10.11.09

Diga-me com quem andas...

Não tenho dúvida que a qualidade de uma viagem de avião (ou de ônibus) é diretamente proporcional ao grau de agradabilidade da pessoa que senta ao seu lado.
E quando falo em “agradabilidade” me refiro a uma série de fatores que, quando reunidos em uma pessoa, faz com que sua própria viagem seja agradável.
E não precisa ser muita coisa.
Basta que a pessoa tenha um mínimo de educação e higiene.
Já viajei muito nesta vida.
Tanto de ônibus quanto de avião.
Em uma das vezes que voltei da Europa, ao meu lado sentou uma modelo paraguaia maravilhosa.
Me recordo até o nome dela.
Blanca.
Extremamente simpática e conversadora.
Achei que minha viagem ao lado dela seria ótima.
O problema é que antes de embarcar, tomei uma boleta violenta para conseguir dormir durante o vôo.
O resultado é que com 15 minutos após a decolagem eu já estava babando.
Estava tão dopado que nem cheguei a aceitar a comida.
Acordei já no Rio de Janeiro.
Outra vez viajei ao lado do Stênio Garcia, que passou todo o percurso decorando o texto de alguma peça de teatro.
Bom, sei que isso não modifica a minha vida.
A verdade é que eu queria comentar sobre meu colega de viagem no meu retorno de São Paulo na última segunda-feira.
Um gordão barbudo suado e ofegante que sentou no corredor.
Tentei relaxar ao máximo e esquecer que aquela criatura estava ali, mas minha impossibilidade de movimentar os braços não deixou.
Fiquei encolhido com a cara enfiada na janelinha do avião.
Bom, a viagem de Campinas para Porto Alegre não dura mais do que uma hora e meia e o cara nem tava fedendo.
Pelo menos externamente.
Não levou muito tempo para eu perceber que o cara tava podre por dentro.
De dez em dez minutos ele soltava aquele arroto silencioso e profundo.
Aquele que vem do âmago.
E um cheiro podre de almôndega com mortadela entrava pelas minhas narinas.
Tentei não me desesperar, mas aquele cheiro começou a me fazer mal.
E a situação piorou ainda mais depois do lanche.
O gordo começou a liberar flatos.
Foi então que me revoltei.
Se é guerra que ele quer, é guerra que eu vou dar.
Já estava me segurando fazia alguns minutos, pois eu também havia comido batata frita, amendoim e Coca Zero.
Ele soltava de um lado e eu soltava do outro.
Confesso que foi uma guerra disputada, mas tudo dentro da lei.
Coitado dos inocentes que estavam ao redor.
Mas são sempre os que mais sofrem durante combates violentos como esse.
Sorte que não caíram do teto as máscaras de oxigênio (ou azar).

(...)

Essa história que aconteceu comigo me lembrou Luiz Nei.
Sempre quando Luiz Nei era obrigado a fazer uma viagem mais longa de ônibus, além de comprar a sua passagem, ele comprava mais uma.
Exatamente o banco que estava ao seu lado.
Ou seja: Luiz Nei comprava janela e corredor.
Tudo para que nenhuma pessoa sentasse ao seu lado durante o trajeto.
Evitando problemas como este citado acima.
Em uma destas viagens, após o ônibus deixar a rodoviária, Luiz Nei percebe uma senhora caminhando pelo corredor do coletivo.
Ela se aproxima e pergunta já se sentando:
- Esse lugar está vago?
- Está, e vai continuar. Pode sair daqui.
Respondeu Luiz Nei com toda aquela educação e já empurrando a velhota.
Sem dúvida é uma ideia brilhante.

Queria ver se fosse uma modelo paraguaia.

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