6.9.09

Barrigão, berço, açúcar e afins

No momento em que escrevo este post, Priscila se revira na cama buscando uma posição confortável para dormir.
Não é pra menos: a barriga de nove meses dificulta ao máximo os movimentos.
A gravidez está na reta final e o Pietro pode dar o ar da graça a qualquer momento.

(...)

Ontem recebemos o berço-cômoda comprado pela sogra.
Evidentemente que chegou desmontado.
Contagiado pela ansiedade da mamãe (que acredita que o quarto do pequeno não estará pronto até a hora do parto) decidi dar uma de montador.
Até na ferragem eu fui comprar uma chave de fenda compatível com os parafusos.
Penei, mas consegui montar o berço propriamente dito.
A ideia ia dando resultado até o momento de montar a cômoda.
Decidi começar pelas gavetas e desisti no momento em que percebi que o fundo não encaixava.
Pra que inventar?
Pra que tentar fazer o que não sabe?
Para que existem montadores?
Liguei para um conhecido que me cobrou R$ 20,00 pra terminar a cômoda e dar um jeito na gaveta sem fundo.
Ele vem na terça-feira.
Só espero que a Priscila consiga agüentar até lá.

(...)

Na manhã deste sábado, munido de uma lista de compras feita com esmero pela Priscila, fui ao supermercado fazer as compras da semana enquanto ela ficava em casa descansando.
Não tem mesmo como uma mulher grávida de nove meses passar esse tempo num supermercado.
Optei pelo Carrefour da Bento Gonçalves.
Não é o super que costumamos ir.
Muito pelo contrário. Priscila tem aversão a este Carrefour.
Como ela não estava comigo e é um dos supermercados mais próximos de casa, achei que poderia ganhar tempo.
Achei errado.
Foi só cruzar a porta da frente para ter a visão do inferno.
Poderia dar meia volta e sair dali correndo, mas preferi encarar o diabo.
Bem feito pra mim.
As compras até que não demoraram muito para serem feitas.
O problema foi na hora de pagar.
A menor fila tinha 10 carrinhos.
Levei pelo menos uma hora até chegar no caixa.
Perdi tempo, paciência e a compostura.
Faltando dois carrinhos para chegar a minha vez de pagar, um senhor se aproximou com um pacote de açúcar e perguntou:
- Posso passar na sua frente?
Levei algum tempo para entender:
- Passar na minha frente? Como assim?
- É que só estou com esse pacote de açúcar. Posso passar?
Lembrei dos intermináveis 55 minutos que passei na fila até então e me surpreendi comigo mesmo quando respondi:
- Não. Não vai passar.
Acho que o senhor também deve ter ficado surpreso com a resposta e assustado com o meu olhar de ódio.
Já viu meu olhar de ódio?
Nem queira.
Neste momento apareceu no meu ombro direito um anjinho azul, gordinho e de cavanhaque dizendo:
- Tsc...tsc...tsc...que coisa feia, Márcio. Tu não és assim. Onde está tua solidariedade?
Imediatamente o diabinho gordinho, de cavanhaque e tico grande apareceu no lado esquerdo e respondeu:
- Solidariedade é a putaquospariu! Tu estás há horas aqui dentro desta merda de supermercado, com esse monte de pobre que desceu o morro pra comprar cerveja e cachaça, esperando 55 minutos nesta fila que não anda e ainda vem um velho careca segurando um pacote de açúcar querendo pegar teu lugar? Mas nem pensar! Esse imbecil que vá comprar açúcar na casa do caraleo!
Em uma das raras vezes na minha vida, fechei com o diabinho do meu ombro esquerdo.

Mas eu sei o que aconteceu.
Tudo isso foi a falta que a Priscila fez ao meu lado.
Ela me acalma nos momentos de tensão e desespero.
E além disso consegue entrar na caixa prioritária.

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