24.12.10

Você conhece o Americana FL?

Passando o natal na cidade de Americana, no interior de São Paulo, aproveitei para conhecer mais a fundo o projeto do mais novo clube do Município e que está movimentando o futebol da região.

Desde outubro deste ano, o Guaratinguetá (de boas campanhas na primeira divisão do Campeonato Paulista e na Série B do Brasileirão) firmou parceria com a prefeitura da cidade de Americana transferindo toda sua administração e sede pra cá.
Sem o apoio da comunidade de Guaratinguetá, os responsáveis pelo clube não pensaram duas vezes em aceitar a proposta para criar o Americana Futebol LTDA.

Vendo o Rio Branco FC cada vez mais se afundar em dívidas e em problemas políticos, empresários de Americana viram na criação do novo time a oportunidade de investir em um projeto que parece propício a render frutos num futuro próximo.
Até o próprio estádio Décio Vitta, tradicional sede do Rio Branco, foi arrematado pela prefeitura, reformado e disponibilizado ao clube recém chegado.

O técnico do Americana FL é o velho Edinho, zagueiro do Grêmio campeão da Copa do Brasil de 1989.
A direção não poupa esforços para reforçar a equipe: Fumagalli foi contratado junto ao Vasco e o zagueiro Vinícius repatriado do Hannover da Alemanha.

A comunidade de Americana está ainda um pouco desconfiada com a novidade, mas a empresa responsável pelo time promete criar várias promoções para tentar atrair o público e transformar o novo clube na sensação do Paulistão 2011.
A parceria do Americana FL com a prefeitura da cidade é de 10 anos.
Tempo suficiente para avaliarmos os resultados.
Resta esperar para ver.

A propósito: ainda não existem camisas do Americana FL á disposição do torcedor, mas meu sogro já encomendou as minhas.

22.12.10

A mulher perfeita

Diz o ditado que “por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher”.
Muitos defendem que o correto seria: “AO LADO de um grande homem, sempre há uma grande mulher”.
Seja atrás ou ao lado, a verdade é que a mulher parece ser indispensável neste provérbio árabe.

O certo é que o sucesso de um homem depende sim da pessoa que ele tem ao seu lado.
O companheirismo, o respeito e, principalmente, a compreensão são fatores fundamentais para que o homem consiga seguir em frente.
Por outro lado, existem mulheres com o dom e a capacidade de puxar o homem pra baixo.
Sugam todas as suas forças, suas energias, fazendo com que não saiam do lugar.
Muitos se acomodam , se conformam, seguindo com suas vidinhas burocráticas.
Outros conseguem escapar do fundo do posso se segurando naquilo que tiver pela frente.

Sorte mesmo são aqueles homens que conseguem encontrar a mulher perfeita.
Aquelas que conseguem mesclar a beleza com a inteligência.
Que, ao lado de um homem, conseguem fazer com que ele pareça muito melhor do que verdadeiramente ele é.

Essa é a minha mulher.
Sim. Eu sou um cara de sorte.

Ainda assim, independente da mulher que você tenha ao seu lado (ou venha a ter), nunca se esqueça de uma coisa importante:
Todas elas terão TPM.

Ingresso para felicidade

Hoje, finalmente, botei as mãos no ingresso da partida entre Mazembe e Internacional pelo Mundial dos Emirados Árabes.

Talvez um dos mais marcantes da minha coleção.
O ingresso do maior vexame da história do futebol brasileiro.
Obrigado ao amigo Rafael Ughini, que lá estava torcendo pelo seu clube do coração, e que me deu de presente.

Tenho certeza que foi muito difícil pra ele conseguir trazer esta relíquia inteira até aqui.

Galera da Assessoria de Comunicação do Grêmio

20.12.10

O mau filho também à casa torna?

Sou suspeito para falar sobre Ronaldinho Gaúcho.
Muito mais que um grande jogador de futebol, uma grande pessoa e um amigo.
Conheci ainda menino, surgindo para o futebol.
Ficávamos horas no campo suplementar do Olímpico após os treinamentos.
Ele fazendo malabarismos com a bola e eu desafiando a inventar coisas novas.
Sempre que era indicado para participar de algum evento do clube fora do Olímpico, me convidava para acompanhar.
Na volta, uma tradicional parada no Drive Thru do McDonald´s.
Em 2005, essa amizade me rendeu a possibilidade de trabalhar com ele como assessor de imprensa no Brasil.
Prazer que tive até 2007, quando não foi possível mais conciliar os dois empregos (continuei aqui no Grêmio).

Até hoje vivo um sentimento conflitante com relação a tudo que aconteceu com ele e o Tricolor.
Vivi tudo bem de pertinho.
Desde a morte do pai, o irmão Roberto tomou conta da família.
A dor da tragédia e a possibilidade única de deixar para trás uma vida de dificuldades e privações fez a família se blindar como forma de proteção.
Não se pode condenar tal atitude.
Talvez fizesse a mesma coisa nesta situação.
Todo e qualquer assunto relacionado ao futebol fora de campo ficou por conta do irmão e empresário Roberto de Assis Moreira.
A única coisa que Ronaldinho deveria fazer em sua vida era jogar futebol com alegria, mais nada.
Esta “alienação” com relação ao que acontece ao redor praticamente transformou o atleta num fantoche nas mãos do irmão.
E assim foi no caso da saída de Ronaldinho para o PSG.
Muito dinheiro envolvido, a possibilidade de uma vida nova na Europa.
Tudo isso contou mais alto.
Mas vejam bem, não estou condenando nem jogador, nem a família.
Fica muito fácil criticar estando de fora, mas, como já disse: se estivesse no lugar deles, talvez fizesse a mesma coisa.

Seja como for, uma coisa eu posso afirmar: todos são apaixonados pelo Grêmio.
Não sei se Assis voltaria atrás se soubesse que sua decisão de levar Ronaldinho para a Europa fosse causar tamanha comoção junto à torcida do Grêmio.
Talvez sim.
Prefiro acreditar que ele não tinha a real dimensão do que seu gesto poderia acarretar.

Mas não dá pra chorar sobre o leite derramado.
O que passou, passou.
O Grêmio seguiu seu curso.
A entidade é muito maior do que um jogador.
O certo é que esse caso de amor ficou mal resolvido.
A ferida segue aberta.
O retorno de Ronaldinho ao clube que lhe projetou, ainda que não seja mais o que era no passado, seria como um pedido de desculpa.
Seria como uma reconciliação
Se isso é possível?
Não sei.
Mas, se não tentarmos, nunca saberemos.
Torço para que de certo e, assim como um conto de fadas, todos vivam felizes para sempre.

17.12.10

Humildade acima de tudo

Ainda sobre a derrota do nosso tradicional rival no Oriente Médio (denominada “O Maior Vexame da História do Futebol Brasileiro”), não consigo parar de pensar naquelas pessoas que embarcaram na manhã de terça-feira em voo fretado para Abu Dhabi.
Embarcaram horas antes do início da partida contra o Mazembe apenas para assistirem o time deles na final do Mundial contra a Internazionale.
Pelo menos era o que eles imaginavam.

É impressionante até que ponto pode chegar a soberba e a autoconfiança em excesso.
Nada justifica.
Ninguém, em sã consciência, correria um risco deste tamanho.
Praticamente abdicar de um jogo semifinal como se ele já estivesse jogado.
E o time tivesse ganhado.

Fico imaginando a reação daqueles aproximadamente 300 torcedores, que gastaram boa parte de suas economias para cruzar o mundo, no momento em que receberam o recado da derrota.
Será que receberam o aviso ainda no avião?
Na escala feita na Nigéria?
Ou será que descobriram no desembarque em Abu Dhabi, ainda no aeroporto?
Seja como for, neste momento eu gostaria de ser um camelo para poder ver de perto.

Este fato me faz lembrar algo parecido em 1989.
Disputando a semifinal da Libertadores contra o Olimpia, o Internacional venceu o primeiro jogo fora de casa por 1 a 0.
A decisão seria na semana seguinte, em Porto Alegre, com o time jogando pelo empate.
Certo da vitória, um amigo meu e seu pai compraram uma passagem para Medellin onde seria a final da competição, já que o Nacional havia obtido a classificação para a decisão.
Certos de que a final seria Nacional x Inter, os dois assistiram atônitos a derrota do colorado para o Olimpia em pelo Beira Rio, nas cobranças de penalidade.

Até hoje ele sofre por isso.
Aliás, esse mesmo amigo e seu pai estavam em Abu Dhabi.

Que sirva de lição.
O mundo seria bem melhor se as pessoas fossem mais humildes.

16.12.10

Pelota en la espalda

Não importa se somos lateral ou não.
O certo é que, um dia, todos nós tomaremos uma bola nas costas.

As vozes do Olímpico

Tenho 38 anos e ainda não formei uma opinião sobre vida após a morte.
Muitas vezes, tendo a não acreditar na existência de espíritos, alma penada ou qualquer outra definição para os mortos que supostamente andariam entre nós.
Porém, algumas situações me fazem refletir, e os acontecimentos claramente apontam a presença de alguma coisa (ou alguém) que não conseguimos ver.
Bom, pelo menos eu não consigo ver (ainda bem).
Tem gente que vê.

Meu amigo Luciano Rolla, por exemplo, diz já ter tido contato visual com mortos.
E o meu amigo Luciano Rolla é um cara centrado, sério.
Jamais brincaria com um assunto desses.
Pois este depoimento emocionado do Luciano é um destes acontecimentos que apontam a presença de alguma coisa (ou alguém) que não conseguimos ver.

Quais seriam os outros?
Meus 11 anos trabalhando no Estádio Olímpico trazem as respostas.

Você já sentou nas arquibancadas do Olímpico de madrugada? Sozinho?
Provavelmente não.
Até porque não te deixariam entrar.
Mas eu já cansei de sair daqui de madrugada.
E posso dizer que é uma experiência arrepiante.
Você é capaz de escutar o silêncio.
E se ficar sentado por alguns minutos, apenas escutando e observando as sombras, terá certeza absoluta de que não está sozinho.
É impressionante a energia e a sensação de que você está sendo observado.
Mas quem estaria comigo?
Pergunto apenas por perguntar, pois não quero saber a resposta.
Imagino que sejam torcedores.
Pessoas apaixonadas pelo Grêmio que já nos deixaram.
Jogadores, dirigentes, funcionários, torcedores anônimos que, de uma forma ou de outra, não conseguem se desligar dos amores da vida terrena.
Meu avô, quem sabe?
Antes de morrer, pediu para ser enterrado no Cemitério João XXIII num túmulo de frente para o Olímpico.
Na hora do enterro, descobriram que o túmulo comprado era pro outro lado.
Seja como for, pode ter certeza que quando você estiver vendo um jogo do Grêmio no Olímpico, você estará acompanhado por muitos outros apaixonados.
Muito mais do que seus olhos podem ver.
Meu amigo Humberto Gessinger disse que seu último livro fala sobre “As vozes do Olímpico”.
Em 1986 ele gravou um clip de madrugada, no centro do gramado do Olímpico e, provavelmente, sabe do que eu estou falando.

Não sei ainda se acredito ou não em vida após a morte.
Mas se realmente existir, fico tranquilo em saber que aqui no Olímpico estou cercado de amigos gremistas.
Espíritos de luz.
Mas, por favor, não apareçam.

Nem tu, vô.

15.12.10

Homenagem ao goleador do Mazembe




















Não entendeu?
Clique aqui

14.12.10

Sem palavras para descrever

Debruçado na janela do apartamento no 14º andar observava o movimento de saída do colégio que ficava na frente do prédio que eu morava.
Aperto no coração e dificuldade para segurar as lágrimas.
Ódio era o que eu sentia naquele momento.
E nada poderia fazer. Nada.
Sentimento de total impotência.

Nas cobranças de penalidade máxima, o Grêmio acabava de perder a final do Mundial para o Ajax, da Holanda.

Nas ruas, gremistas cabisbaixos buscavam retornar para suas casas ou para qualquer lugar onde houvesse um mínimo de consolo.
Em contrapartida, cruzavam por colorados eufóricos que, em nenhum momento, procuravam poupar ou respeita a dor alheia.
Muito pelo contrário, faziam questão de pisotear ainda mais sobre a ferida dilacerada.
Não era apenas uma derrota qualquer, como se fosse um Gre-Nal decidindo um Gauchão.
Era a chance do Grêmio se distanciar ainda mais em sua superioridade sobre o tradicional rival.
Uma vitória gremista àquela altura modificaria para sempre a história do futebol gaúcho.
Daria outro rumo ao que hoje conhecemos como “rivalidade Gre-Nal”.
Seria o divisor de águas.
E “eles” sabiam disso.
Sabiam da importância daquele jogo até para sua existência futura.
Aquela derrota doeu fundo na alma.
Ainda mais do jeito que foi.

Esperei aproximadamente seis horas desde o final do jogo desta tarde, entre Mazembe e Inter, pelo Mundial, para escrever alguma coisa neste blog.

Já li todos os sites, vi todos os programas.
Pensei, repensei.
Gargalhei.
E não achei palavras para descrever o que ocorreu lá pelas bandas do Golfo Pérsico.

Talvez o maior vexame da história do futebol recente no Brasil?
Provavelmente, sim.

Não tenho sentimento de revanchismo dentro de mim, mas logo após o jogo, aquele distante 1995 me veio à mente.
Assim como tudo que passei.
Tenho vários amigos que pagaram aproximadamente R$ 10 mil para irem ao Oriente Médio.
Compraram camisetas, turbantes, bandeiras.
Passaram quase um dia dentro de um avião.
Estes mesmos que torceram desesperadamente para o Goiás contra o Independiente na quarta-feira passada.
Lembram?
Pois é.
Eles estavam lá.
Curtindo do bom e do melhor.
Hotel sete estrelas.
Zero Hora na porta do quarto.
Radinho de pilha “de grátis”.
Essas coisas que nós acompanhamos daqui pela imprensa imparcial do Rio Grande do Sul.

Pra esse pessoal, só tenho uma coisa pra dizer.
E peço licença ao meu amigo Diego, argentino como D´Alessandro e Guiñazu:

- Que la chupen y sigan chupando!



Ps. A foto que ilustra a abertura deste texto pode não ter muito a ver, mas foi tirada minutos depois do término da partida entre Mazembe e Inter. Estava deixando a minha sala de trabalho, rumo à glória.Precisava desse registro para sempre.

Ah! Antes que eu me esqueça!
Eu avisei!

13.12.10

O cu e seu desfecho

Durante o final de semana, fui parado nas ruas de Porto Alegre por centenas de pessoas.
Minha caixa de e-mail superlotou.
Todos querendo saber o desfecho do meu último post.
Afinal: como teria sido o tal exame de colonoscopia?
Bom, vou matar a curiosidade de vocês, meus ávidos leitores.

Pois depois de passar dois dias levando o Tinga pra brincar no toboágua, eis que meu intestino finalmente ficou limpo.
E lá fui eu rumo ao hospital Moinhos de Vento.
Após todos os procedimentos, já na sala de cirurgia, me disse o anestesista: “vou te dar uma leve picada aqui no braço e tu vai sentir uma leve bobeira. Não te preocupa”.
Imediatamente observei ao redor para ver se o médico não era o Roger Abdelmassih.
Mas não deu tempo.
A anestesia pegou forte.
Cheguei a sonhar.
Sonhei que o Bob Esponja me perseguia querendo esmagar um potinho de suco que estava tomando.
É sério.
A verdade é que dormi durante todo o exame.
Não vi nada, não senti nada.
Tudo pode ter acontecido naquela sala.
Nunca saberei.

Duas horas depois, acordei sozinho, em um quarto silencioso, à meia luz.
Ao lado da cabeceira da cama, uma nota de 50 reais.

10.12.10

O cu

É o cu um orifício misterioso, não é mesmo?
Não apenas por tudo que ele representa na sociedade, mas pelo simples fato de termos pouco contato com ele.
Não há no corpo humano um local tão importante com o qual não possuímos contato visual.
Sendo assim, o cu torna-se uma incógnita.
Já viu seu cu ao vivo?
Difícil, né?
Praticamente impossível.
A menos que você seja um contorcionista, você nunca verá seu cu de verdade.
Aí você vai dizer que já viu através de um espelho.
Pode até ser, mas não é o seu cu real.
É apenas um reflexo dele.

Pois não é que meu cu resolveu dar o ar da graça.
E foi por meio de uma fístula.
Sabe o que é uma fístula?
Pois é. Eu também não sabia.
E não sou eu que vou te explicar.
A única coisa que posso dizer é que esta tal de fístula me obrigou a fazer uma colonoscopia.
Colonoscopia você sabe o que é, não sabe?
Eu até sabia o que era, e até por saber nunca procurei maiores detalhes.
Não me agradava ter uma câmera introduzida em um local onde as coisas apenas saem.
Mas não tive opção.
Tudo pela segurança da minha saúde.


O cu - Parte II (desespero)

Para fazer a colonoscopia, é necessário a limpeza total do intestino.
E como isso é feito?
Pela ingestão de laxante na véspera e no dia do exame.
Nunca havia tomado laxante na minha vida.
Até porque nunca precisei.
Meu intestino sempre trabalhou perfeitamente.
Após tomar o laxante pela manhã, saí normalmente para trabalhar.
Nenhum efeito.
Eu sabia! Comigo não ia funcionar.
Passei tranquilo a manhã toda.
Almocei normalmente, voltei para trabalhar, segui a vida normal.
No final do meu expediente, decidi dar uma passada na associação dos funcionários para ver uma feira de aparelhos eletrônicos para vender.
Foi chegando lá que começaram os primeiros sinais de revertério.
“Opa!”, pensei com meus botões, “a coisa vai ser séria”.
Imediatamente, percebi que deveria ir embora naquele exato momento.
Preferi acreditar no meu autocontrole e deixei para resolver o problema em casa.
Já no carro, virando a segunda esquina, notei que a situação estava se tornando crítica.
O que fazer?
Voltar pro trabalho e procurar o banheiro mais próximo ou seguir até em casa?
Optei pela segunda alternativa.
Voltando ao trabalho ainda correria o risco de pegar um banheiro sem papel, ou com a porta fechada. Além de não saber ao certo quanto tempo teria que ficar dentro dele.
Resolvi acelerar, pois senti que as coisas poderiam tomar um rumo sem volta.
Meti 190 Km/h na avenida Ipiranga, costurando o trânsito.
Estômago fervilhando.
O suor escorrendo pelo rosto.
O carro para no sinal.
“Que merda de ar-condicionado que resolve estragar justo nesse momento”, esbravejei!
Mas o ar-condicionado estava funcionando e ligado no máximo.
Continuava suando.
Luz verde demorando uma eternidade pra aparecer.
Arranco desesperado.
Mais na frente um caminhão e uma Brasília se arrastando fechando a pista.
Dedo na buzina!
Berro pela janela: “SAI DA FRENTE, CARALEO!”
"Ultrapasso pela calçada?", pensei.
Seria uma cagada bem menor do que a que eu estava prestes a fazer.
Já na avenida Guilherme Alves, passando pelo Bourbon Ipiranga, o velocímetro marca 170 Km/h.
Estou perto de casa.
Mas ainda tem o último e derradeiro semáforo.
É na Guilherme Alves com a rua Felizardo.
Depois dele, mais nenhum até chegar em casa.
De longe vejo que ele está aberto.
Acelero ao máximo.
Seco o suor dos olhos.
E quando estou chegando perto o que acontece?
Sim, você sabe o que acontece.
O sinal fecha.
Pisei no freio graças ao extinto de sobrevivência.
Se não fizesse isso, provavelmente morreria ali mesmo e todo cagado.
E não era o que eu queria naquele momento para o meu futuro.
Fiquei ali paradinho.
Com as duas mãos quase arrancando o volante, perdi os sentidos por alguns instantes.
Foi nessa hora que eu vi Jesus.
Um facho de luz inundou o carro e ele surgiu carregando um rolo de papel higiênico.
Pedi clemência e forças para suportar.
Quando recobrei a consciência já estava sentado no vaso, no meu banheiro, na minha casa.
Ao lado, uma TV portátil e pilhas de livros.
Por ali ficaria por algumas horas.

Agradeci ao pai e aprendi uma lição muito importante:

Jamais menospreze o efeito de um laxante.

9.12.10

Imprensa vermelha?

Achei sensacional esta iniciativa da RBS em disponibilizar 3 mil rádios receptores para os torcedores do Internacional em Abu Dhabi poderem acompanhar os jogos do Mundial com som local da Rádio Gaúcha.
Além disso, o jornal Zero Hora do dia será distribuído na porta de 5 mil torcedores hospedados em 24 hotéis em Abu Dhabi e Dubai.

Ora, isso é extraordinário!

Quando poderíamos imaginar que um dia chegaríamos a este ponto?
É impressionante!

Compreendo o lado do torcedor gremista em chamar a RBS de colorada.
Também sou um torcedor.
Faz parte da rivalidade histórica.
Mas sejamos sensatos, só um pouquinho.
Vamos deixar a emoção e o fanatismo de lado.
Até já escrevi um post, não faz muito tempo, sobre “fanatismo”.
Preciso dar o braço a torcer e enaltecer essa iniciativa.
Imagina se fôssemos nós que estivéssemos lá?
Acha que a RBS não faria a mesma coisa?
Claro que sim!
Eu estava naquele voo para Medellin em 1995 e me recordo do ódio dos colorados com a empresa.
Faz parte.
Mas de nada adianta ficar com raiva e culpar a RBS.
Ela está no papel dela. E sabe muito bem como fazer.

Não tenho dúvida que, em breve, estaremos passando por isso.
E serei o primeiro a agradecer quando receber minha ZH na porta do quarto e meu rádio receptor na entrada do estádio.

Afinal, o pessoal da RBS é tudo uma grande família, que visa o lucro, mas isso não é o mais importante.

Libertadores 2011

Foi com requintes de crueldade que o Grêmio obteve sua classificação para a Copa Libertadores da América de 2011.
Não sei se o fato de o time não estar diretamente participando dessa decisão foi melhor ou pior.
Talvez tenha sido melhor, pois do jeito que foi, o coração velho não aguentaria.
Foi uma daquelas noites para matar secador.
Ficar até uma e meia da manhã acordado esperando, sem poder fazer nada.
Mas eu estava confiante.
A partir do momento em que o PACTO terminou, no dia 26/11, eu sabia que as coisas dariam certo.
Tanto tinha certeza que já estava com duas matérias prontas para colocar no site do Grêmio contando a história desta vaga.
Bom, agora que deixaram entrar, ninguém segura mais.
Vamos com tudo para a Libertadores.
O primeiro adversário é o Liverpool do Uruguai.
Primeiro jogo em Montevidéu e decisão no Olímpico.
Valeu a secação!
Fazia tempo que não dava certo.

8.12.10

O futuro do Grêmio passa por Avellaneda

O futuro do Grêmio passa por Avellaneda esta noite.
Pode parecer exagerado, mas considero o jogo entre Independiente e Goiás de fundamental importância para as pretensões do Clube nos próximos anos pré-Arena.

A vaga para uma Copa Libertadores de América neste momento, mais do que recuperar um pouco do prestígio perdido, injeta um aporte financeiro indispensável para a manutenção da instituição como um todo. E não falando somente em jogadores, e sim pensando no quadro funcional e estrutural.
Tem ainda o resgate do orgulho da nossa torcida, que observa com aflição o tradicional rival às portas de outro título Mundial.
A Libertadores de 2011 seria a oportunidade imediata para darmos o troco.

Infelizmente, o destino do Grêmio não está em nossas mãos.
Muito pelo contrário, está muito longe delas.
Estamos dependendo de uma equipe argentina que usa camisa vermelha.

Uma destas deliciosas ironias que só o futebol é capaz de proporcionar.

E eles não estão nem aí pra nós, pois são independientes até no nome.
O primeiro jogo em Goiânia arrefeceu um pouco as nossas esperanças.
Pelo menos as minhas esperanças.
Vi um Independiente pífio, milhares de quilômetros distante daquele time Rei de Copas que soubemos admirar e reverenciar no século passado.
Longe daquele Independiente que matou o Grêmio aqui no Olímpico numa final de Libertadores em 1984.
Muito longe disso.

Mas não nos resta muita coisa a fazer a não ser sentar na frente da TV (A RBS transmite ao vivo depois da novela) e rezar.
Mas rezar com todas as forças.
Rezar para os deuses do futebol que tão bem conhecemos.

Quem sabe os DEUSES possam dar uma mãozinha para “Los DIABLOS” transformando Avellaneda em um inferno?

Seria apenas mais uma destas deliciosas ironias que só o futebol é capaz de proporcionar.

6.12.10

Rescaldo de 2010

Foram 75 jogos no ano de 2010.
Finalmente terminou.
Nem acredito que terei um final de semana livre.
Foram raros neste ano.
Bom, tivemos um mês de paralização por causa da Copa do Mundo, é verdade.
Não dá pra reclamar.
Mas nem estou reclamando.
Adoro esse trabalho!
Entre mortos e feridos, sou obrigado a dizer (com prazer) que o Grêmio se salvou.
Conquistamos um Campeonato Gaúcho.
Fizemos uma grande campanha no segundo turno do Campeonato Brasileiro.
Aliás, terminamos o ano na ponta dos cascos.
Acho até que se tivéssemos um Mundial pela frente, levaríamos o título tranquilamente contra qualquer time europeu que está caindo pelas tabelas.
Independiente do que ocorra na quarta-feira pela Sul-Americana, o Grêmio termina 2010 em alta.
Melhor ataque da competição.
Jonas como goleador.
Campeão do segundo turno...
Pena que a reação não veio um pouco antes.
Mas não adianta chorar o leite derramado.
Foi como tinha que ter sido.
Podia ter sido bem pior, e hoje estaríamos amargando uma posição intermediária, ou até um... bom, deixa pra lá.

A administração do presidente Duda kroeff foi excelente.
Muito fácil criticar olhando de fora sem vivenciar o dia-a-dia do Clube e tudo que acontece nos bastidores.
Querendo fazer certas coisas e não conseguindo por “ene” motivos.
Querendo fazer coisas certas e não conseguindo por “ene” motivos.
Bom, mas não cabe a mim tratar esse tipo de assunto por aqui.
Sou daqueles que acreditam que todos são gremistas e querem o bem do Grêmio..
O que eu queria era parabenizar o presidente Duda Kroeff e toda a administração.
Grande trabalho dos jovens Alberto Guerra e o Rui Costa.
O primeiro um amigão de infância, colega de colégio.
Muito futebol jogamos junto (muito ele aprendeu comigo).
Não posso esquecer o Cesar Pacheco e o Caco Keller, que muito me apoiaram em momentos de dificuldade depositando confiança no meu trabalho.
Sou grato a eles por isso.
Não dá pra citar nomes sem esquecer alguém, portanto vou deixar assim.

Lógico que erros aconteceram.
Meus e de todo mundo.
Não tem como negar.
Mas eles sempre acontecem e continuarão acontecendo independente da administração que estiver no comando.
Ninguém aqui erra de propósito.
Muito pelo contrário, os erros ocorrem na tentativa de acertar.
Não conheço ninguém tão gremista como o Duda Kroeff.
Toda uma história dentro do Clube passada de pai pra filho.
Me identifico perfeitamente com ele, porque nossa história é parecida, guardada as devidas proporções.
Na verdade, a histórias dos gremistas são parecidas.

Agora vem o Paulo Odone, que já mostrou ser uma grande presidente.
Um grande carisma junto ao torcedor e um trabalho que fez por merecer.
Vem cercado por pessoas competentes, com uma visão administrativa moderna e com o objetivo de alavancar ainda mais o Clube.
Ele tem estrela.

Vamos aguardar as novidades.
Espero poder continuar fazendo parte desta família, colocando no meu trabalho todo o sentimento e todo o amor que sinto pelo Grêmio.
Não sou um cara vaidoso.
Não tenho necessidade de aparecer.
Se sofresse desse mal, talvez muita coisa fosse diferente na minha vida.
O que quero mesmo é seguir fazendo o meu trabalho com dedicação, sem exigir nada em troca.
O maior retorno é me reconhecerem como um grande gremista.
Isso sim, eu exijo.

1.12.10

Um repórter fotográfico no campo de batalha

Convivemos diariamente com o Wesley Santos aqui no Grêmio.
É um baita repórter fotográfico free-lancer que volta e meia está acompanhando grandes jogos de futebol e outros eventos de interesse mundial.
Paulista de Santo André, tem o defeito de torcer pelo Corinthians.
Dos tantos eventos que costuma acompanhar, Wesley esteve presente nas ações de guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro no último final de semana.
Contratado por uma agência, Wesley desembarcou na capital carioca direto para a Vila Cruzeiro.
De favela em favela, permaneceu com sua Canon Mark 3 sempre apontada para onde estava a ação, colhendo as melhores imagens da batalha.
De volta a Porto Alegre, conversei com ele aqui mesmo na sala da assessoria quando contou um pouco desta “aventura”:

__________________

Márcio: Vamos começar pelo começo. Como se deu tua ida para o Rio de Janeiro?
Wesley: Fui contratado por uma agência de notícias (Press Digital) que centraliza fotos no Rio de Janeiro e São Paulo. Eles sabiam da minha condição de free-lancer e me fizeram a proposta deste trabalho. Aceitei na hora.

M.: Mas pelo menos te meteram no hotel?
W.: Até tinha um hotel, mas cheguei e fui direto para onde as coisas estavam acontecendo. Como havia a possibilidade de invasão na madrugada, passei duas noites em claro, usando apenas as instalações de um carro de apoio da Globo Rio.

M.: O que tinha nesse caro de apoio?
W.: Era uma unidade móvel da Globo, com ar-condicionado e água. Sempre que a Globo entrava ao vivo, era com o apoio deste carro. Apenas pedi um favor pra eles para poder ligar uma tomada e eles me acolheram na parceria.

M.: Tem muita parceria nesses momentos ou esse foi um caso isolado?
W.: Tenho muita facilidade para fazer amizades em qualquer lugar que vou. Seja no Brasil, seja na Argentina ou no Chile, aonde já trabalhei. Além da possibilidade de utilizar esse carro de apoio, ainda me conseguiram um colete balístico que utilizei durante todo este tempo que estive lá.

M.: Imagino que você teve que disputar espaço com uma quantidade absurda jornalistas em geral.
W.: É verdade. Teve disputa de espaço, de local. Mas tudo dentro da normalidade. Tinha muita imprensa. Essas que normalmente cobrem guerras estavam todas lá como a Al Jazeera, CNN, emissoras da Itália, Portugal. Todas as agências de fotografias do mundo: AFP, AP, Reuters e EFE, além de todas aqui do Brasil também.
Tu viu a minha foto na capa da Zero Hora de segunda-feira? Aquela da bandeira no topo? É minha!


M.: Eu ia te perguntar sobre isso. Deve ser um orgulho, né? A recompensa do trabalho.
W.: Exato. Até estava falando com a minha namorada hoje de manhã: fora a questão de portfólio e de grana, a foto na capa da Zero Hora foi o maior troféu que podia ter recebido. Porque eu já trabalhei lá dentro e sei como eles escolhem uma foto pra ser capa. Sei de todos os critérios que eles utilizam. A Zero Hora tem acesso às fotos de todas as grandes agências e pra terem escolhido essa minha é porque realmente era “A Foto”. Foi um troféu.

M.: Então conta a história dessa foto.
W.: Estávamos lá no alto do teleférico, eu e mais 50 fotógrafos lado a lado, na mesma posição. Lógico que todas as fotos seriam iguais. Então caminhei 50 metros pra esquerda e consegui um ângulo que ninguém tinha feito. Fugi daquele lugar exatamente pra ter o diferencial.

M.: Te vi várias vezes na TV. No Jornal Nacional, na Globo News, no Fantástico. Foi alguma tática pra mostrar pra família em casa que tu estavas bem ou foi por acaso, porque tu estavas no lugar certo?
W.: Foi pura coincidência. A gente está lá no meio dessa guerra e se desliga de tudo que tem ao redor. É como no Big Brother: no primeiro dia o cara se preocupa com a Cãmera, no segundo também, mas no terceiro dia não está mais nem aí pra ela. Ficamos focados no trabalho, esquecemos de tudo. Nem nos damos conta se tem uma câmera apontada pra gente, se estão ao vivo ou gravando.

M.: Me conta um pouco dessa experiência em si. Já imaginava em viver algo desse tipo?
W.: Engraçado. No início do ano, ao saber que eu não participaria do rali Dacar deste ano, coloquei uma frase no meu Facebook que dizia do meu desejo em ir para o Afeganistão ou para o Morro do Alemão. Coloquei esse projeto no meu Facebook em março. Se tu quiser até posso tentar achar pra te mostrar. Sempre foi um objetivo entrar no Morro do Alemão, mas não nessas circunstâncias. Queria algo mais investigativo, na tocaia. A verdade é que sempre tive esse plano.

M.: Então me conta como foi essa experiência. Sentiu medo? Quais os momentos que tu podes destacar?
W.: Um ponto que eu destaco foi na sexta-feira, às 15h. Subi a Vila Cruzeiro com o pessoal do CORE. Tava tudo na paz, bem tranquilo e de repente começou um tiroteio. Mas era tiro e tiro, sem parar. Era eu e apenas 15 agentes. Ficamos literalmente com a cara enfiada na areia durante 40 minutos até que chegaram mais de 100 homens. De helicóptero e por terra para nos resgatar e dar apoio.

M.: Nessa hora tu te cagou perna abaixo?
W.: Fiquei preocupado. Na hora a pessoa congela. Cada um tem sua característica. Eu não fico feliz, nem triste. Fico frio. Só depois de duas horas, quando tudo já passou é que a ficha cai.
Outro ponto pra destacar foi na invasão ao Morro do Alemão. Exatamente às 8h de domingo, pontualmente. Vi que tinha uma entrada onde estava toda a imprensa reunida. Desci uns três quarteirões e peguei uma rua lateral. Subi com o pessoal. Ia protegido atrás de um blindado da marinha que subiu atirando, sem parar.


M.: Então valeu a pena?
W.: Sem dúvida. Faria tudo de novo. Existe a possibilidade de fazerem a mesma ação na Rocinha e já estou escalado. A agência que me contratou ficou super satisfeita com o material que eu mandei. Já recebi várias propostas de outras agências para trabalhar fixo, mas vou continuar com eles.

M.: Eu queria a tua opinião sobre toda essa ação e a retomada pela polícia do Morro do Alemão.
W.: Conversando com o pessoal, com os moradores, comerciantes, todos dizem que foi uma ação diferente de todas as outras que a polícia já fez e que não deram certo. Acham que agora é pra valer e que vão conseguir limpar a área. A comunidade respeitou e apoiou porque dessa vez viram que era sério. Nós passávamos por becos com 20 ou 30 moradores e todos aplaudiam a passagem dos policiais. Deu pra ver que a ação estava no caminho certo.

M.: Só mais uma pra terminar: no teu twitter, tu colocaste que os bandidos são marqueteiros. Que bastava a Globo entrar ao vivo na programação que eles começavam a mandar bala. É verdade? Como foi?
W.: É verdade! Foi na entrada da favela da Grota, no Complexo do Alemão. Sempre que a Globo entrava ao vivo, eles mandavam bala. Até que um dos diretores da emissora descobriu e mandou suspender todas as entradas ao vivo.

Se quiser saber mais sobre o Wesley Santos, pode dar uma olhada no blog dele aqui 

30.11.10

Barcelona 5 x 0 Real Madrid - 17 anos depois

Estava vendo agora os melhores lances do clássico entre Barcelona e Real Madrid que não tive a oportunidade de assistir ontem.
Aliás, antes de ver os lances, não sabia o resultado da partida.
Um 5 a 0 sensacional para os donos da casa comandados por Messi.

Imediatamente lembrei do primeiro clássico que assisti no Camp Nou, estádio do Barcelona (foto acima).
Foi em 1993, meu irmão e eu chegamos em Barcelona com o único objetivo de ver esta partida. Chegamos na véspera e sem ingresso.
Deixamos nossas mochilas em um albergue e corremos para o estádio pra ver se conseguíamos alguma coisa, nem que tivéssemos que comprar de cambistas.
Depois de muita luta e de enfrentar uma fila gigantesca, conseguimos um par de bilhetes na parte mais alta do estádio.
Não importava o lugar. Estar lá dentro já era um sonho.
Na época em que morei em Madrid, tive a oportunidade de assistir um clássico entre as duas equipes, mas no Santiago Bernabeu, estádio do Real Madrid.
Foi um dos jogos mais emocionantes da minha vida.
Não só pela rivalidade e pela atmosfera de clássico que toma conta da cidade, mas também pelo resultado impressionante de 5 a 0 para o Barça, com atuação única de Romário, o grande ídolo do momento.
Estar ali ao lado do meu irmão e poder fazer parte deste momento histórico, é uma coisa que não tem preço.

Felizmente existe o Youtube que possibilita o resgate destas imagens espetaculares.

No vídeo abaixo, a curiosidade é ver os mesmos gols transmitidos pela TV de Barcelona e pela TV de Madrid, deixando claro a rivalidade entre as duas cidades e a parcialidade de cada transmissão.

Clique no play e boa diversão

Fanatismo

O Wikipédia define fanatismo como sendo “o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema”.
Dentro desta definição, destaque para a expressão “irracional”.
Sem dúvida, ela faz toda a diferença.
Existem milhares de exemplos por aí de fanatismo no futebol.
Onde o ódio passa a fazer parte do sentimento.
Onde atos irracionais acabam trazendo consequências muitas vezes irreversíveis.
Trabalhando há 20 anos com futebol, vivendo em constante contato com torcidas e com um mínimo conhecimento das relações humanas, já me deparei com diversos casos deprimentes que fazem pensar.

E ontem me peguei pensando até que ponto o fanatismo faz parte da minha vida e até que ponto posso me considerar um fanático.
Estou falando especificamente sobre o sentimento pelo Grêmio, é lógico.
Não foram raras as vezes que lendo o obituário da Zero Hora me deparei com um anúncio de falecimento com o escudo do Internacional e pensei: “menos um”.
Lógico que não fico feliz pela morte da pessoa, mas já que ela morreu mesmo e não há mais nada que se possa fazer, que pelo menos ela seja torcedora do Inter.
Já cansei de olhar as pessoas com outros olhos ao saber que torciam pelo Internacional.
Deixei de escutar as músicas da banda “Nenhum de Nós” tendo em vista sua grande identificação com o clube do Beira Rio.
Não leio Luiz Fernando Veríssimo por sua preferência clubística.
Não assisto aos espetáculos do “colorado” Zé Victor Castiel.
E coisas desse tipo.
Sei que é ridículo, imaturo e preconceituoso.
Mas faz parte do meu ser.
E vou dizer uma coisa: poderia ser muito pior.
Felizmente, meu grau de ”fanatismo” ainda consegue discernir o bem do mal, o certo do errado.
Sendo assim, não me encaixo na definição de “fanático”.
O quer seria esse sentimento então?
Existe uma definição?
Não há “mais” fanático e “menos” fanático.
O fanatismo já é o extremo.
Visto camisa vermelha.
Tenho amigos colorados com quem discuto futebol em alto nível.
Não fico irritado com gozações quando o Grêmio perde.
Respondo na mesma moeda e com criatividade.
Prefiro me definir como um “apaixonado”.

Mas sei também que paixão e loucura andam lado a lado.
E tudo pode mudar.
Seja como for, continuarei sem assistir aos espetáculos do Castiel.

26.11.10

26/11/2005 - valeu a pena

Finalmente chegou o dia.
Finalmente o pacto terminou.
Foram longos e dolorosos cinco anos de angústia e sofrimento.
O preço que tivemos que pagar.
Não me arrependo.
Valeu a pena.

O que falar sobre a Batalha dos Aflitos que ainda não foi dito?
Qual história contar que ainda não foi contada?
Não há gremista nesse planeta que não se recorde com detalhes aquele 26/11/2005.
Pensei em escrever sobre como foi o meu dia.
Contar que estava aqui no Olímpico trabalhando.
Que não tive condições emocionais de fazer o texto para o site oficial.
Podia tentar descrever a emoção daquele momento.
Podia dizer que chorei.
Mas tudo isso seria chover no molhado.
Sendo assim, decidi reproduzir um texto escrito por mim alguns dias depois daquele jogo.
Pra mostrar que, só mesmo com a presença Dele nas arquibancadas dos Aflitos, o Grêmio conseguiria fazer o que fez:

PÉ QUENTE EM RECIFE:

Já havia decidido. Não adiantava tentar fazer com que eu voltasse atrás. Eu sei que tenho muito trabalho mas estava em dívida com o meu time do coração. Há mais de dois anos que eu não aparecia e esse era o momento certo. Além do mais, não poderia deixar de atender a tantos pedidos.
Achei minha camisa no fundo do armário. Não é a nova, mas trás boas recordações. Estava com ela naquele jogo contra o Corinthians, no Morumbi, na final da Copa do Brasil de 2001. Lembra? Aliás, aquele foi meu último jogo.
Dia de sol e calor em Recife. Com aquelas praias lindas, não resisti a um bom banho de mar pela manhã. Realmente eu tinha feito um ótimo trabalho.
Cheguei cedo aos Aflitos. Estádio pequeno, acanhado. Muito pior que o estádio da Ilha do Retiro, do Sport, que conheci no primeiro jogo da final da Copa do Brasil de 1989. Nos colocaram em um cantinho, atrás do gol, à direita do pavilhão. Estádio lotado, pressão de todas as partes. O jogo começou tenso. O time nervoso em campo, a torcida nervosa na arquibancada. Lance de perigo na área gremista e explosão da torcida adversária. Atônito, perguntei para um cara sem camisa ao meu lado que estava com um radinho na orelha:
- O que houve?
Ele resmungou:
- Pênalti.
O árbitro havia marcado penalidade máxima contra o Grêmio.
Prontamente falei:
- Não esquenta, vai errar.
Estiquei o pescoço para tentar ver a cobrança. O chute foi forte mas a bola estourou no poste. Delírio da torcida gremista que comemorou como se fosse um gol. O cara com o radinho na orelha pulou no meu cangote e gritava: “Tu é mago! Tu é mago!”.
Depois do pênalti perdido, o Náutico ainda teve duas grandes chances. Galatto salvou.
Estes talvez tenham sido os melhores lances da primeira etapa.
Me surpreendi com a qualidade desse jovem goleiro gremista.


Antes do início do segundo tempo, perguntei para o cara do radinho:
- Por que o Ricardinho não voltou?
- Sei lá, foi a resposta.
Lamentei por ter esquecido meu rádio.
- E quem é aquele alemãozinho? Perguntei já me dirigindo para outros torcedores. O gorducho de boné respondeu sem tirar os olhos do gramado:
- É o Lucas. Sobrinho do Leivinha.
Realmente eu precisava me atualizar mais.


O Náutico voltou determinado a vencer o jogo. O Grêmio recuou tentando manter o empate que dava a classificação.A cada gol perdido pela Portuguesa que jogava contra o Santa Cruz na outra partida, o cara do radinho soltava um palavrão. Achei interessante conhecer alguns xingamentos típicos do nordeste.
Aos 15 minutos, o técnico gremista colocou o Anderson em campo. Finalmente poderia ver ao vivo aquele menino de quem falavam maravilhas. Na frente de Galatto, o atacante Kuki perdeu um gol incrível. Essa eu tirei com os olhos!
Os donos da casa tentam mais um ataque pela direita. A bola bate na mão de Escalona que é expulso.
A apreensão está estampada na cara de cada gremista.
Dois minutos depois, o árbitro não marca uma penalidade sobre um atacante pernambucano.
O gordo de boné tira os olhos do gramado pela primeira vez e sussurra baixinho em minha direção tapando a boca com as mãos talvez para que o árbitro não escutasse:
- Foi.
Eu respondi:
- Foi, mas ele não deu.
Não deu aquele. Mas não demorou muito para prevalecer a lei da compensação. Num lance rápido, lá do outro lado da área, uma suposta mão na bola do Nunes. Ele deu pênalti. Bateu o desespero. Dirigentes invadindo o campo, jogadores pressionando o árbitro. Deu até vontade de intervir mas prometi que ia me conter.
Nunes, Patrício e Domingos expulsos na confusão. Só sete jogadores em campo contra 11 do Náutico. O gordo de boné sentou pela primeira vez e ali ficou. Olhando pro chão tentando acertar cascas de amendoim dentro de um copo de refrigerante cheio de xixi. O cara do radinho tentava enfiar o aparelho dentro do ouvido para ver se escutava o nome de quem havia sido expulso e quantos eram.
Depois de quase meia hora de bola parada, o lateral do Náutico ajeitou na marca da cal para fazer a cobrança.
No segundo degrau da arquibancada, um jovem torcedor identificado com a Alma Castelhana se virou, olhou em minha direção e gritou:
- Faz alguma coisa!
Mas “fazer o que?” pensei.
Quando o jogador partiu pra bola, escutei alguém dizer as minhas costas:
- Não esquenta, vai errar.
Galatto se atirou para o canto esquerdo e defendeu com as pernas.
Incrível a loucura que tomou conta dos torcedores gremistas. Muitos corriam pra cima e pra baixo sem saber o que fazer. O cara do radinho tentava recuperar as pilhas que haviam caído e dizia:
- Espera cobrar o escanteio. Espera cobrar o escanteio.
Olhei para trás em busca do dono daquela voz que havia repetido as minhas proféticas palavras do primeiro pênalti.
Tentando se esconder atrás do gordo de boné, lá estava ele.
- Só podia ser você! Exclamei sorrindo.
Eurico Lara desceu dois degraus e veio em minha direção.
- Oi Mestre, o pessoal lá de cima disse que eu ia te encontrar aqui - Falou me abraçando e completou - O que achou da defesa? Perguntou com um sorriso maroto de quem acaba de fazer arte.
- Tu não tem jeito mesmo, suspirei.
A apreensão era tanta que a torcida gremista passou a acompanhar o desfecho final em completo silêncio.
- Vai ser difícil agüentar a pressão com apenas seis jogadores na linha, disse Lara me olhando de canto de olho para ver a minha reação.
Devolvi a olhada e caí na gargalhada quando ele deu aquela balançada de sobrancelha como se estivesse perguntando “Tá. E aí? Vai ficar nisso?”.
- Não posso, lamentei.
Ele me olhou e apelou:
- O Senhor está me devendo essa desde aquele jogo contra o Ajax em 95 que não quis que a gente fosse.
O cara do radinho me olhou. Olhei pra ele, olhei pro Lara. Suspirei:
- Tá bom, tá bom. Deixa esse finalzinho comigo.
Anderson desceu com a bola pela esquerda e foi derrubado na frente do banco de reservas tricolor. Cartão vermelho para o zagueirão pernambucano.
Abatidos pela penalidade perdida e com pouco tempo para tentar um gol, os jogadores do Náutico não se deram conta quando a falta foi batida com rapidez. Em velocidade, Anderson passou por dois e largou a bola no fundo das redes.
Grêmio 1 a 0!
Nova loucura nas arquibancadas. O espacinho destinado ao torcedor gremista ficou pequeno para tamanha festa. Nessa hora, o cara do radinho já havia rolado até o alambrado e, com as costas esfoladas, estava abraçado ao policial militar que tentava se desvencilhar.
Olhei pro Lara e disse:
- Gostou? Grande vitória, né?
Com o espanto na cara, balançou a cabeça positivamente.
- Graças a Deus. Graças a Deus.
Com a missão cumprida já não restava mais nada a fazer ali e ainda tinha muito trabalho acumulado para resolver.
- Vamos comigo? Perguntei.
- Ainda não. Vou dar um pulo lá no Sul para ver como está a festa.
- Então faz um favor. Antes de subir, passa ali no Olímpico e me compra uma camisa nova da Puma. Depois a gente acerta.

25.11.10

O gostinho da Imortalidade

Futebol é engraçado.
E muitos anos vivendo intensamente o esporte, não só como torcedor, mas também como profissional do jornalismo, nos faz deparar com situações inusitadas e extraordinárias.
Talvez seja o futebol o único esporte a nos proporcionar situações como esta.
Da tristeza a euforia em segundos.
Do amor ao ódio em apenas um lance.
Onde o vilão se torna herói.
Onde o mais fraco vence o mais forte com requintes de crueldade.
Assim é o futebol, meus amigos.
Quando achamos que já vimos tudo, eis que inacreditável bate à porta.
Não deveria me surpreender mais com esse tipo de coisa, afinal, sou torcedor do Grêmio.
E ninguém mais do que o Grêmio é capaz de criar situações beirando a tragicidade e conseguir fugir delas quando ninguém mais espera.

A experiência em estar presente na reversão do irreversível nos traz o feeling que antevê os acontecimentos.
No jogo entre Palmeiras e Goiás, por exemplo, percebi no momento em que as duas equipes entraram em campo que o destino iria pregar uma peça no nosso amigo Felipão.

O Goiás, recém rebaixado, havia sido derrotado no primeiro jogo no Serra Dourada, não tinha mais nada a perder dentro da competição e muito menos no Brasileirão. Os jogadores com seus brios atingidos, querendo provar qualidade e hombridade. O Palmeiras superior, priorizando a competição continental visando a Copa Libertadores, jogando com reservas e menosprezando o campeonato nacional. Torcida arrogante, cantando vitória antes da hora.

Um prato cheio para um roteiro que deixaria Shakespeare horrorizado.

Para ficar mais bonito ainda, o Palmeiras marca o primeiro gol.
Mas o Goiás reagiu.
E reagiu bonito.
Como explicar?
Logo o Goiás? Um time sem nenhuma tradição?
Talvez a presença do jogador Marcelo Costa?
Afinal, o único que teve a oportunidade de vestir a camisa do Tricolor Gaúcho. Pode ter sido infectado pelo vírus da imortalidade.
Pois travestido de Grêmio, o Goiás jogou como o velho Grêmio de outrora, quando chutava uma bola em gol e marcava dois.

Foi bonito de se ver.

Nem mesmo os mais potentes microfones da Rede Globo conseguiram captar algum ruído da torcida palmeirense após o segundo gol goiano.

Mas tenho que esconder minha euforia.
Ninguém mandou casar com uma palmeirense.
Além disso, de nada adianta se o Grêmio não seguir fazendo sua parte.

Vamos ver até onde o Goiás pode chegar.
Anda brincando muito com a sorte.
E quando se der conta que existe apenas um “Imortal” no futebol brasileiro, pode ser tarde demais.

24.11.10

Luiz Nei se guardando pra velhice

Há muitos anos atrás, enquanto manejava seu possante Toyota Corolla ano 1993 pela av. Nilo Peçanha, Luiz Nei não percebeu um buraco logo à frente.
Era um buraco qualquer, igual a muitos que encontramos por aí.
Seria apenas um solavanco.
Seria. Não fosse um pequeno detalhe: o estouro do air bag.
Sem nenhuma razão de ser, o air bag explodiu com o choque no buraco atingido o rosto despreparado de Luiz Nei.
Resultado: um ferimento na córnea e gastos com oculista.
O que se seguiu, foram vários anos de disputa judicial entre Luiz Nei e a gigante Toyota do Brasil.
Disputa levada às mais altas instâncias judiciais.
Muito tempo depois, o resultado definitivo foi a vitória de Luiz Nei e Toyota tendo que pagar uma boa quantia em dinheiro por danos morais e materiais.

Na semana passada, Luiz Nei recebeu a bolada depositada em sua conta bancária.

Passando o último final de semana na casa de Luiz Nei e Juçá, percebi que o aparelho de TV do quarto deles não estava mais lá.
No lugar dele, a mísera TV da cozinha de 14 polegadas.
Um puta espaço no armário ocupado por um aparelho irrisório.
Questionei Luiz Nei:

- Onde está a TV do quarto?

- Foi pra arrumar.

A TV do quarto deles é de 29 polegadas, mas é tão velha quanto a minha que eu comprei pra ver a Copa de 1994.

- E por que vocês não compram uma TV nova full HD de 42 polegadas. Com esse dinheiro do processo contra a Toyota dá pra comprar.

Me parecia uma ideia razoavelmente lógica e aceitável.
No que Luiz Nei respondeu:

- De jeito nenhum. Esse dinheiro é para nossa velhice. Vai ficar parado na conta.

Falou o jovem Luiz Nei com seus 70 anos.
Não sei que idade ele acha que tem.
Mas se esse dinheiro não for usado agora, vai junto pro túmulo.
Bom, a menos que meu nome esteja no testamento.

23.11.10

Fechado para o almoço

Minha única oportunidade de ir ao banco é do meio-dia às 14h, no meu horário de almoço.
Não devo ser o único.
Normalmente efetuo minhas transações bancárias no próprio terminal do Banrisul dentro do estádio Olímpico.
Podendo até mesmo fazê-lo dentro do meu horário de expediente se prejudicar o trabalho.
Porém, existem certas situações que não tem escapatória.
Meu seguro do carro, por exemplo, só posso pagar numa agência do Itaú.
Sendo assim, pelo menos uma vez por mês vou até lá.
O engraçado nesta agência (que não citarei o local, pois Luiz Nei diz que não devemos dar informações do nosso cotidiano para não alertar bandidos). O engraçado dessa agência é que os funcionários dos guichês de atendimento saem para o almoço.
Dos oito guichês disponíveis, apenas dois ficam abertos, sendo um prioritário para idosos, deficientes e gestantes.
Esta é uma prática comum desta agência.
Não sei como é nas outras.
Confesso que nunca tive problema com isso, mas sabia que o estresse era iminente.

Já estava pelo menos há 10 minutos na fila, quase chegando para ser atendido, quando deu-se o caos:
Um motoboy despejou sob o balcão algumas dezenas de contas para pagar.
E no caixa ao lado, na prioritária, uma senhora com seus quase 100 anos esqueceu a senha do cartão.
Lá se foram mais 10 minutos nessa brincadeira.
Bom, tudo isso foi para reclamar das agências bancárias que, num horário de grande circulação de pessoas, dispensa seus atendentes para o almoço deixando funcionando apenas dois dos oito guichês.

Claro que esse post não vai adiantar nada, mas precisava escrever.

22.11.10

O pacto

A data é 26 de novembro de 2005.
O local é o vestiário abafado e impregnado com cheiro forte de tinta do estádio dos Aflitos, em Recife.
Tranquilamente a temperatura beira os 50 graus.
Um verdadeiro inferno.
Nosso personagem está sentado em um canto, sobre um banco vermelho de madeira.
Está empapado em suor.
Mãos na cabeça.
Olhos fixos no chão.
Coração acelerado.
Busca lá no fundo do peito um pouco de oxigênio.
Luta para não deixar o desespero tomar conta.
Não era pra menos. Minutos antes, o juiz havia marcado o segundo pênalti contra o Grêmio e expulsado três jogadores.
O Náutico estava prestes a fazer o gol da vitória.
Todo o trabalho de um ano estava caindo pelo ralo.
Era apenas isso que passava pela cabeça.
Tanto trabalho, tanta luta, tanta dedicação.
Tudo indo por água abaixo.
Não era justo.
Pensava na família, nos amigos, na torcida gremista que estava em Porto Alegre e que sonhava com a volta à elite do futebol brasileiro.
Ele havia assumido o risco e estava falhando.
Com as lágrimas misturadas ao suor que escorria pelo rosto, ele pediu ajuda.
Faria qualquer coisa para que aquilo tudo terminasse diferente.
Ainda com a cabeça baixa, sentiu a presença de alguém ao seu lado.
Lentamente, voltou-se para sua esquerda se deparando com aquela figura bizarra.
Assustado, perguntou:

- Quem é você?

- Não imposta quem eu sou. O que importa é que estou aqui para te ajudar. Vim propor um pacto.

- Pacto? Que pacto?

- Você sabe que eu tenho poder de fazer o seu goleiro pegar esse pênalti. Muito mais que isso. Tenho poder de fazer seu time chegar à vitória.

- Você está louco! Isso é impossível! Estamos com sete jogadores em campo, não percebeu?

- Aceite a minha oferta e você verá.

- Lógico que aceito. Não tenho outra opção. Qual é o pacto?

- O Grêmio não perderá esse jogo. Seu goleiro defenderá o pênalti e vocês vão fazer 1 a 0 mesmo com sete jogadores. Serão os campeões e retornarão à elite do futebol brasileiro. Além disso, em menos de dois anos, estarão de volta em uma final de Copa Libertadores. Não vão vencer, mas estarão lá.

Incrédulo, nosso personagem escuta a proposta.

- Eu aceito. Eu aceito. O que tenho que fazer? Se tiver que vender a minha alma, eu vendo.

- Você não tem que fazer nada. O que vai acontecer é que, num período de cinco anos, seu maior adversário irá igualar suas conquistas.

- Como assim?

- É isso que você ouviu: em cinco anos, seu maior adversário vai ganhar tudo que vocês ganharam até hoje. Inclusive aquele título.

Atordoado e sem condições de raciocinar, nosso personagem ainda teve tempo de perguntar:

- E depois destes cinco anos tudo volta ao normal?

- Sim. Depois destes cinco anos, tudo estará em suas mãos outra vez. É pegar ou largar. Topa?


Faltam quatro dias para o pacto chegar ao fim.

20.11.10

Competição é com Renato Portaluppi

O senso de competição é algo latente em Renato Portaluppi, ídolo maior da nação gremista.

Nestes poucos meses de convivência perto do Homem (assim mesmo, com “H” maiúsculo) deu pra perceber isso.
Aliás, acredito que esse senso de competição seja essencial para o sucesso que tem na vida.
Tudo é motivo para disputa.
Nos tradicionais “rachões”, onde o grupo é dividido em dois e os jogadores disputam uma animada “pelada”, Renato sempre participa como atacante.
Na saída do treino de sexta, fiquei observando o treinador que deixava o gramado em direção ao atacante André Lima que fazia alongamento na beira do campo. No trajeto, ali pelo meio de campo, Renato chutou uma bola que percorreu boa parte do gramado até bater em outra bola parada.
Olhando para André Lima com aquele tradicional cara de deboche, ele falou:

- Viu só que mira? Sabe quando tu vai conseguir fazer isso? Nunca.

Surpreso pela provocação do treinador, André Lima rebateu:

- Foi pura sorte, quero ver tu fazer outra vez.

E tal qual uma criança, Renato voltou até o meio de campo, pegou outra bola, mirou, e chutou tentando acertar uma bola que estava parada mais distante.

Acertou.

- Não te mete comigo. Acerto aonde eu quero e a hora que quero.

O certo é que as duas “crianças” ficaram pelo menos cinco minutos após o treino vendo quem acertava a bola mais longe.

Esse é só um exemplo das brincadeiras diárias que acompanham os treinos do Grêmio.
Conviver com uma figura como Renato diariamente é um privilégio.
Um grande cara!
Por essas e outras (e essas outras podem ser encontradas no nosso memorial) que Renato é, e sempre será, o maior ídolo da história do Grêmio.

19.11.10

Arrombamento

Quinta-feira é dia de pegar meus filhos do primeiro casamento na escola.
Fico com eles o final da tarde e entrego na casa da mãe deles às 20h.
Normalmente quando chego em casa, a patroa já está me esperando.
Ontem, estava quase chegando em casa quando meu celular tocou.
Era ela com voz de pânico:

- Márcio! Tu deixou a janela da sala aberta?

Levei alguns segundos para raciocinar.

Nossa janela da sala normalmente fica fechada, pois facilmente alguém conseguiria entrar pelo telhado do prédio ao lado. Inclusive, o andar logo acima do nosso já teve suas coisas roubadas através da janela por ladrões que subiram no telhado do prédio vizinho.
Após conseguir recapitular meus passos antes de sair, confirmei:

- Sim. Acho que esqueci a janela aberta.

Entre soluços, a Priscila seguiu com voz de pavor berrando:

- Pois a janela está escancarada! Entraram aqui em casa. Reviraram tudo. Roubaram nossas coisas!

Fiquei sem ação com o celular grudado no ouvido.
Não sabia o que dizer nem o que fazer.
Um filme passou pela minha cabeça, com carros de polícia na frente do prédio, perícia no apartamento, cena do crime lacrada.
Continuou ela com tom ameaçador ao ver que fiquei emudecido:

- Tu vai ficar quieto? Não vai falar nada?

Devo ter balbuciado algumas coisas sem sentido e então ela falou:

- Que cagaço, hein! Ficou todo borrado. É bem feito pra aprender a não deixar mais a janela da casa aberta. Vai que alguém entra aqui.

Vocês conseguiram perceber a gravidade da situação?
Ela estava mentindo.
Descaradamente, mentindo.
Uma atriz de novela.
O verdadeiro mau caratismo.
Ok. Confesso que me caguei.
Mas não é assim que vou lembrar de fechar a janela quando sair.
Ou é?

Bom, seja como for, a vingança já está sendo estudada.

Kiyumi Nakamura - Fuji TV

Kiyumi Nakamura tem um emprego que muitos jornalistas gostariam de ter.
Ela é responsável por cobrir a Seleção Brasileira de futebol para a TV Fuji do Japão.
Volta e meia também faz matérias em clubes brasileiros com destaque internacional.
Há 12 anos que ela faz isso.
Vive ao lado dos jogadores e comissão técnica da maior seleção de futebol do mundo.
Conhece como ninguém cada um dos funcionários da CBF e possui livre acesso aos bastidores.
Com seu jeito meigo e sua voz fininha carregada com sotaque japonês não tem dificuldade em cativar as pessoas.

Meu primeiro contato com Kiyumi foi em 2006 quando eu trabalhava na assessoria de imprensa do Ronaldinho Gaúcho.
Sem uma equipe de produção, ela mesma me ligava todos os dias para agendar uma entrevista exclusiva com o melhoir jogador do mundo naquela época.
Veio a Porto Alegre e, na minha companhia, visitou os principais pontos da Capital que fizeram parte da vida do Ronaldinho: o Olímpico, a escolinha do Grêmio, a escola onde o jogador estudou, o campo onde disputou as primeiras peladas no bairro Vila Nova, a casa onde morou, a casa atual, etc.
Além, é claro, de fazer sua entrevista exclusiva com o craque e familiares.
Mantivemos contato semanalmente por telefone até que deixei a assessoria do jogador.
Fui rever Kiyumi no ano passado quando o Brasil enfrentou o Peru pelas Eliminatórias do Mundial da África.
Fui cobrir o treino da Seleção contra os juniores do Grêmio no campo da PUC e ela estava lá.

Hoje ela veio ao Olímpico para fazer uma matéria com o goleiro Victor.

Passam-se os anos, e as pessoas que vivem o mundo do futebol acabam irremediavelmente se cruzando pelos estádios ou pelos grandes eventos.
Espero poder ter a oportunidade de rever Kiyumi.
Quem sabe fazendo uma matéria especial com o Grêmio antes da disputa de uma final de Libertadores?

Tudo é possível, afinal o mundo é uma bola.
E dá voltas.

18.11.10

173 anos da Brigada Militar


Sou um zero a esquerda quando o assunto é hierarquia militar.
Não sei a diferença entre um coronel, um tenente ou um major.
Não sei quem é mais importante e quem é menos.
Pura ignorância e falta de estudo.
Hoje participei das comemorações dos 173 anos da Brigada Militar aqui em Porto Alegre.
Presença da Governadora Yeda Crusius e o mais alto escalão do Governo e da própria Brigada.
Na verdade fui fazer a cobertura do evento já que um diretor gremista seria agraciado com a medalha da Instituição.
Impressionante a organização da solenidade e todo o ritual militar que cerca o evento.
Muito interessante e bonito de se ver.
Ainda assim, não consegui aprender a hierarquia.
Espero que não tenha que aprender na marra.

A propósito, fui dispensado o serviço militar em 1991 por excesso de contingente.

17.11.10

A volta dos que não foram

Teve um tempo em que eu possuía um público cativo que acessava meu blog.
Uma média de 60 visitantes diários.
Gozava até de um certo prestígio.
Mas tudo foi por água abaixo.
Exclusivamente por minha culpa que praticamente abandonei o espaço onde, diariamente, deixava alguns pensamentos, ideias, imagens e baboseiras.
Perdi meus seguidores.
Leitores assíduos.
Perdi principalmente todos os comentários graças ao programa que eu usava e que faliu.
Os responsáveis por ele até me avisaram que iriam encerrar as atividades.
Que era pra eu salvar.
Mas não levei muito em consideração.
Me arrependo, é verdade.

Ainda assim, nunca abandonei por completo.
Passava por aqui como quem não quer nada.
Volta e meia jogava um post para relembrar os velhos tempos.
O carinho continua.
Afinal, aqui está boa parte da minha vida.
Não falando em tempo, mas em intensidade.
Por aqui conheci minha esposa.
Por aqui casei.
Por aqui tive um filho maravilhoso.
Sempre acompanhado de perto por leitores e amigos, que também por aqui conheci.

Pois este espaço está completamente mudado.
Mudou de nome, mudou de cara, mudou endereço.
Só não mudou o autor.

Vou ser sincero com vocês: minha vontade em voltar a escrever como antes, não voltou.
Prefiro meu twitter.
Consigo dizer o que quero em pouco menos de 140 caracteres.
Não sei como será a atualização.
Só o tempo dirá.


Obrigado a minha esposa e hacker de plantão, Priscila Tescaro, que passou horas registrando o novo domínio e fazendo o novo layout.

Férias?


Hoje à tarde defini meu período de férias.
Muito mais por obrigação do que por vontade própria.
Até porque não estou com a mínima vontade de entrar de férias.
Tenho meus motivos, mas prefiro não externar por aqui.
Além da falta de vontade, vários fatores me levam a não tirar férias neste final de ano ou início de 2011.
O principal deles é a mudança de diretoria no Grêmio.
Não que eu tenha medo de que algo aconteça neste interim com relação ao meu trabalho (e tudo pode acontecer), mas muito mais pela ausência num momento importante de transição onde muita coisa será modificada e acredito a minha presença ser importante.
Mas nosso RH solicitou irremediavelmente a minha definição quanto às férias.
Levando em consideração as saídas dos outros dois jornalistas para o descanso, optei pelo período de 20 de dezembro até 18 de janeiro.
O certo é que dificilmente conseguirei usufruir deste tempo livre como deveria.
Minha esposa ainda não possui um ano na empresa em que trabalha. Isso quer dizer que não tem direito a férias. E isso muda tudo.
Teríamos apenas o final de semana para curtirmos juntos.
Poderia sair sozinho para uma viagem de descanso e contemplação, mas isto também está fora de cogitação. Além de ser muita cretinice da minha parte.
Com relação aos finais de semana, não acho que vale a pena todo o processo de deslocamento até o litoral com uma criança pequena junto. Isso sem falar no trânsito que teria que enfrentar na ida e na volta.
Ainda não mencionei meus outros dois filhos, Mártin e Maria Eduarda, e a minha obrigação legal em passar 15 dias das minhas férias com eles.
Vai ser bem complicado.
Mas assim é a vida.
Assim é a minha vida.
Escolhas foram feitas e as consequências delas fazem parte.
Seja o que Deus quiser.

Bom, parando pra pensar...uma cretinice a mais ou a menos não faz muita diferença.

16.10.10

Obra de arte do "seu" Hélio Devinar


Antigamente, as revistas do Grêmio não possuiam todas as fotos dos jogos, principalmente no interior.
A solução encontrada para que o leitor (torcedor) ficasse sabendo como foi determinada jogada ou como foi um gol do Grêmio foi por meio de ilustrações.
E as ilustrações eram feitas pelo Hélio Devinar.
Pois outro dia fui chamado ao memorial porque o "seu" Hélio havia deixado um desenho pra mim. Esse que reproduzo abaixo.
Grande figura é o Hélio.
Uma verdadeira lenda dentro do Grêmio.
Fiquei muito honrado.

Amo muito



Pietro Tescaro! Um ano e um mês!

Grande figura!

Já não se fazem mais passados como antigamente


O passado jamais será como era antes.

Aliás, o passado está cada vez mais presente.

Tão presente que um dia deixará de ser passado.

Tudo isso graças à tecnologia.

Ao desejo desenfreado de registrar as coisas.

Registros em câmeras fotográficas, em celulares, em câmeras de vídeo.

Tudo é registrado em qualquer lugar e a qualquer hora.

São tantos os registros que dentro de pouco tempo não saberemos mais o que é passado e o que é presente.

Já não existem mais aquelas páginas de jornal amareladas que guardamos dentro do baú.

Ou aquela foto em preto e branco antiga onde quase não conseguimos distinguir, mas que fazia-nos viajar no tempo em busca de recordações que ficaram guardadas apenas em nossa memória, sem nenhum registro.

A tecnologia está aí para facilitar a vida.

Para nos ajudar.

Dizem.

Sei de tudo. Lembro de tudo.

Vagas lembranças aos poucos vão ficando no passado.

Que passado?

(...)
 
Luiz Nei completa hoje 70 anos.
Parece que o tempo não passa.
Festa merecida para comemorar a data.
Muitos registros!
Beijo grande pra Kate, minha sogra.

22.6.10

Declaração de amor ao jornalismo

Ninguém aprende a ser jornalista fazendo uma universidade.
O jornalismo está no sangue.
Já nasce com a pessoa.
O instinto da comunicação.
A busca da informação, do conhecimento.
A ânsia de aprender e passar adiante da melhor maneira possível.
Muitos nascem com o dom, mas acabam seguindo outras carreiras.
Outros acabam cedendo.
A universidade apenas ensina o caminho das pedras.
Serve para lapidar e direcionar o profissional à área escolhida.
O jornalismo de hoje já não mais como antigamente.
Não existe mais o romantismo de outrora e o glamour que fazia do jornalismo uma profissão respeitada e conceituada.
Hoje qualquer um é jornalista.
Mesmo aqueles que não nasceram pra isso.
Qualquer um escreve sobre qualquer coisa, em qualquer lugar e da forma que desejar.
É a massificação da informação e a necessidade do imediatismo.
Culpa da globalização? Da internet?
Até pode ser.
Agora, cabe ao bom jornalista saber decidir qual caminho seguir.
Sei que, às vezes, não há muita opção e o bom jornalista, mesmo conhecedor das normas e da ética profissional, acaba abrindo mão dos ensinamentos básicos da profissão em detrimento da exigência do mercado.
Não se pode criticar.
Mas a verdade é que a globalização está aí.
A internet está aí.
Com seus prós e contras.
É nossa obrigação saber usufruir dos prós e descartar os contras.
Para que o verdadeiro jornalismo de caráter possa prevalecer sobre a ganância, a maldade e o simplório.
Os maus profissionais estão aí, como em todas as profissões.
E só me resta lamentar ao vê-los sucumbir à mediocridade.

8.4.10

Mundial Sub-20 - Portugal 1991



Eu estava lá.
Saudade.



5.3.10

Final

Sabia que esse dia chegaria.
Estou comunicando o final das atividades deste blog.
Obrigado aos visitantes e amigos que participaram.

A ironia é que não tem nem onde comentar.

Ele pode voltar?
Pode sim...sem aviso prévio.

16.1.10

Praia 2010

Não lembro a última vez em que passei tanto tempo na praia de forma ininterrupta.
Na adolescência, chegávamos ao litoral no final de dezembro e só voltávamos em março.
Bons tempos que não voltam mais.

Constatações destes dias no balneário de Atlântida:

* Os buracos das ruas e as poças de água seguem os mesmos de três décadas atrás. São como a neve eterna no monte Aconcagua.
* Chuva forte é certeza de banheiro entupido e goteiras pela casa.
* Pode-se contar nos dedos das mãos as quantidades de casas não gradeadas.
* A frase da temporada: “se um cara tem uma casa desse tamanho na praia, imagina em Porto Alegre”.
* O Lacre Azul do Cachorrinho mudou para o Lacre Verde da BR Petrobrás.
* Todos os vizinhos se divertem em suas piscinas enquanto você toma banho de mangueira numa piscina de plástico de mil litros.
* O Bar da Adélia não vai mais voltar.
* A Schuck continuará vendendo sorvete Milano.
* Já não jogam mais futebol no “Canteirão”.
* Se você quiser fazer um lanche no centrinho, terá que optar entre crepe e crepe. Nada de churros ou panchos.
* O “seu” João continua como zelador do prédio mais antigo da rua.
* O mini-golfe ainda resiste.
* Você já não conhece mais ninguém quando senta na praça central.
* Não existe movimento durante os dias de semana.
* Ao invés da bicicleta, você passeia levando um carrinho de bebê.
* O prédio mais alto da praia deixou de ter apenas três andares.
* A telefônica (que vivia lotada) não existe mais.
* Os orelhões também não.
* O Nacional detém o monopólio dos supermercados.
* Por menos coisa que você compre, jamais vai conseguir ficar menos de meia hora na fila.
* Seus filhos já pedem pra ir ao Planeta Atlântida.
* Você está velho.

(...)

Depois de muito tempo, estou de volta.
Feliz 2010!
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