1.4.09

O jacaré do Rio Guaíba

Depois de sair do trabalho no final do dia, decidi ir até ao centro da cidade pagar uma conta no Banrisul.
Optei em ir de bicicleta.
Além de fazer um bom exercício, dá pra aproveitar o resto do dia.
Pedalei toda a avenida Ipiranga até chegar na avenida Beira Rio.
O caminho é mais longo, mas compensa pela beleza e a tranquilidade.
Estava passando pelas proximidades do anfiteatro Pôr do Sol quando uma movimentação em um matagal à beira do rio Guaíba me chamou a atenção.
Diminuí a velocidade da bicicleta e cheguei mais perto pra observar.
Não acreditei no que via.
Do meio do charco, apareceu um jacaré (ou um crocodilo, sei lá).
Mas não era um jacaré normal.
Era um jacaré daqueles parques americanos com quase três metros.
Estava ali, quase na avenida, camuflado entre a vegetação.
Já ouvira falar em histórias de jacarés dentro do Guaíba e até no arroio Dilúvio, mas nunca levei muito em consideração.
Pelo menos até aquele dia.
Meu susto foi tanto que fiquei ali estático por alguns minutos sem saber o que fazer.
Logo imaginei: “esse bicho deve estar com muita fome e não sou eu que vou ficar aqui pra ter certeza”.
Lentamente comecei a colocar a bicicleta em movimento.
Na minha cabeça, qualquer atitude mais brusca faria o jacaré me atacar.
Olhei para os lados pra procurar ajuda, mas ninguém por perto.
Apenas os carros passando em velocidade nem aí pra mim.
Bem devagar, fui recuando.
E o que mais me preocupava aconteceu: o jacaré veio atrás.
Bom, nessa hora acelerei a pedalada e me mandei dali sem olhar pra trás.
Parei alguns metros adiante pra ver se ele estava me seguindo.
Não consegui ver.
Podia estar ali, à espreita, no meio da vegetação.
Neste momento passaram por mim dois mendigos, caminhando em direção oposta, exatamente onde estava o jacaré.
Um deles carregava uma garrafa de cachaça e cambaleava.
Quando vi a cena, já imaginei no pior: o jacaré saltando sobre um deles e abocanhando suas pernas. Depois puxando o cara pro meio do mato devorando suas vísceras.
Putz.
Não tava afim de presenciar aquilo.
Imediatamente berrei chamando a atenção dos homens que pararam de caminhar e ficaram me olhando.
Falei sobre o jacaré e disse que seriam devorados caso seguissem o caminho.
Caprichei na dramaticidade.
Os dois homens ficaram me olhando com cara de apavorados durante segundos.
Depois se olharam.
Voltaram a olhar pra mim.
Até que o mais bêbado falou enrolando a língua.
- O companheiro, tu também bebeu?
E caíram na risada seguindo a caminhada rumo a morte certa.
Pra falar a verdade não sei o que aconteceu com eles, pois foi exatamente nessa hora que acordei.

Segundo o Google:
Sonhar com jacaré: cuidado com manobras de pessoa falsa.
Sonhar com mendigos: desavença familiar.
Sonhar com bicicleta: Mudança para melhor. Saúde favorável. Recuperação de objetos perdidos

Vou ficar com a última opção.

Atualização às 17h37:
Sim. Estou cercado de pessoas falsas.

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