18.7.09

Gre-Nal: 100 anos

Hoje à tarde fui abordado por dezenas de pessoas no parque da Redenção me perguntando se não iria escrever sobre os 100 anos do clássico Gre-Nal no meu blog.
É claro que sim, não poderia deixar de traçar algumas linhas sobre este confronto centenário.
Longe de qualquer bairrismo, sou daqueles que consideram o Gre-Nal o maior confronto entre duas equipes em todo o mundo.
E não digo isso da boca pra fora.
Já assisti clássicos do porte de um Boca-River, Peñarol-Nacional, Inter-Milan, Barça-Real, entre outros.
Nenhum se compara ao Gre-Nal.
E não é o jogo em si dentro de campo.
É toda uma atmosfera que toma conta do Estado durante pelo menos toda a semana que antecede o encontro.
Só vivendo mesmo tudo isso para entender o funcionamento.
Talvez nem vivendo a gente vá conseguir entender.
E não me venha com essa história de Gre-Nal da Paz.
Não existe paz em Gre-Nal.
Não existe Gre-Nal sem hostilidade, sem provocação, sem agressão mútua entre as torcidas.
Sejam elas verbais ou físicas.
Isso também faz parte do maior clássico do mundo.
Não estou dizendo se é certo ou errado.
Só estou dizendo que faz parte da cultura.
Infelizmente não lembro qual meu primeiro Gre-Nal.
Minhas recordações são remotas.
Uma das agendas de Juçá meses depois do meu nascimento, lá pelo final do ano de 1972, início de 73, tem uma passagem sintomática sobre o tema.
Conta ela que meus tios colocaram dentro do meu berço dois bonecos de borracha.
Um deles representava o mosqueteiro com as cores do Grêmio.
O outro era um saci com a camisa do Internacional.
Me agarrei ao mosqueteiro e não larguei de jeito nenhum.
Para não ficar dúvida, arrancaram o mosqueteiro da minha mão e me deram o saci.
Abri o berreiro, que só cessou quando me devolveram o símbolo tricolor.
Coisa linda esta história!
Abrindo o baú de minhas memórias futebolísticas, encontramos centenas de clássicos Gre-Nal.
Os mais antigos rememorados apenas por alguns flashes nebulosos e em preto e branco.
Lances de jogos e gols que misturam realidade e imaginação.
Um gol olímpico do Éder no final da década de 70 do século passado.
Um gol de bicicleta do Jair para o Inter por esta mesma época.
André Catimba sendo agredido por um árbitro.
Uma briga de torcida na saída do Olímpico com um torcedor deitado no chão e o sangue escorrendo pela cabeça enquanto o filho agarrado nele gritava desesperado.
São algumas de minhas lembranças mais remotas.
Não sei quando, não sei por que, não sei como...
Só sei que estão lá.
Só sei que é Gre-Nal.
Levou alguma tempo para Luiz Nei me levar em Gre-Nal no Beira Rio.
Lembro quando ficávamos na casa de meus avós, no Menino Deus, enquanto Luiz Nei seguia para o estádio adversário.
Ficávamos jogando bola no pátio e entre um chute no portão e na porta da garagem, escutávamos a partida pelo radinho de pilha que ficava ligado dentro de casa.
E tenho que confessar uma coisa: ver um Gre-Nal na casa do adversário tem um gostinho muito mais especial.
Principalmente quando a gente ganha.
Certamente se tivesse que escolher o “Gre-Nal da Minha Vida” este seria realizado no Estádio Beira Rio.
Aquele jogo onde ninguém acreditava no Grêmio.
Onde a torcida tricolor se resumia a uma pequena parte da arquibancada inferior cercada por um mar vermelho com mais de 40 mil raivosos colorados bufando.
Um jogo onde o adversário dominou durante os 90 minutos, mas, num contra-ataque no finalzinho do tempo regulamentar, aquele perna-de-pau, criticado pela imprensa vermelha, conseguiu fazer o gol de canela.
O gol da vitória!
Fazendo 40 mil colorados calarem como se estivessem presenciando uma das maiores tragédias do futebol.
Enquanto isso, a minoria, sofrida, quieta durante 90 minutos, explodia de orgulho em mais um feito inacreditável do Imortal.
Esse é o Gre-Nal.
Criando herois e vilões.
Alegria e tristeza.
Euforia e frustração.
Cem anos de história.
Da qual me orgulho de fazer parte.

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