24.11.09

Diálogos e pensamentos

Priscila:
- Má. Você vai renovar o pay per view do Campeonato Brasileiro para o próximo ano?
- Hum... não sei. Acho que não.
- Por que não? É a única diversão que você tem.
- *
Fato.

(...)

Nunca questionei tanto a minha capacidade de ser pai como nos últimos dias.
E isso não é bom.

(...)

E pensar que hoje eu poderia ser o assessor de imprensa do Porto Alegre FC.
Talvez tivesse os finais de semana livres.
Ganhando três vezes menos...

(...)

Ser ou não ser?
Semana passada terminei de ler Hamlet, de Shakespeare.
Não gostei muito.
Eis a questão.

(...)

William Shakespeare.
Mahmoud Ahmadinejad.
Arnold Schwarzenegger.
Não saberia escrever estes nomes sem procurar no Google.

(...)

Não.
Escola pública não é bom.

(...)

E se tivesse colocado tudo isso no Twitter?
Seria mais um daqueles chatos...

(...)

Eu vou ser um velho muito chato.
Daqueles que nem mesmo eu me aguentarei.
Tipo, a partir do ano que vem.

(...)

Saudade da turma.
Da trama.
Da trema...

(...)

Preciso me alcoolizar.
Mas sem ficar bêbado.

(...)

Filhos são para sempre.

(...)

"Problema sem solução, solucionado está".
Adoro essa frase.
Deve ser Shakespeare.

(...)

Hoje levei o Pietro para passear no carrinho pelo bairro.
Impressionante as más condições das calçadas.

(...)

Gosto de tentar imaginar onde eu estaria agora se não tivesse o hábito de pensar duas vezes antes de tomar atitudes.
Na cadeia, talvez?
Ou num hotel 6 estrelas de Dubai...

(...)

Ilusão de ótica.
Ela pode liquidar você.



É o braço da fotógrafa!

Amizade e afins

Já faz algum tempo, ando analisando algumas situações na minha vida que me fizeram chegar a uma conclusão bombástica:
Eu não tenho amigos.
É verdade.
É duro admitir, mas tenho que confessar que sou uma pessoa que não tem amigos.
Estou falando de amigos, amigos, na acepção da palavra.
Uma pessoa para contar nos momentos difíceis, desabafar, compartilhar os problemas, escutar, ou simplesmente estar ao seu lado sem dizer uma palavra.
Tenho muitos conhecidos, isso é verdade.
Colegas de trabalho também.
Mas é só isso.
Até já tive amigos.
Na época em que podia conviver com eles.
Mas, hoje em dia, as antigas amizades se resumem a um encontro involuntário uma vez por ano, ou duas vezes.
Até mesmo pessoas mais chegadas, que considerava amigos em potencial, me mostraram a realidade contrária.
Coisas que acontecem e que todos estamos sujeitos nesta vida de meu Deus.
Para não parecer que estou me fazendo de vítima, quero deixar bem claro que tenho grande parcela de culpa nesta situação.
Talvez 70% de culpa.
Confesso que nunca fui muito de cultivar as amizades.
Talvez porque me ache interessante demais e se as pessoas quiserem ser minhas amigas elas que devem correr atrás.
Se realmente esse for um motivo, não é por mal.
Me afastei muito das pessoas nos quase 10 anos em que estive na prisão.
Me refiro ao primeiro casamento.
Uma grande burrada.
Depois de tanto tempo, fica difícil retomar alguma coisa.
Mas o tempo passa e a vida segue seu rumo.
Nem sempre é aquele rumo que gostaríamos, mas é o rumo que nós mesmos direcionamos.
Quanto àqueles antigos amigos, segue a esperança de relembrarmos os bons momentos em algum encontro involuntário uma vez por ano, ou duas vezes.
Que seja logo, pois estão fazendo falta nos últimos dias.

Ps.
Tem duas pessoas que posso considerar exceções.
E elas sabem quem são.
Bom deixar claro para que não fiquem magoadas comigo.

17.11.09

Torcida organizada

Eu nunca joguei com torcida.
E olha que já joguei futebol nestes meus 37 anos.
Estou falando de torcida assim como nos jogos de futebol profissional.
Talvez com três, dez ou sessenta mil pessoas em volta, incentivando, meu desempenho fosse melhor dentro de campo.
Achei que nunca saberia.
Pelo menos até o último sábado quando levei Duda e Mártin para o meu futebol semanal.
Eles levaram gibis, papel, canetinha pra desenhar e vários brinquedos para que aquela hora em que eu estivesse em campo não fosse tão maçante pra eles.
Mas, para minha surpresa, ao invés de ficarem sentados na mesa onde os deixei antes do jogo, eles preferiram ficar o tempo todo ao lado do campo berrando e incentivado o pai metido a atleta.
Cada jogada bem feita era respondida com aplausos (e cada jogada errada também).
Aquela reação espontânea deles serviu como uma injeção de ânimo.
Respondi marcando quatro gols.
Cada um deles seguido de um aceno agradecido para minha “torcida organizada”.
Deve ser mais ou menos assim jogar com sessenta mil pessoas incentivando.

13.11.09

Estive com a minha vó

Hoje sonhei com a minha vó Juçá.
Ela veio até mim, me abraçou e me disse algumas palavras de conforto.
Só consegui dizer que sentia saudades dela e chorei no seu peito.
Pude sentir aquele cheirinho de talco que ela tinha.
Não sei qual o significado desse sonho.
Nem sei se acredito neste tipo de coisa.
Só sei que foi bom e tirou um pouco do peso e do sentimento ruim que estão dentro de mim.
Se lá no céu tiver internet e ela acessar esse blog, deixo um grande beijo.

Ps. ela também me disse que vem buscar o meu tio.
Seja lá como for, estou avisando com antecedência.

Visitas:
Agradecimento especial aos visitante de Santo Augusto-RS, que eu nem sei onde fica, Poá-SP e Varsóvia-Pol.

10.11.09

Diga-me com quem andas...

Não tenho dúvida que a qualidade de uma viagem de avião (ou de ônibus) é diretamente proporcional ao grau de agradabilidade da pessoa que senta ao seu lado.
E quando falo em “agradabilidade” me refiro a uma série de fatores que, quando reunidos em uma pessoa, faz com que sua própria viagem seja agradável.
E não precisa ser muita coisa.
Basta que a pessoa tenha um mínimo de educação e higiene.
Já viajei muito nesta vida.
Tanto de ônibus quanto de avião.
Em uma das vezes que voltei da Europa, ao meu lado sentou uma modelo paraguaia maravilhosa.
Me recordo até o nome dela.
Blanca.
Extremamente simpática e conversadora.
Achei que minha viagem ao lado dela seria ótima.
O problema é que antes de embarcar, tomei uma boleta violenta para conseguir dormir durante o vôo.
O resultado é que com 15 minutos após a decolagem eu já estava babando.
Estava tão dopado que nem cheguei a aceitar a comida.
Acordei já no Rio de Janeiro.
Outra vez viajei ao lado do Stênio Garcia, que passou todo o percurso decorando o texto de alguma peça de teatro.
Bom, sei que isso não modifica a minha vida.
A verdade é que eu queria comentar sobre meu colega de viagem no meu retorno de São Paulo na última segunda-feira.
Um gordão barbudo suado e ofegante que sentou no corredor.
Tentei relaxar ao máximo e esquecer que aquela criatura estava ali, mas minha impossibilidade de movimentar os braços não deixou.
Fiquei encolhido com a cara enfiada na janelinha do avião.
Bom, a viagem de Campinas para Porto Alegre não dura mais do que uma hora e meia e o cara nem tava fedendo.
Pelo menos externamente.
Não levou muito tempo para eu perceber que o cara tava podre por dentro.
De dez em dez minutos ele soltava aquele arroto silencioso e profundo.
Aquele que vem do âmago.
E um cheiro podre de almôndega com mortadela entrava pelas minhas narinas.
Tentei não me desesperar, mas aquele cheiro começou a me fazer mal.
E a situação piorou ainda mais depois do lanche.
O gordo começou a liberar flatos.
Foi então que me revoltei.
Se é guerra que ele quer, é guerra que eu vou dar.
Já estava me segurando fazia alguns minutos, pois eu também havia comido batata frita, amendoim e Coca Zero.
Ele soltava de um lado e eu soltava do outro.
Confesso que foi uma guerra disputada, mas tudo dentro da lei.
Coitado dos inocentes que estavam ao redor.
Mas são sempre os que mais sofrem durante combates violentos como esse.
Sorte que não caíram do teto as máscaras de oxigênio (ou azar).

(...)

Essa história que aconteceu comigo me lembrou Luiz Nei.
Sempre quando Luiz Nei era obrigado a fazer uma viagem mais longa de ônibus, além de comprar a sua passagem, ele comprava mais uma.
Exatamente o banco que estava ao seu lado.
Ou seja: Luiz Nei comprava janela e corredor.
Tudo para que nenhuma pessoa sentasse ao seu lado durante o trajeto.
Evitando problemas como este citado acima.
Em uma destas viagens, após o ônibus deixar a rodoviária, Luiz Nei percebe uma senhora caminhando pelo corredor do coletivo.
Ela se aproxima e pergunta já se sentando:
- Esse lugar está vago?
- Está, e vai continuar. Pode sair daqui.
Respondeu Luiz Nei com toda aquela educação e já empurrando a velhota.
Sem dúvida é uma ideia brilhante.

Queria ver se fosse uma modelo paraguaia.

7.11.09

Aula de debilioidês

Uma das vantagens de se ter criança em casa é que você aprende um novo idioma.
Talvez nem seja um idioma e sim um dialeto.
Não tenho um nome criativo para colocar neste novo dialeto, mas você que convive, ou conviveu, com criança deve saber do que eu estou falando.
É aquele dialeto que só os adultos conhecem quando querem manter diálogo com bebês recém nascidos ou de parca idade.
Alguma coisa entre o debiloidês e o retardadês.
- Nenê tá totô?
Ou:
- Vem no toínho da mamãe!
Ou:
- Faz zoínho po titio, faz! Que coisinha mais totosa.
Estas até que são frases mais conhecidas;
O divertido é quando você convive com maior número de pessoas e tem a possibilidade de ampliar seu conhecimento com relação ao novo idioma.
Alguma coisa do tipo:
- Óia a peta que vovó vai baiá.
Levei algum tempo para decifrar esta frase de alto grau de intelectualidade proferida por minha sogra.
Nada mais é do que “olha a chupeta que vovó vai trabalhar”.
Lindo!
A outra foi:
- Tadinho, tem uma ubiga no totoço.
Esta foi da minha cunhada que quer dizer: “tadinho tem uma formiga no pescoço”.
Tudo isso com menos de 24 horas de estada em Americana.
Espero poder ampliar ainda mais meu vocabulário e compartilhar com vocês.

Agora dá lichencha que eu vô baiá.

4.11.09

Início, meio e fim

Uma das aulas mais interessantes na época da faculdade era a de Introdução a Publicidade e Propaganda.
Acho que são poucos os cursos de jornalismo que apresentam essa cadeira no currículo.
A faculdade defendia a idéia de que um bom jornalista precisa saber o básico de Publicidade.
No que concordo plenamente.
Tinha um professor que, certa feita, disse na aula que todos os produtos ou empresas hoje no mercado irão terminar um dia.
Segundo ele, todos os produtos e/ou empresas tem um começo, um ápice e um final.
A tal linha ascendente e a linha decrescente.
Inevitavelmente, todos irão passar por isso um dia.
Quando questionado sobre marcas como Coca Cola ou McDonald´s, exemplos de sucesso mundial, ele era enfático: “TODOS os produtos. TODAS as marcas, um dia irão acabar. Seja Coca Cola ou seja McDonald´s”.
Não importa o motivo: se uma grave crise econômica, se uma má administração, a incapacidade de satisfazer os consumidores ou desinteresse e pouca dedicação dos herdeiros que eventualmente venham assumir o lugar de um empresário falecido, etc, etc.
Não importa o motivo.
O certo é que tudo terá um final.
Confesso que na época não levei muito a sério tais previsões pessimistas, mas a verdade é que jamais esqueci.
Exemplos que poderiam embasar a teoria brotam aos montes por aí.
Guardada as devidas proporções com relação às marcas citadas acima, quem um dia poderia imaginar num declínio de Varig, Mesbla, Arapuã, Sulbrasileiro e até Caldas Júnior, só para ficar nestas nacionais?
Pois é.
O tempo foi passando e a cada dia me dou conta de que aquele professor pode mesmo estar com a razão.
Ninguém jamais poderia imaginar que o fim deste blog poderia chegar.
Talvez não seja o fim definitivo, mas é inegável que ele está na linha descendente.

Deve ser a tal incapacidade de satisfazer os consumidores.

3.11.09

Huevos calientes

Juçá me dava muito ovo quente na minha infância.
Nunca mais comi ovo quente depois que eu cresci.
Vai ver que exatamente por isso.
Crianças são sujeitas a um tipo de alimentação que jamais continuarão ingerindo quando adultos.
Leite materno, por exemplo.
Jamais tomaria um copo de leite materno.
Eca!
Bom, dependendo da fornecedora, até que daria pra encarar uns goles direto da fonte.
Junto com umas bolachas Maria...
Bom, falando sério agora.
Ovo quente é uma dessas iguarias que não podemos nos permitir comer em sã consciência.
Sabe o que é ovo quente, né?
Deixa o ovo na água fervendo até que ele fique no meio termo entre o cru e o cozido.
Coloca ele num recipiente próprio pra isso, quebra a pontinha superior da casca e come com uma colher aquela gosma viscosa.
Se preferir, faça um pequeno furinho na ponta e sugue o interior.
Se você tem estômago para tanto, parabéns!
Você está ingerindo um pinto líquido.
Bom, tudo isso porque o hotel que fiquei hospedado em São Paulo oferecia ovo quente em seu frugal café da manhã.
Nojento.
Obviamente pensando nas dezenas de crianças hospedadas.

2.11.09

Decepção no ABC


Não sei mais o que fazer para o Grêmio ganhar uma partida fora de casa pelo Campeonato Brasileiro.
No jogo deste final de semana contra o Santo André, no ABC Paulista, cheguei até a tirar a barba e depilar o saco pra ver se o time ganhava.
Não adiantou.
Chegaram até a me aconselhar a virar veado, mas acho que essa opção está fora de cogitação.
Pelo menos por enquanto.
A verdade é que desisti de sofrer por causa disso.
Me refiro às derrotas do Grêmio fora de casa.
A gente acaba ficando anestesiado, pois a coisa está ficando muito previsível.
Nem cheguei a sentir tanto como foi nas derrotas contra Vitória e Coritiba.



Chegamos em São Paulo no sábado à tarde e nos hospedamos no Hilton Morumbi.
Hotel podre de chique.
Tão chique que o almoço custa R$ 115,00 por cabeça.
Optamos por almoçar numa padaria nas proximidades.
Depois de trabalhar um pouquinho, ainda deu tempo de ir ao Morumbi dar uma olhada em São Paulo x Barueri.



Cheguei já com a bola rolando.
Tumulto na entrada com filas nas bilheterias e nos portões.
Dei sorte e consegui entrar com a carteira de cronista esportivo.
Mesmo assim acabei perdendo o gol do Jorge Wagner aos 4 minutos.
Obviamente, mais nada aconteceu no restante da partida.
A última vez que estive no Morumbi foi na final da Libertadores de 1991 entre São Paulo e Newell´s Old Boys.
Estádio bonito, mas precisa melhorar muito para uma Copa do Mundo.



Domingo deixamos o hotel por volta das 15h em direção ao estádio Bruno José Daniel, em Santo André.
Levamos 40 minutos até lá.
Tranqüilidade absoluta para trabalhar.
O estádio é pequeno, simples, mas com total segurança para a imprensa.
Nossa transmissão foi nota 10 pela Grêmio Rádio.
Mas de nada adiantou, mais uma vez.
Todo o esforço e dedicação ficam comprometidos com o resultado dentro de campo.
De nada vale se o time não ganhar.



Essa foi minha última viagem pelo Grêmio este ano.
Em 2010 devemos ter Fortaleza no circuito das viagens.
Já estou me escalando pra ir.
Na bagagem, camiseta regata, bermuda e quatro pares de meia de lã.
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