16.1.10

Praia 2010

Não lembro a última vez em que passei tanto tempo na praia de forma ininterrupta.
Na adolescência, chegávamos ao litoral no final de dezembro e só voltávamos em março.
Bons tempos que não voltam mais.

Constatações destes dias no balneário de Atlântida:

* Os buracos das ruas e as poças de água seguem os mesmos de três décadas atrás. São como a neve eterna no monte Aconcagua.
* Chuva forte é certeza de banheiro entupido e goteiras pela casa.
* Pode-se contar nos dedos das mãos as quantidades de casas não gradeadas.
* A frase da temporada: “se um cara tem uma casa desse tamanho na praia, imagina em Porto Alegre”.
* O Lacre Azul do Cachorrinho mudou para o Lacre Verde da BR Petrobrás.
* Todos os vizinhos se divertem em suas piscinas enquanto você toma banho de mangueira numa piscina de plástico de mil litros.
* O Bar da Adélia não vai mais voltar.
* A Schuck continuará vendendo sorvete Milano.
* Já não jogam mais futebol no “Canteirão”.
* Se você quiser fazer um lanche no centrinho, terá que optar entre crepe e crepe. Nada de churros ou panchos.
* O “seu” João continua como zelador do prédio mais antigo da rua.
* O mini-golfe ainda resiste.
* Você já não conhece mais ninguém quando senta na praça central.
* Não existe movimento durante os dias de semana.
* Ao invés da bicicleta, você passeia levando um carrinho de bebê.
* O prédio mais alto da praia deixou de ter apenas três andares.
* A telefônica (que vivia lotada) não existe mais.
* Os orelhões também não.
* O Nacional detém o monopólio dos supermercados.
* Por menos coisa que você compre, jamais vai conseguir ficar menos de meia hora na fila.
* Seus filhos já pedem pra ir ao Planeta Atlântida.
* Você está velho.

(...)

Depois de muito tempo, estou de volta.
Feliz 2010!
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