15.6.09

Correspondente

No final de abril, recebemos no Olímpico a delegação do Boyacá Chicó para um confronto pela Copa Libertadores.
Como de hábito, recebemos também toda uma delegação de periodistas colombianos que vieram fazer a cobertura da equipe do país.
Como único hispano-hablante da equipe de comunicação, fui designado para acompanhar os jornalistas das rádios na resolução de alguns trâmites necessários para habilitarem a transmissão naquela noite.
Defensor da teoria de que o espanhol falado na Colômbia é um dos mais fáceis de se entender, logo já estava com aquela fluência que me é peculiar (cof...cof...cara de modesto).
Percebendo isso via telefone, o apresentador da rádio colombiana que estava no estúdio perguntou se poderia me colocar no ar, ao vivo, para falar sobre a partida.
Por supuesto!
Com o celular no ouvido e caminhando pelo pátio do Olímpico, caguei tese ao vivo para toda a Colômbia.
Mas o golpe de mestre ainda estava por vir: o apresentador perguntou sobre a situação do colombiano Perea, atacante do Grêmio que estava voltando de lesão.
Enquanto presto atenção na pergunta tentando bolar uma boa resposta, olho para o lado e vejo Perea vir caminhando em minha direção.
Sem perder tempo digo que estou com o jogador ao meu lado e coloco ele no ar.
Deve ter sido a glória para a emissora.
Já fora do ar, o apresentador pergunta se pode me ligar quando precisar de algum boletim direto do Brasil.
Não levei muita fé, mas consenti.
Já tinha até esquecido deste fato quando, às vésperas de Brasil e Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, meu celular toca com uma chamada internacional.
Era o apresentador colombiano.
“Márcio: vou te colocar no ar para falar sobre este jogo de amanhã contra o Uruguai”.
Não deu tempo nem de eu responder e já estava ao vivo.
Mas desta vez com um problema sério: não tinha nenhuma informação sobre a seleção.
Não estava informado e não sabia nem quem ia jogar.
O apresentador insistiu em perguntar qual seria a escalação do Brasil.
Enrolei dizendo que a escalação era um mistério. Que o Brasil havia treinado com os portões fechados e qualquer especulação seria leviandade da minha parte.
Mas a seleção já estava escalada e o treino havia sido liberado para a imprensa.
Depois da gafe, tratei de me informar.
Cheguei a guardar na carteira a lista de todos os convocados e a escalação completa de todos os jogos.
Passei a acompanhar os treinamentos e as matérias sobre seleção.
Vi o jogo todinho.
Sorte minha: entrei com um boletim ao vivo no dia seguinte com as informações quentinhas.
Foi assim após o jogo contra o Uruguai e foi assim antes e depois do jogo contra o Paraguai em Recife.
No final de semana me ligaram para que eu participasse de uma enquete que a rádio estava fazendo sobre quem seria o quinto colocado na tabela de classificação.
Resumindo, sou o correspondente da rádio no Brasil.
A Pri me perguntou que rádio era para poder colocar no meu currículo.
Confesso que não sabia o nome.
Achei que fosse uma rádio de Boyacá.
Mas depois da última ligação, descobri que sou correspondente da RCN (Rádio Cadena Nacional), uma das maiores da Colômbia.
Coisa chique.
Hoje sou o brasileiro que mais sabe sobre futebol colombiano e sobre todos os jogadores da Colômbia que atuam no Brasil.
E o que eu ganho com isso?
Hum...
Nada.
Mas já estou pensando em cobrar estes boletins.
Em dólar.

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