29.9.09

Pai fresco

Sei que já tive dois filhos e que deveria estar acostumado, mas a chegada do Pietro causou uma reviravolta na minha vida.
Não só na minha, mas na NOSSA vida.
Não estou reclamando, absolutamente.
É uma reviravolta positiva, pois ele nada mais é que o fruto de um grande amor que começou aqui.
Exatamente aqui, neste blog.

Fiquei de escrever todos os bastidores do parto, mas já faz tanto tempo que o assunto perdeu a validade.
O que posso dizer que foi extremamente tranqüilo.
Acordei no horário em que sempre acordo, às 8h, com a Priscila me comunicando o rompimento da bolsa.
Fiquei bem nervoso.
Tava chovendo, o trânsito entupido na Protásio Alves e aproveitei para trafegar pelo corredor de ônibus.
Quem nunca teve esse desejo?
Chegando no hospital, não demorou muito até o horário do parto.
Tudo correu dentro do planejado.

Agora, em casa, contamos com a ajuda da avó materna que abriu mão de suas férias para dedicar um mês de carinho e atenção ao bebê recém nascido e, muito mais, a mamãe de primeira viagem que se apavora com qualquer movimento inesperado do pequeno.
Tudo dentro da normalidade.
Exceto pelo fato de quase ter ligado para os bombeiros porque o guri teve refluxo.

O principal sofrimento do Pietro nestes primeiros dias é a cólica.
Maldita cólica.
E não existe nada que possamos fazer para resolver o problema, a não ser um remedinho, bolsa de água quente e muito carinho.
Ontem, as duas (leia-se minha esposa e sogra) descobriram uma tal de Tummy Tub que, segundo informações dos fabricantes, é um ofurô para bebês que reproduz a sensação do útero e que diminui o pranto na hora do banho e as cólicas.
Assim sendo, fui comunicado que deveria passar numa loja na Plínio Brasil Milano onde a tal “banheira” estaria reservada.
Chegando lá, fui surpreendido com um balde.
Sim, leitores.
A tal Tummy Tub nada mais é que um balde metido a besta.
Custa R$ 120,00 sendo que no supermercado encontro algo parecido por R$ 15,00.
Mas tudo bem, tudo pelo Pietro.
Além disso, é a sogra que está pagando.
Vamos ver se dá certo.
O primeiro banho já deu, como mostra o vídeo abaixo.
Era isso por enquanto.
Voltaremos.

8.9.09

Pietro nasceu


Cara, hoje nasceu meu filho Pietro às 10h56.
Forte como um touro.
4.360 Kg e 52 cm.
Tudo correu perfeitamente.
Na verdade ele é meu terceiro filho, mas foi como se fosse o primeiro.
Confesso que fiquei nervoso.
Queria escrever um post contando como foi essa minha terça-feira, mas as emoções foram tantas que estou desgastado física e emocionalmente.
Prometo que volto aqui amanhã para contar essa história imperdível com acontecimentos tipo Juçá falando no controle remoto da TV achando que era o interfone do hospital.
Vale a pena.
Por enquanto, fiquem com uma amostra do que é esta criança.

Ps. Obrigado a todos que, de uma forma ou de outra, mandaram algum recado de carinho neste momento inesquecível.

6.9.09

Barrigão, berço, açúcar e afins

No momento em que escrevo este post, Priscila se revira na cama buscando uma posição confortável para dormir.
Não é pra menos: a barriga de nove meses dificulta ao máximo os movimentos.
A gravidez está na reta final e o Pietro pode dar o ar da graça a qualquer momento.

(...)

Ontem recebemos o berço-cômoda comprado pela sogra.
Evidentemente que chegou desmontado.
Contagiado pela ansiedade da mamãe (que acredita que o quarto do pequeno não estará pronto até a hora do parto) decidi dar uma de montador.
Até na ferragem eu fui comprar uma chave de fenda compatível com os parafusos.
Penei, mas consegui montar o berço propriamente dito.
A ideia ia dando resultado até o momento de montar a cômoda.
Decidi começar pelas gavetas e desisti no momento em que percebi que o fundo não encaixava.
Pra que inventar?
Pra que tentar fazer o que não sabe?
Para que existem montadores?
Liguei para um conhecido que me cobrou R$ 20,00 pra terminar a cômoda e dar um jeito na gaveta sem fundo.
Ele vem na terça-feira.
Só espero que a Priscila consiga agüentar até lá.

(...)

Na manhã deste sábado, munido de uma lista de compras feita com esmero pela Priscila, fui ao supermercado fazer as compras da semana enquanto ela ficava em casa descansando.
Não tem mesmo como uma mulher grávida de nove meses passar esse tempo num supermercado.
Optei pelo Carrefour da Bento Gonçalves.
Não é o super que costumamos ir.
Muito pelo contrário. Priscila tem aversão a este Carrefour.
Como ela não estava comigo e é um dos supermercados mais próximos de casa, achei que poderia ganhar tempo.
Achei errado.
Foi só cruzar a porta da frente para ter a visão do inferno.
Poderia dar meia volta e sair dali correndo, mas preferi encarar o diabo.
Bem feito pra mim.
As compras até que não demoraram muito para serem feitas.
O problema foi na hora de pagar.
A menor fila tinha 10 carrinhos.
Levei pelo menos uma hora até chegar no caixa.
Perdi tempo, paciência e a compostura.
Faltando dois carrinhos para chegar a minha vez de pagar, um senhor se aproximou com um pacote de açúcar e perguntou:
- Posso passar na sua frente?
Levei algum tempo para entender:
- Passar na minha frente? Como assim?
- É que só estou com esse pacote de açúcar. Posso passar?
Lembrei dos intermináveis 55 minutos que passei na fila até então e me surpreendi comigo mesmo quando respondi:
- Não. Não vai passar.
Acho que o senhor também deve ter ficado surpreso com a resposta e assustado com o meu olhar de ódio.
Já viu meu olhar de ódio?
Nem queira.
Neste momento apareceu no meu ombro direito um anjinho azul, gordinho e de cavanhaque dizendo:
- Tsc...tsc...tsc...que coisa feia, Márcio. Tu não és assim. Onde está tua solidariedade?
Imediatamente o diabinho gordinho, de cavanhaque e tico grande apareceu no lado esquerdo e respondeu:
- Solidariedade é a putaquospariu! Tu estás há horas aqui dentro desta merda de supermercado, com esse monte de pobre que desceu o morro pra comprar cerveja e cachaça, esperando 55 minutos nesta fila que não anda e ainda vem um velho careca segurando um pacote de açúcar querendo pegar teu lugar? Mas nem pensar! Esse imbecil que vá comprar açúcar na casa do caraleo!
Em uma das raras vezes na minha vida, fechei com o diabinho do meu ombro esquerdo.

Mas eu sei o que aconteceu.
Tudo isso foi a falta que a Priscila fez ao meu lado.
Ela me acalma nos momentos de tensão e desespero.
E além disso consegue entrar na caixa prioritária.
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