6.4.09

Parábola

Existe uma parábola que aprendi há muitos anos e que gosto de utilizar em algumas situações da vida.
Certo dia um produtor musical conhecido da noite italiana organizou um concerto no teatro Scala de Milão com o maior trompetista da atualidade vindo direto dos Estados Unidos.
Ingresso muito caro e mesmo assim o teatro estava lotado para a noite de estreia que prometia ser inesquecível.
Músico ovacionado ao subir ao palco de um dos maiores teatros da Europa.
Mais de cinco minutos de aplausos, o músico fez sinal com a mão para que todos parassem.
Era chegada a hora.
Com estilo, colocou o trompete na boca e começou a tocar.
Plateia boquiaberta.
O som emitido pelo instrumento era horrível.
Completamente desafinado.
Nem aí pro público, o músico seguiu com seu “espetáculo”.
Depois de alguns minutos de consternação e constrangimento, os presentes começaram a se revoltar com a apresentação.
O burburinho foi rapidamente se transformando em vaias e algumas agressões verbais para desespero do produtor que assistia a tudo atônito do camarote.
Desesperado com o iminente fracasso e prejuízo, tratou de buscar uma solução rápida.
Lembrou de um trompetista de rua que ganhava a vida tocando em uma praça de Milão ao lado do teatro.
Imediatamente pediu a um de seus assessores que trouxesse o indigente enquanto tratava de despachar o americano fajuto que se esquivava de algumas polpetas arremessadas pela plateia em cólera.
Após os pedidos de desculpa, a multidão se acalmou e acompanhou piedosa a entrada do músico de rua.
Acanhado, maltrapilho, o rapaz subiu ao palco observando, admirado, a grandiosidade do teatro.
Em silêncio, passeou os olhos pela multidão tensa.
Com movimentos leves, levou a boca o trompete caindo aos pedaços.
Era um instrumento velho, judiado, mas responsável pelo seu sustento.
Fechou os olhos, encheu o peito e tocou.
Tocou como nunca havia tocado.
Uma bosta de som.
Dez vezes pior que o americano.
O público, irado, destruiu o teatro e espancou o músico de rua e o produtor.
Prejuízo incalculável.

Ainda assim, não sei como pude acreditar que o Grêmio poderia ganhar o Gre-Nal de domingo.

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