16.10.09

Tributo ao Beijoqueiro

O nome "José Alves de Moura" pode não significar nada para o leitor mais desatento.
Mas quando mencionamos o apelido “Beijoqueiro”, dificilmente alguém da minha geração não ouviu falar.
A figura folclórica deste cidadão nascido em Portugal em 1940 e morador do Rio de Janeiro ganhou notoriedade no início da década de 80 ao invadir o palco do show de Frank Sinatra no estádio do Maracanã e desferir um beijo babado no rosto do cantor.
Começou aí sua carreira de “beijoqueiro”, apelido dado pela imprensa por motivos óbvios.
Tão óbvio como sua preferência por beijar celebridades em momentos inusitados apenas para se manter na mídia.
Invadir palcos, campos de futebol, palanques, etc, tornou-se uma rotina para ele.
Mas o momento culminante foi conseguir romper o cordão de isolamento para beijar os pés do Papa João Paulo II em 1983.
Aos poucos, o Beijoqueiro começou a se especializar em “atacar” políticos e jogadores de futebol.
Apesar do “carinho”, nem sempre tal demonstração era bem entendida pela “vítima”.
Tanto que José Alves de Moura foi inumeras vezes agredido, preso e internado em clínicas psiquiátricas.
Suas últimas aparições foram há dois anos quando tentou invadir o campo do Maracanã para beijar o Obina.
Hoje em dia, muitas informações desencontradas dão conta de que beijoqueiro segue vagando pelas ruas do Rio de Janeiro desferindo surpreendentes bitocas nas bochechas dos transeuntes desavisados.
Foi assim que, em 1995, fui beijado pelo “Beijoqueiro” em frente ao hotel da seleção brasileira na cidade de Maldonado quando dos preparativos para a final da Copa América entre Brasil e Uruguai em Montevidéu.
Confesso que foi uma emoção impar.
Ao relatar esse fato para meu colega Eduardo Barbosa, estagiário da assessoria de comunicação, sua reação me surpreendeu e me preocupou.
- Quem é esse beijoqueiro? Nunca ouvi falar.
É uma pena que essa nova geração (e até as futuras) não conheça essa figura magnânima e impoluta.
Por meio deste post, deixo minha singela homenagem a esta pessoa que tem (ou teve) como único objetivo na vida levar como maior símbolo o carinho de um beijo.
Mesmo que roubado.

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