveria agir.
Sem priorizar esse ou aquele veículo, sempre tratando todos com igualdade e procurando satisfazer as necessidades, mesmo (muitas vezes) a contragosto do assessorado.
Bom, toda essa introdução foi pra dizer que hoje percebi que nesta profissão difícil e ambicionada por muitos tudo que a gente planta acaba colhendo no futuro.
Desde que deixei o escritório da Murá e a assessoria do Ronaldinho, nunca mais havia mantido contato com aqueles profissionais que habitualmente conversava.
Hoje, como assessor de imprensa dos jovens atletas do Grêmio que treinaram contra a seleção brasileira na PUC, voltei ao convívio de muitos deles e fui tratado como um velho amigo.
Fui abraçado pelo pessoal da ESPN, da Sportv, da assessoria da Seleção e até da NHK do Japão. Repórteres, fotógrafos, produtores. A maioria do centro do país. Me chamando pelo nome. Gente que eu nem lembrava mais.
Confesso que me emocionei com o carinho e senti uma pontinha de saudade de toda essa agitação.
Saudade que pude matar abraçando o próprio Ronaldinho, que não via há muito tempo já que nosso contato ficou resumido ao MSN.
Não me entendam mal.
Não escrevi esse texto pra me exibir (quem me conhece sabe que não é do meu feitio).
A verdade é que a profissão de jornalista é muito desvalorizada.
Convivemos diariamente com tantas pessoas incompetentes que chegamos a colocar em cheque nossa escolha profissional.
E não estou falando apenas em incompetência como jornalista.
Estou falando em incompetência enquanto ser humano.
Na falta de capacidade em lidar com as pessoas.
Por mais simples que elas sejam.
Ou por mais importantes.
E quando você acaba sendo reconhecido como profissional no meio de tanta gente que se acha, é porque ainda resta uma esperança. É porque você está fazendo a coisa certa.
Sem precisar pisar em ninguém.
E se você ainda acha que escrevi esse texto pra me exibir...
Tem toda a razão.
Eu sou um jornalista fodão.


DESTAQUES DA SEMANA:

Visitante de Ribeirão das Neves - MG
Visitante de West Babylon, New York - EUA
Visitante de Uruguaiana - RS
Visitante de Navegantes - SC
Ficaram só um pouquinho por aqui, mas já valeu.

DESTACÃO DA SEMANA:

Visitante de Cuiabá - MT
Ficou por aqui quase 22 minutos.
Brigaduuuu!

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