27.10.09

Família Tescaro em dose dupla

Andando de carro pela cidade, procuro mostrar os principais locais para minha cunhada que veio do interior de São Paulo.
Começa assim o diálogo enquanto trafego pela av. Osvaldo Aranha:
- Thaís. Aqui é o bairro Bom Fim. O bairro da comunidade judaica de Porto Alegre.
- Ah! E por que se chama “Bom Fim”?
Pausa para tentar achar uma resposta.
- Sei lá! Não sei o motivo.
- Não tem nada a ver o nome “Bom Fim” com os judeus.
- Queria que se chamasse como? Auschwitz?
- Qualquer coisa que tivesse relação com os judeus. Como tem lá em São Paulo o bairro japonês da Liberdade.
- E o que tem a ver “Liberdade” com o Japão? Liberdade lembra muito mais Nelson Mandela. Poderia ser um bairro sul-africano.
- Vai ver que depois da Segunda Guerra, depois de tudo que aconteceu com o povo judeu, aqui em Porto Alegre eles encontraram um “bom fim”.
- Sim. Vai ver que é.

A propósito

(...)

Priscila arrumando as malas do Pietro para a viagem à Americana.
Diz ela.
- Má: precisamos ligar para o pediatra e perguntar o nome do remédio que ele indicou para colocar no nariz do Pietro antes da viagem. Eu coloquei a receita fora.
- Mas eu sei o nome.
- Sabe?? E como é?
- Salsep!
- É!!! É esse mesmo!!! Estava procurando outro nome na internet. Por isso não achei.
- E que nome tu estavas procurando?
- São Sepé.

Medo.
Imagina o que ela iria procurar se o remédio fosse Novalgina...

22.10.09

Luiz Nei - "Eu matei Papai Noel"

Durante muitos anos vivi grilado, sem saber por que , com a chegada do Natal. Uma angústia muito grande quase me sufocava e fazia de meus dias uma verdadeira tortura mental. Nunca simpatizava com a figura do “Papai Noel” e sempre que podia, evitava até olhar pro cara.

Em minha casa também não havia um clima muito festivo com a aproximação do Natal, fato que alimentava ainda mais o meu desânimo com as festas de fim de ano , fazendo aumentar minha angústia.

Nossos hábitos natalinos, quando da minha infância, eram iguais aos de todas as casas que conheci. A árvore, os presentes, a cantoria, os abraços e..., o Papai Noel, de carne e osso e barba também , fazendo “Ho Ho Ho” como todos.

Já com mais idade, resolvi levar a sério esta questão e tentar buscar os motivos deste desconforto que tanto me deixava triste.

Certo dia, folheando um álbum de família, encontrei-me em plena infância, na casa dos meus avós, onde aconteciam os Natais. Ao ver as imagens, comecei a suar frio, um tremor e um mal-estar terrível que jamais esquecerei.

Mas, tudo ocorreu naquela noite. Ao dormir e sonhar, sob o impacto das imagens da infância, um filme foi passando e, quando cheguei aos meus 5 anos, lembrei como tudo havia acontecido:
Meu pai , velho caçador, encomendou ao Papai Noel uma arma de caça movida a bolinha de ping- pong que, para mim, representava o máximo de poder e pompa.

Naquela noite, como em todos os Natais, Papai Noel chegou para alegrar os adultos e aterrorizar as crianças. Ah, como sofria com aquela figura assustadora.

Depois de todos terem recebidos seus presentes, o “bom velhinho”, veio em minha direção, falou: _ ...Então, meu menino, gostou do present... Foi quando imediatamente apontei minha arma para aquela cara e atirei . O velho, atingido pelo meu tiro certeiro, caiu sobre a árvore enfeitada, e os pacotes que ainda restavam. Com todo aquele corpanzil foi fazendo um estrago horrível, acompanhado de um grito de dor que deixou a todos atônitos. Foi um grande rebuliço !

Meu pai, vendo aquela cena , tomou-me pelo braço e levou-me, junto com meus primos, para um quarto da velha casa, onde ficamos presos.

Acordei chorando, suado e nervoso por ter lembrado e sentido o quanto este episódio ficou me ferindo como um espinho penetrado, causando toda minha angústia.

A situação criada foi de um silêncio perpétuo, ninguém falava ou comentava o ocorrido. Eu, que causei todo aquele alvoroço, acho que por ter apenas 5 anos, fui poupado pelos mais velhos. Seria o segredo de nossa família. Eu havia matado Papai Noel. Assim permaneceu por anos e anos, eu com minha culpa e meus pais, tios e avós com o segredo.

Então, resolvi falar com alguém que estivera presente naquela noite de Natal e tentar esclarecer os pontos que continuavam obscuros na minha cabeça.

Tia Nicota, a mais chegada à família, estava sempre a par de tudo que acontecia com os parentes, suas aventuras e desventuras. Foi quem procurei e a quem perguntei sobre como eram os Natais de nossa infância.

Ela me olhou com expressão enigmática e falou: “...Eram muito bons, até a noite em que seu tio Janjão, que adorava ser todos os anos o Papai Noel, teve um infarto fulminante e caiu morto sobre a árvore de Natal , sobre nossa alegria e nossos sonhos de felicidade... Foi uma tragédia, concluiu !

Fiquei alguns minutos olhando longe, imaginando a cena. Então era isso ? Ela acha que foi assim que aconteceu ? Então tio Janjão era o Papai Noel ?

Pobre Tia Nicota! Não sabe que quem morreu foi o Papai Noel, e não Tio Janjão ... também nunca ficará sabendo que “eu matei Papai Noel !”.


SEI QUE NÃO É UM CONTO INFANTIL, MAS MESMO ASSIM, DEDICO AOS MEUS 5 NETOS, por ORDEM DE SUA CHEGADA A ESTE MILÊNIO:

DUDA (9 anos)

MÁRTIN (5 anos)

ANNA (3 anos)

LUIZA (3 meses)

PIETRO ( 1 mês)

Porto Alegre, OUTUBRO DE 2009.

Luiz Nei / Revisão de texto: Juçá Neves

21.10.09

Plantada a semente tricolor



Lamento não ter um registro da minha primeira ida ao estádio Olímpico.
Não que isso tenha alguma importância ou que vá modificar a minha vida.
Mas gostaria de poder guardar essa lembrança nem que fosse em uma foto antiga e amarelada.
Poder mostrar para os amigos e colegas e dizer: “olha só a prova de que sou gremista desde pequeninho”.
Apesar de não ter foto, recordo de algumas passagens lá pelos anos de 1976 ou 1977.
Serve como consolo.
Bom, este lamento não fará parte da vida do Pietro.
Hoje à tarde, com 43 dias de vida, o pequeno teve sua primeira experiência no Monumental da Azenha.
Fiz questão de registrar esse momento único na vida de um gremista!
A semente está plantada.
Missão cumprida.
E ele adorou!
Ah! A roupa verde é só pra agradar o lado palmeirense da família.
Nada mais que isso.


Mais um da família!

19.10.09

Fórmula 1

Acredito que nunca tenha escrito nada neste blog tendo a Fórmula 1 como tema.
Talvez isso caracterize meu apreço por este “esporte”.
Bom, tenho que confessar que já fui um grande admirador das baratinhas.
Principalmente nos últimos anos da década de 80 com aqueles inesquecíveis duelos entre Senna e Piquet.
Além das presenças de nomes como Niki Lauda, Alain Prost, Nigel Mansell, só pra ficar nestes que eu sei escrever.
Era emoção garantida nas manhãs de domingo.
Na época em que os domingos eram bons...podia acordar tarde e ficar na cama até às 19h quando terminava Os Trapalhões.
Além disso os carros não eram dotados de tanta tecnologia, ou seja: eles batiam mais, pegavam fogo com maior facilidade.
Vai dizer que não são atrativos?
Inevitavelmente, dedico esse meu desinteresse pela Fórmula 1 à morte de Ayrton Senna em 1994.
Não sou o único.
E as coisas pioraram ainda mais com o surgimento do tal Michael Schumacher.
O Brasil parou de ganhar e o desânimo tomou conta.
Depois apareceu o Rubinho.
Coitado.
Antes não tivesse aparecido.
Segue até hoje frustrando milhares de brasileiros.
Ser torcedor do Rubinho é como ser torcedor do Atlético Mineiro.
Tem uns preferem o Felipe Massa.
Um cara sem absolutamente nenhum carisma.
Um baixinho metido a besta e amigo do Galvão Bueno.
Não se faz mais Fórmula 1 como antigamente.
Vem aí o Bruno Senna.
Oremos.

16.10.09

Tributo ao Beijoqueiro

O nome "José Alves de Moura" pode não significar nada para o leitor mais desatento.
Mas quando mencionamos o apelido “Beijoqueiro”, dificilmente alguém da minha geração não ouviu falar.
A figura folclórica deste cidadão nascido em Portugal em 1940 e morador do Rio de Janeiro ganhou notoriedade no início da década de 80 ao invadir o palco do show de Frank Sinatra no estádio do Maracanã e desferir um beijo babado no rosto do cantor.
Começou aí sua carreira de “beijoqueiro”, apelido dado pela imprensa por motivos óbvios.
Tão óbvio como sua preferência por beijar celebridades em momentos inusitados apenas para se manter na mídia.
Invadir palcos, campos de futebol, palanques, etc, tornou-se uma rotina para ele.
Mas o momento culminante foi conseguir romper o cordão de isolamento para beijar os pés do Papa João Paulo II em 1983.
Aos poucos, o Beijoqueiro começou a se especializar em “atacar” políticos e jogadores de futebol.
Apesar do “carinho”, nem sempre tal demonstração era bem entendida pela “vítima”.
Tanto que José Alves de Moura foi inumeras vezes agredido, preso e internado em clínicas psiquiátricas.
Suas últimas aparições foram há dois anos quando tentou invadir o campo do Maracanã para beijar o Obina.
Hoje em dia, muitas informações desencontradas dão conta de que beijoqueiro segue vagando pelas ruas do Rio de Janeiro desferindo surpreendentes bitocas nas bochechas dos transeuntes desavisados.
Foi assim que, em 1995, fui beijado pelo “Beijoqueiro” em frente ao hotel da seleção brasileira na cidade de Maldonado quando dos preparativos para a final da Copa América entre Brasil e Uruguai em Montevidéu.
Confesso que foi uma emoção impar.
Ao relatar esse fato para meu colega Eduardo Barbosa, estagiário da assessoria de comunicação, sua reação me surpreendeu e me preocupou.
- Quem é esse beijoqueiro? Nunca ouvi falar.
É uma pena que essa nova geração (e até as futuras) não conheça essa figura magnânima e impoluta.
Por meio deste post, deixo minha singela homenagem a esta pessoa que tem (ou teve) como único objetivo na vida levar como maior símbolo o carinho de um beijo.
Mesmo que roubado.

13.10.09

Gelol


O Pietro é um gurizinho muito legal.
Legal mesmo.
É muito bom tê-lo em meus braços enquanto assistimos a Série B numa noite de sexta-feira.
Nem mesmo o fato dele chorar quase 20 horas por dia pode interferir neste sentimento de amor que venho sentindo e que cresce a cada dia.
Hoje ele expeliu líquido por três orifícios distintos.
Cagou, mijou e regurgitou em cima de mim, ao mesmo tempo.
Não é lindo isso?
Desde que minha sogra voltou para São Paulo, as coisas tem sido difíceis.
Confesso que aproveitei a presença dela aqui para abrir um pouco mão dos meus afazeres como pai.
Mas não foi por mal.
Queria que ela curtisse o neto ao máximo.
Agora estou penando.
A Priscila costuma dizer que só tem duas coisas que me deixam de mau humor durante o dia:
Sono e fome.
E é exatamente isso que venho sentindo nos últimos dias.
Imagina então como está o meu humor.
Mas sei que estou errado.
Hoje prometi pra mim mesmo que não vou deixar que essas coisas me atinjam.
Quero curtir meu filho em todos os momentos que estiver com ele, pois sei que isso passa rápido.
Logo ele estará solto pelo mundo e eu sentindo saudades deste tempo em que tudo ele dependia de nós.
Assim sendo, passarei as noites em alerta.
Velando seu soninho.
Pronto para acudir quando precisar.
Seja para dar mamadeira, seja para trocar a fralda (mesmo sem lente de contato).
O pior que posso fazer é colocar a fralda na cabeça.
Afinal, como diz meu amigo Gelol: não basta ser pai. Tem que participar.
Tamos aí.

5.10.09

De volta para o passado

Nunca fui muito adepto a esta moda que está tomando conta da minha geração de buscar no passado a razão e a motivação para viver o presente.
Parece realmente que os anos 80 estão de volta e isso acaba trazendo um pouco de “bitolação”.
O passado já passou e era isso.
Tá bom! Não sejamos tão insensíveis.
Lógico que gosto de relembrar certas coisas que fizeram parte da minha vida e que hoje já não existem mais.
A diferença é que não sofro por isso.
Bom, só às vezes.
Outro dia recebi por e-mail um convite para uma partida de futebol no campo do colégio Anchieta com a turma que se formou em 1989.
Acreditei ser a oportunidade perfeita para rever pessoas que já não via há 20 anos.
Além da possibilidade de jogar uma partida de futebol de campo num dos melhores gramados da cidade.
Gramado esse, aliás, plantado muitos anos depois da minha saída do colégio.
Na minha época o campo era de areia e cheio de cocurutos que eu conhecia como a palma da minha mão.
O jogo estava marcado para este domingo, às 10h.
O relógio marcava 9h e eu já estava lá ansioso por rever todo mundo.
O pessoal foi chegando aos poucos e aí começou a missão de identificar cada um.
Com poucas exceções, parece que o tempo não passou.
Aqueles mesmos rostos conhecidos de 20 anos atrás que faziam parte do nosso dia-a-dia.
Que faziam parte de um tempo em que éramos felizes e não sabíamos.
A frase é clichê, mas inapelavelmente verdadeira.
O futebol foi jogado em alto nível.
Cadenciado, procurando os atalhos do campo.
Porque já não temos aquele vigor de outrora.
Ainda assim, foi emocionante reencontrar todo mundo e saber um pouco da vida de cada um.
Felizmente, novos encontros já estão marcados.
Porque, como dizia o poeta, o tempo não pára.

Ninguém mandou estudar

Fui pagar a parcela do financiamento do meu carro na agência do Banrisul que fica no Olímpico, ao lado da minha sala.
O carnê aponta pagamento até setembro de 2012.
No caixa, na minha frente, estava o Maxi López sacando uma pequena parte do seu salário para passar o final de semana.
Com ela eu pagaria todo o meu carnê e ainda dava pra comprar um usado 2008.

2.10.09

O banheiro do papa

Ia fazer uma piada interessante sobre a notícia desse link, mas achei que não seria de bom tom.

1.10.09

O Albergue

Ontem assisti no HBO “O Albergue 2”.
Faz uns dois meses que assisti o primeiro.
Realmente é bem forte, como haviam me avisado.
Pra quem não viu, o filme conta a história de pessoas muito ricas (empresários bem sucedidos) que pagam para torturar e matar pessoas.
Essa matança se dá em uma construção em ruínas na Eslováquia que conta com a conivência da polícia local já que a “brincadeira” movimenta muito dinheiro.
Cada pessoa a ser torturada e morta tem um preço.
Evidente que americanos têm maior cotação.
Na verdade, o Albergue nada mais é do que o local onde estas pessoas ficam hospedadas acreditando ser um spa de águas termais.
Lógico que pessoas que assistem ao filme (e gostam) devem ter algum distúrbio mental.
Vendo a primeira produção, comecei a pensar como funcionaria a mente de uma pessoa que cria uma obra dessas.
Não tem como ser normal.
Certamente, se eu conhecesse, pensaria duas vezes em freqüentar os mesmos lugares que ela.
Ontem, vendo o número 2, tentei imaginar qual pessoa eu escolheria para arrancar os pedacinhos bem devagar.

Muitas opções!!
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