31.5.09

Dolorido...bem dolorido



Existem acontecimentos na vida que te fazem pensar.
Hoje, sentado nas arquibancadas vazias e escuras do estádio Barradão observando as luzes dos prédio vizinhos, pensei em muita coisa.
Pensei nos meus filhos.
Pensei na minha esposa e no bebê que vai chegar.
Pensei na origem do mundo.
Pensei na evolução humana.
Pensei na pessoa que pela primeira vez comeu uma mandioca.
Como ela descobriu que aquela raiz enfiada na terra poderia se tornar um excelente alimento?
Pensei nas belezas da Bahia e de toda sua religiosidade.
Pensei em tudo para não pensar em nada.
Queria apagar os acontecimentos das últimas horas.
Queria poder voltar o tempo e fazer tudo diferente.
O lateral Apodi pegou a bola exatamente na minha frente, ao lado do campo, para armar o contra-ataque do Vitória.
Juro por Deus que pensei em dar um carrinho para segurar a jogada e esperar a recomposição da nossa zaga.
Mas na mesma hora antevi o desespero do Haroldo na narração e a minha sumária demissão após o jogo.
Acompanhei aquela bola chegar aos pés do atacante baiano.
Já eram 48 minutos e o juiz ia apitar o final de jogo.
Ele não tinha opção.
Era só chutar.
E chutou.
No ângulo.
O tempo parou pra mim.
Não era possível levar um gol naquela circunstância.
Levei algum tempo até assimilar.
Foi extremamente dolorido.
Uma das mais doloridas derrotas da minha longa vida de 37 anos.
Acho que se tivéssemos perdido de 4 a 0 não seria tão ruim.
Foram cinco dias de muito trabalho.
Muita dedicação.
E no último segundo, tudo foi por água abaixo.
Futebol é assim mesmo.
Pode jogar bem, ser o melhor em campo, mas se perder o jogo...isso é o que marca.
E marcou.
Vai levar um tempo ainda para eu me reestabelecer emocionalmente.
Em protesto ao acontecido, arranquei com os dentes a minha fitinha do Senhor do Bonfim.
Quero que ele vá pro inferno, e todos os outros santos também.
Quando tiver em condições, relato as coisas boas da minha viagem à Salvador.

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