19.6.09

Profissões e outros pensamentos

Venho acompanhando na mídia em geral as matérias relacionadas com o post abaixo: a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão.
É incrível como as pessoas estão apenas preocupadas em defender seus interesses.
Só para citar um exemplo, a Rede Globo emitiu uma nota oficial saudando a decisão como “uma vitória da democracia”.
Talvez porque possa gastar menos contratando “profissionais” (entre aspas) menos qualificados.
Ou completamente desqualificados.
Mas como eu disse num comentário anterior, na prática, o diploma de jornalista nunca foi levado em conta, principalmente nesse mundo do jornalismo esportivo que eu vivo onde qualquer ex-atleta assume função de jornalista.
A única diferença é que agora está oficializado.

Acho que nunca comentei aqui que eu seria arquiteto.
Não ri.
É verdade.
Passei no vestibular da Ritter dos Reis e cursei arquitetura.
Foi quando repeti pela segunda vez a cadeira “Introdução a Arquitetura I” que percebi que não daria certo na profissão.
Gostava muito de desenhar.
Desenhava muito bem.
Principalmente estádios de futebol.
Não ri.
É verdade.
Tinha uma pasta com centenas de estádios desenhados.
Uma loucura!
Mas então comecei a ter aula de matemática.
Como ninguém me avisou que tinha que estudar matemática para ser arquiteto?
Pois é...
Toda aquela ilusão foi por água abaixo.
Tinha até comprado uma mesa de arquiteto pro meu quarto.
Investi em canetas, lápis, réguas e o escambau.
Na prova final do segundo semestre entreguei uma planta baixa com um projeto que modificava a Rua João Telles.
Passei todo o semestre trabalhando neste projeto que modificava completamente a rua.
Desde as calçadas, passando pela fachada das casas e a arborização.
Criei uma maquete perfeita, reproduzindo a rua em escala menor.
Coisa mais linda.
Na véspera da entrega, achei que a planta estava muito branca e decidi pintar a rua de laranja.
Sim.
Não ri.
Pintei a rua de laranja e a planta baixa ficou muito mais colorida e alegre.
Na hora da entrega, achei que ia agradar.
Foi quando o professor perguntou:
- Posso saber o que é essa rua pintada de laranja?
- Ah! Ãnh?...cof...cof...bem, tava muito branco. Queria deixar a rua mais alegre.
- Ah é? E posso saber que material o senhor usaria para deixar a rua laranja?
- Hum...material?
- Sim, seu Márcio. Qual piso teria essa rua?
- Olha, fessor pode ser aquele piso das quadras de tênis?
- Tsc...tsc...tsc...
- Quem sabe então colocar asfalto e mandar o pessoal da prefeitura pintar de laranja?
Não deu.
Não passei.
Tava indo tão bem.
Naquele mesmo dia, deixei a faculdade e me inscrevi no vestibular da Ulbra para jornalismo num posto montado no shopping Praia de Belas.
Como está na moda colocarmos em dúvida algumas escolhas que fazemos na vida, ando pensando como seria se tivesse seguido na arquitetura.
Será que seria rico?
Será que viraria gay?
Será que meus estádios sairiam do papel?
Tudo suposição.
Mas a única coisa certa é que meu diploma continuaria valendo.

E vem aí a nova Arena do Grêmio.
Aposto que na minha pasta deve ter algum desenho parecido.

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