30.11.10

Barcelona 5 x 0 Real Madrid - 17 anos depois

Estava vendo agora os melhores lances do clássico entre Barcelona e Real Madrid que não tive a oportunidade de assistir ontem.
Aliás, antes de ver os lances, não sabia o resultado da partida.
Um 5 a 0 sensacional para os donos da casa comandados por Messi.

Imediatamente lembrei do primeiro clássico que assisti no Camp Nou, estádio do Barcelona (foto acima).
Foi em 1993, meu irmão e eu chegamos em Barcelona com o único objetivo de ver esta partida. Chegamos na véspera e sem ingresso.
Deixamos nossas mochilas em um albergue e corremos para o estádio pra ver se conseguíamos alguma coisa, nem que tivéssemos que comprar de cambistas.
Depois de muita luta e de enfrentar uma fila gigantesca, conseguimos um par de bilhetes na parte mais alta do estádio.
Não importava o lugar. Estar lá dentro já era um sonho.
Na época em que morei em Madrid, tive a oportunidade de assistir um clássico entre as duas equipes, mas no Santiago Bernabeu, estádio do Real Madrid.
Foi um dos jogos mais emocionantes da minha vida.
Não só pela rivalidade e pela atmosfera de clássico que toma conta da cidade, mas também pelo resultado impressionante de 5 a 0 para o Barça, com atuação única de Romário, o grande ídolo do momento.
Estar ali ao lado do meu irmão e poder fazer parte deste momento histórico, é uma coisa que não tem preço.

Felizmente existe o Youtube que possibilita o resgate destas imagens espetaculares.

No vídeo abaixo, a curiosidade é ver os mesmos gols transmitidos pela TV de Barcelona e pela TV de Madrid, deixando claro a rivalidade entre as duas cidades e a parcialidade de cada transmissão.

Clique no play e boa diversão

Fanatismo

O Wikipédia define fanatismo como sendo “o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema”.
Dentro desta definição, destaque para a expressão “irracional”.
Sem dúvida, ela faz toda a diferença.
Existem milhares de exemplos por aí de fanatismo no futebol.
Onde o ódio passa a fazer parte do sentimento.
Onde atos irracionais acabam trazendo consequências muitas vezes irreversíveis.
Trabalhando há 20 anos com futebol, vivendo em constante contato com torcidas e com um mínimo conhecimento das relações humanas, já me deparei com diversos casos deprimentes que fazem pensar.

E ontem me peguei pensando até que ponto o fanatismo faz parte da minha vida e até que ponto posso me considerar um fanático.
Estou falando especificamente sobre o sentimento pelo Grêmio, é lógico.
Não foram raras as vezes que lendo o obituário da Zero Hora me deparei com um anúncio de falecimento com o escudo do Internacional e pensei: “menos um”.
Lógico que não fico feliz pela morte da pessoa, mas já que ela morreu mesmo e não há mais nada que se possa fazer, que pelo menos ela seja torcedora do Inter.
Já cansei de olhar as pessoas com outros olhos ao saber que torciam pelo Internacional.
Deixei de escutar as músicas da banda “Nenhum de Nós” tendo em vista sua grande identificação com o clube do Beira Rio.
Não leio Luiz Fernando Veríssimo por sua preferência clubística.
Não assisto aos espetáculos do “colorado” Zé Victor Castiel.
E coisas desse tipo.
Sei que é ridículo, imaturo e preconceituoso.
Mas faz parte do meu ser.
E vou dizer uma coisa: poderia ser muito pior.
Felizmente, meu grau de ”fanatismo” ainda consegue discernir o bem do mal, o certo do errado.
Sendo assim, não me encaixo na definição de “fanático”.
O quer seria esse sentimento então?
Existe uma definição?
Não há “mais” fanático e “menos” fanático.
O fanatismo já é o extremo.
Visto camisa vermelha.
Tenho amigos colorados com quem discuto futebol em alto nível.
Não fico irritado com gozações quando o Grêmio perde.
Respondo na mesma moeda e com criatividade.
Prefiro me definir como um “apaixonado”.

Mas sei também que paixão e loucura andam lado a lado.
E tudo pode mudar.
Seja como for, continuarei sem assistir aos espetáculos do Castiel.

26.11.10

26/11/2005 - valeu a pena

Finalmente chegou o dia.
Finalmente o pacto terminou.
Foram longos e dolorosos cinco anos de angústia e sofrimento.
O preço que tivemos que pagar.
Não me arrependo.
Valeu a pena.

O que falar sobre a Batalha dos Aflitos que ainda não foi dito?
Qual história contar que ainda não foi contada?
Não há gremista nesse planeta que não se recorde com detalhes aquele 26/11/2005.
Pensei em escrever sobre como foi o meu dia.
Contar que estava aqui no Olímpico trabalhando.
Que não tive condições emocionais de fazer o texto para o site oficial.
Podia tentar descrever a emoção daquele momento.
Podia dizer que chorei.
Mas tudo isso seria chover no molhado.
Sendo assim, decidi reproduzir um texto escrito por mim alguns dias depois daquele jogo.
Pra mostrar que, só mesmo com a presença Dele nas arquibancadas dos Aflitos, o Grêmio conseguiria fazer o que fez:

PÉ QUENTE EM RECIFE:

Já havia decidido. Não adiantava tentar fazer com que eu voltasse atrás. Eu sei que tenho muito trabalho mas estava em dívida com o meu time do coração. Há mais de dois anos que eu não aparecia e esse era o momento certo. Além do mais, não poderia deixar de atender a tantos pedidos.
Achei minha camisa no fundo do armário. Não é a nova, mas trás boas recordações. Estava com ela naquele jogo contra o Corinthians, no Morumbi, na final da Copa do Brasil de 2001. Lembra? Aliás, aquele foi meu último jogo.
Dia de sol e calor em Recife. Com aquelas praias lindas, não resisti a um bom banho de mar pela manhã. Realmente eu tinha feito um ótimo trabalho.
Cheguei cedo aos Aflitos. Estádio pequeno, acanhado. Muito pior que o estádio da Ilha do Retiro, do Sport, que conheci no primeiro jogo da final da Copa do Brasil de 1989. Nos colocaram em um cantinho, atrás do gol, à direita do pavilhão. Estádio lotado, pressão de todas as partes. O jogo começou tenso. O time nervoso em campo, a torcida nervosa na arquibancada. Lance de perigo na área gremista e explosão da torcida adversária. Atônito, perguntei para um cara sem camisa ao meu lado que estava com um radinho na orelha:
- O que houve?
Ele resmungou:
- Pênalti.
O árbitro havia marcado penalidade máxima contra o Grêmio.
Prontamente falei:
- Não esquenta, vai errar.
Estiquei o pescoço para tentar ver a cobrança. O chute foi forte mas a bola estourou no poste. Delírio da torcida gremista que comemorou como se fosse um gol. O cara com o radinho na orelha pulou no meu cangote e gritava: “Tu é mago! Tu é mago!”.
Depois do pênalti perdido, o Náutico ainda teve duas grandes chances. Galatto salvou.
Estes talvez tenham sido os melhores lances da primeira etapa.
Me surpreendi com a qualidade desse jovem goleiro gremista.


Antes do início do segundo tempo, perguntei para o cara do radinho:
- Por que o Ricardinho não voltou?
- Sei lá, foi a resposta.
Lamentei por ter esquecido meu rádio.
- E quem é aquele alemãozinho? Perguntei já me dirigindo para outros torcedores. O gorducho de boné respondeu sem tirar os olhos do gramado:
- É o Lucas. Sobrinho do Leivinha.
Realmente eu precisava me atualizar mais.


O Náutico voltou determinado a vencer o jogo. O Grêmio recuou tentando manter o empate que dava a classificação.A cada gol perdido pela Portuguesa que jogava contra o Santa Cruz na outra partida, o cara do radinho soltava um palavrão. Achei interessante conhecer alguns xingamentos típicos do nordeste.
Aos 15 minutos, o técnico gremista colocou o Anderson em campo. Finalmente poderia ver ao vivo aquele menino de quem falavam maravilhas. Na frente de Galatto, o atacante Kuki perdeu um gol incrível. Essa eu tirei com os olhos!
Os donos da casa tentam mais um ataque pela direita. A bola bate na mão de Escalona que é expulso.
A apreensão está estampada na cara de cada gremista.
Dois minutos depois, o árbitro não marca uma penalidade sobre um atacante pernambucano.
O gordo de boné tira os olhos do gramado pela primeira vez e sussurra baixinho em minha direção tapando a boca com as mãos talvez para que o árbitro não escutasse:
- Foi.
Eu respondi:
- Foi, mas ele não deu.
Não deu aquele. Mas não demorou muito para prevalecer a lei da compensação. Num lance rápido, lá do outro lado da área, uma suposta mão na bola do Nunes. Ele deu pênalti. Bateu o desespero. Dirigentes invadindo o campo, jogadores pressionando o árbitro. Deu até vontade de intervir mas prometi que ia me conter.
Nunes, Patrício e Domingos expulsos na confusão. Só sete jogadores em campo contra 11 do Náutico. O gordo de boné sentou pela primeira vez e ali ficou. Olhando pro chão tentando acertar cascas de amendoim dentro de um copo de refrigerante cheio de xixi. O cara do radinho tentava enfiar o aparelho dentro do ouvido para ver se escutava o nome de quem havia sido expulso e quantos eram.
Depois de quase meia hora de bola parada, o lateral do Náutico ajeitou na marca da cal para fazer a cobrança.
No segundo degrau da arquibancada, um jovem torcedor identificado com a Alma Castelhana se virou, olhou em minha direção e gritou:
- Faz alguma coisa!
Mas “fazer o que?” pensei.
Quando o jogador partiu pra bola, escutei alguém dizer as minhas costas:
- Não esquenta, vai errar.
Galatto se atirou para o canto esquerdo e defendeu com as pernas.
Incrível a loucura que tomou conta dos torcedores gremistas. Muitos corriam pra cima e pra baixo sem saber o que fazer. O cara do radinho tentava recuperar as pilhas que haviam caído e dizia:
- Espera cobrar o escanteio. Espera cobrar o escanteio.
Olhei para trás em busca do dono daquela voz que havia repetido as minhas proféticas palavras do primeiro pênalti.
Tentando se esconder atrás do gordo de boné, lá estava ele.
- Só podia ser você! Exclamei sorrindo.
Eurico Lara desceu dois degraus e veio em minha direção.
- Oi Mestre, o pessoal lá de cima disse que eu ia te encontrar aqui - Falou me abraçando e completou - O que achou da defesa? Perguntou com um sorriso maroto de quem acaba de fazer arte.
- Tu não tem jeito mesmo, suspirei.
A apreensão era tanta que a torcida gremista passou a acompanhar o desfecho final em completo silêncio.
- Vai ser difícil agüentar a pressão com apenas seis jogadores na linha, disse Lara me olhando de canto de olho para ver a minha reação.
Devolvi a olhada e caí na gargalhada quando ele deu aquela balançada de sobrancelha como se estivesse perguntando “Tá. E aí? Vai ficar nisso?”.
- Não posso, lamentei.
Ele me olhou e apelou:
- O Senhor está me devendo essa desde aquele jogo contra o Ajax em 95 que não quis que a gente fosse.
O cara do radinho me olhou. Olhei pra ele, olhei pro Lara. Suspirei:
- Tá bom, tá bom. Deixa esse finalzinho comigo.
Anderson desceu com a bola pela esquerda e foi derrubado na frente do banco de reservas tricolor. Cartão vermelho para o zagueirão pernambucano.
Abatidos pela penalidade perdida e com pouco tempo para tentar um gol, os jogadores do Náutico não se deram conta quando a falta foi batida com rapidez. Em velocidade, Anderson passou por dois e largou a bola no fundo das redes.
Grêmio 1 a 0!
Nova loucura nas arquibancadas. O espacinho destinado ao torcedor gremista ficou pequeno para tamanha festa. Nessa hora, o cara do radinho já havia rolado até o alambrado e, com as costas esfoladas, estava abraçado ao policial militar que tentava se desvencilhar.
Olhei pro Lara e disse:
- Gostou? Grande vitória, né?
Com o espanto na cara, balançou a cabeça positivamente.
- Graças a Deus. Graças a Deus.
Com a missão cumprida já não restava mais nada a fazer ali e ainda tinha muito trabalho acumulado para resolver.
- Vamos comigo? Perguntei.
- Ainda não. Vou dar um pulo lá no Sul para ver como está a festa.
- Então faz um favor. Antes de subir, passa ali no Olímpico e me compra uma camisa nova da Puma. Depois a gente acerta.

25.11.10

O gostinho da Imortalidade

Futebol é engraçado.
E muitos anos vivendo intensamente o esporte, não só como torcedor, mas também como profissional do jornalismo, nos faz deparar com situações inusitadas e extraordinárias.
Talvez seja o futebol o único esporte a nos proporcionar situações como esta.
Da tristeza a euforia em segundos.
Do amor ao ódio em apenas um lance.
Onde o vilão se torna herói.
Onde o mais fraco vence o mais forte com requintes de crueldade.
Assim é o futebol, meus amigos.
Quando achamos que já vimos tudo, eis que inacreditável bate à porta.
Não deveria me surpreender mais com esse tipo de coisa, afinal, sou torcedor do Grêmio.
E ninguém mais do que o Grêmio é capaz de criar situações beirando a tragicidade e conseguir fugir delas quando ninguém mais espera.

A experiência em estar presente na reversão do irreversível nos traz o feeling que antevê os acontecimentos.
No jogo entre Palmeiras e Goiás, por exemplo, percebi no momento em que as duas equipes entraram em campo que o destino iria pregar uma peça no nosso amigo Felipão.

O Goiás, recém rebaixado, havia sido derrotado no primeiro jogo no Serra Dourada, não tinha mais nada a perder dentro da competição e muito menos no Brasileirão. Os jogadores com seus brios atingidos, querendo provar qualidade e hombridade. O Palmeiras superior, priorizando a competição continental visando a Copa Libertadores, jogando com reservas e menosprezando o campeonato nacional. Torcida arrogante, cantando vitória antes da hora.

Um prato cheio para um roteiro que deixaria Shakespeare horrorizado.

Para ficar mais bonito ainda, o Palmeiras marca o primeiro gol.
Mas o Goiás reagiu.
E reagiu bonito.
Como explicar?
Logo o Goiás? Um time sem nenhuma tradição?
Talvez a presença do jogador Marcelo Costa?
Afinal, o único que teve a oportunidade de vestir a camisa do Tricolor Gaúcho. Pode ter sido infectado pelo vírus da imortalidade.
Pois travestido de Grêmio, o Goiás jogou como o velho Grêmio de outrora, quando chutava uma bola em gol e marcava dois.

Foi bonito de se ver.

Nem mesmo os mais potentes microfones da Rede Globo conseguiram captar algum ruído da torcida palmeirense após o segundo gol goiano.

Mas tenho que esconder minha euforia.
Ninguém mandou casar com uma palmeirense.
Além disso, de nada adianta se o Grêmio não seguir fazendo sua parte.

Vamos ver até onde o Goiás pode chegar.
Anda brincando muito com a sorte.
E quando se der conta que existe apenas um “Imortal” no futebol brasileiro, pode ser tarde demais.

24.11.10

Luiz Nei se guardando pra velhice

Há muitos anos atrás, enquanto manejava seu possante Toyota Corolla ano 1993 pela av. Nilo Peçanha, Luiz Nei não percebeu um buraco logo à frente.
Era um buraco qualquer, igual a muitos que encontramos por aí.
Seria apenas um solavanco.
Seria. Não fosse um pequeno detalhe: o estouro do air bag.
Sem nenhuma razão de ser, o air bag explodiu com o choque no buraco atingido o rosto despreparado de Luiz Nei.
Resultado: um ferimento na córnea e gastos com oculista.
O que se seguiu, foram vários anos de disputa judicial entre Luiz Nei e a gigante Toyota do Brasil.
Disputa levada às mais altas instâncias judiciais.
Muito tempo depois, o resultado definitivo foi a vitória de Luiz Nei e Toyota tendo que pagar uma boa quantia em dinheiro por danos morais e materiais.

Na semana passada, Luiz Nei recebeu a bolada depositada em sua conta bancária.

Passando o último final de semana na casa de Luiz Nei e Juçá, percebi que o aparelho de TV do quarto deles não estava mais lá.
No lugar dele, a mísera TV da cozinha de 14 polegadas.
Um puta espaço no armário ocupado por um aparelho irrisório.
Questionei Luiz Nei:

- Onde está a TV do quarto?

- Foi pra arrumar.

A TV do quarto deles é de 29 polegadas, mas é tão velha quanto a minha que eu comprei pra ver a Copa de 1994.

- E por que vocês não compram uma TV nova full HD de 42 polegadas. Com esse dinheiro do processo contra a Toyota dá pra comprar.

Me parecia uma ideia razoavelmente lógica e aceitável.
No que Luiz Nei respondeu:

- De jeito nenhum. Esse dinheiro é para nossa velhice. Vai ficar parado na conta.

Falou o jovem Luiz Nei com seus 70 anos.
Não sei que idade ele acha que tem.
Mas se esse dinheiro não for usado agora, vai junto pro túmulo.
Bom, a menos que meu nome esteja no testamento.

23.11.10

Fechado para o almoço

Minha única oportunidade de ir ao banco é do meio-dia às 14h, no meu horário de almoço.
Não devo ser o único.
Normalmente efetuo minhas transações bancárias no próprio terminal do Banrisul dentro do estádio Olímpico.
Podendo até mesmo fazê-lo dentro do meu horário de expediente se prejudicar o trabalho.
Porém, existem certas situações que não tem escapatória.
Meu seguro do carro, por exemplo, só posso pagar numa agência do Itaú.
Sendo assim, pelo menos uma vez por mês vou até lá.
O engraçado nesta agência (que não citarei o local, pois Luiz Nei diz que não devemos dar informações do nosso cotidiano para não alertar bandidos). O engraçado dessa agência é que os funcionários dos guichês de atendimento saem para o almoço.
Dos oito guichês disponíveis, apenas dois ficam abertos, sendo um prioritário para idosos, deficientes e gestantes.
Esta é uma prática comum desta agência.
Não sei como é nas outras.
Confesso que nunca tive problema com isso, mas sabia que o estresse era iminente.

Já estava pelo menos há 10 minutos na fila, quase chegando para ser atendido, quando deu-se o caos:
Um motoboy despejou sob o balcão algumas dezenas de contas para pagar.
E no caixa ao lado, na prioritária, uma senhora com seus quase 100 anos esqueceu a senha do cartão.
Lá se foram mais 10 minutos nessa brincadeira.
Bom, tudo isso foi para reclamar das agências bancárias que, num horário de grande circulação de pessoas, dispensa seus atendentes para o almoço deixando funcionando apenas dois dos oito guichês.

Claro que esse post não vai adiantar nada, mas precisava escrever.

22.11.10

O pacto

A data é 26 de novembro de 2005.
O local é o vestiário abafado e impregnado com cheiro forte de tinta do estádio dos Aflitos, em Recife.
Tranquilamente a temperatura beira os 50 graus.
Um verdadeiro inferno.
Nosso personagem está sentado em um canto, sobre um banco vermelho de madeira.
Está empapado em suor.
Mãos na cabeça.
Olhos fixos no chão.
Coração acelerado.
Busca lá no fundo do peito um pouco de oxigênio.
Luta para não deixar o desespero tomar conta.
Não era pra menos. Minutos antes, o juiz havia marcado o segundo pênalti contra o Grêmio e expulsado três jogadores.
O Náutico estava prestes a fazer o gol da vitória.
Todo o trabalho de um ano estava caindo pelo ralo.
Era apenas isso que passava pela cabeça.
Tanto trabalho, tanta luta, tanta dedicação.
Tudo indo por água abaixo.
Não era justo.
Pensava na família, nos amigos, na torcida gremista que estava em Porto Alegre e que sonhava com a volta à elite do futebol brasileiro.
Ele havia assumido o risco e estava falhando.
Com as lágrimas misturadas ao suor que escorria pelo rosto, ele pediu ajuda.
Faria qualquer coisa para que aquilo tudo terminasse diferente.
Ainda com a cabeça baixa, sentiu a presença de alguém ao seu lado.
Lentamente, voltou-se para sua esquerda se deparando com aquela figura bizarra.
Assustado, perguntou:

- Quem é você?

- Não imposta quem eu sou. O que importa é que estou aqui para te ajudar. Vim propor um pacto.

- Pacto? Que pacto?

- Você sabe que eu tenho poder de fazer o seu goleiro pegar esse pênalti. Muito mais que isso. Tenho poder de fazer seu time chegar à vitória.

- Você está louco! Isso é impossível! Estamos com sete jogadores em campo, não percebeu?

- Aceite a minha oferta e você verá.

- Lógico que aceito. Não tenho outra opção. Qual é o pacto?

- O Grêmio não perderá esse jogo. Seu goleiro defenderá o pênalti e vocês vão fazer 1 a 0 mesmo com sete jogadores. Serão os campeões e retornarão à elite do futebol brasileiro. Além disso, em menos de dois anos, estarão de volta em uma final de Copa Libertadores. Não vão vencer, mas estarão lá.

Incrédulo, nosso personagem escuta a proposta.

- Eu aceito. Eu aceito. O que tenho que fazer? Se tiver que vender a minha alma, eu vendo.

- Você não tem que fazer nada. O que vai acontecer é que, num período de cinco anos, seu maior adversário irá igualar suas conquistas.

- Como assim?

- É isso que você ouviu: em cinco anos, seu maior adversário vai ganhar tudo que vocês ganharam até hoje. Inclusive aquele título.

Atordoado e sem condições de raciocinar, nosso personagem ainda teve tempo de perguntar:

- E depois destes cinco anos tudo volta ao normal?

- Sim. Depois destes cinco anos, tudo estará em suas mãos outra vez. É pegar ou largar. Topa?


Faltam quatro dias para o pacto chegar ao fim.

20.11.10

Competição é com Renato Portaluppi

O senso de competição é algo latente em Renato Portaluppi, ídolo maior da nação gremista.

Nestes poucos meses de convivência perto do Homem (assim mesmo, com “H” maiúsculo) deu pra perceber isso.
Aliás, acredito que esse senso de competição seja essencial para o sucesso que tem na vida.
Tudo é motivo para disputa.
Nos tradicionais “rachões”, onde o grupo é dividido em dois e os jogadores disputam uma animada “pelada”, Renato sempre participa como atacante.
Na saída do treino de sexta, fiquei observando o treinador que deixava o gramado em direção ao atacante André Lima que fazia alongamento na beira do campo. No trajeto, ali pelo meio de campo, Renato chutou uma bola que percorreu boa parte do gramado até bater em outra bola parada.
Olhando para André Lima com aquele tradicional cara de deboche, ele falou:

- Viu só que mira? Sabe quando tu vai conseguir fazer isso? Nunca.

Surpreso pela provocação do treinador, André Lima rebateu:

- Foi pura sorte, quero ver tu fazer outra vez.

E tal qual uma criança, Renato voltou até o meio de campo, pegou outra bola, mirou, e chutou tentando acertar uma bola que estava parada mais distante.

Acertou.

- Não te mete comigo. Acerto aonde eu quero e a hora que quero.

O certo é que as duas “crianças” ficaram pelo menos cinco minutos após o treino vendo quem acertava a bola mais longe.

Esse é só um exemplo das brincadeiras diárias que acompanham os treinos do Grêmio.
Conviver com uma figura como Renato diariamente é um privilégio.
Um grande cara!
Por essas e outras (e essas outras podem ser encontradas no nosso memorial) que Renato é, e sempre será, o maior ídolo da história do Grêmio.

19.11.10

Arrombamento

Quinta-feira é dia de pegar meus filhos do primeiro casamento na escola.
Fico com eles o final da tarde e entrego na casa da mãe deles às 20h.
Normalmente quando chego em casa, a patroa já está me esperando.
Ontem, estava quase chegando em casa quando meu celular tocou.
Era ela com voz de pânico:

- Márcio! Tu deixou a janela da sala aberta?

Levei alguns segundos para raciocinar.

Nossa janela da sala normalmente fica fechada, pois facilmente alguém conseguiria entrar pelo telhado do prédio ao lado. Inclusive, o andar logo acima do nosso já teve suas coisas roubadas através da janela por ladrões que subiram no telhado do prédio vizinho.
Após conseguir recapitular meus passos antes de sair, confirmei:

- Sim. Acho que esqueci a janela aberta.

Entre soluços, a Priscila seguiu com voz de pavor berrando:

- Pois a janela está escancarada! Entraram aqui em casa. Reviraram tudo. Roubaram nossas coisas!

Fiquei sem ação com o celular grudado no ouvido.
Não sabia o que dizer nem o que fazer.
Um filme passou pela minha cabeça, com carros de polícia na frente do prédio, perícia no apartamento, cena do crime lacrada.
Continuou ela com tom ameaçador ao ver que fiquei emudecido:

- Tu vai ficar quieto? Não vai falar nada?

Devo ter balbuciado algumas coisas sem sentido e então ela falou:

- Que cagaço, hein! Ficou todo borrado. É bem feito pra aprender a não deixar mais a janela da casa aberta. Vai que alguém entra aqui.

Vocês conseguiram perceber a gravidade da situação?
Ela estava mentindo.
Descaradamente, mentindo.
Uma atriz de novela.
O verdadeiro mau caratismo.
Ok. Confesso que me caguei.
Mas não é assim que vou lembrar de fechar a janela quando sair.
Ou é?

Bom, seja como for, a vingança já está sendo estudada.

Kiyumi Nakamura - Fuji TV

Kiyumi Nakamura tem um emprego que muitos jornalistas gostariam de ter.
Ela é responsável por cobrir a Seleção Brasileira de futebol para a TV Fuji do Japão.
Volta e meia também faz matérias em clubes brasileiros com destaque internacional.
Há 12 anos que ela faz isso.
Vive ao lado dos jogadores e comissão técnica da maior seleção de futebol do mundo.
Conhece como ninguém cada um dos funcionários da CBF e possui livre acesso aos bastidores.
Com seu jeito meigo e sua voz fininha carregada com sotaque japonês não tem dificuldade em cativar as pessoas.

Meu primeiro contato com Kiyumi foi em 2006 quando eu trabalhava na assessoria de imprensa do Ronaldinho Gaúcho.
Sem uma equipe de produção, ela mesma me ligava todos os dias para agendar uma entrevista exclusiva com o melhoir jogador do mundo naquela época.
Veio a Porto Alegre e, na minha companhia, visitou os principais pontos da Capital que fizeram parte da vida do Ronaldinho: o Olímpico, a escolinha do Grêmio, a escola onde o jogador estudou, o campo onde disputou as primeiras peladas no bairro Vila Nova, a casa onde morou, a casa atual, etc.
Além, é claro, de fazer sua entrevista exclusiva com o craque e familiares.
Mantivemos contato semanalmente por telefone até que deixei a assessoria do jogador.
Fui rever Kiyumi no ano passado quando o Brasil enfrentou o Peru pelas Eliminatórias do Mundial da África.
Fui cobrir o treino da Seleção contra os juniores do Grêmio no campo da PUC e ela estava lá.

Hoje ela veio ao Olímpico para fazer uma matéria com o goleiro Victor.

Passam-se os anos, e as pessoas que vivem o mundo do futebol acabam irremediavelmente se cruzando pelos estádios ou pelos grandes eventos.
Espero poder ter a oportunidade de rever Kiyumi.
Quem sabe fazendo uma matéria especial com o Grêmio antes da disputa de uma final de Libertadores?

Tudo é possível, afinal o mundo é uma bola.
E dá voltas.

18.11.10

173 anos da Brigada Militar


Sou um zero a esquerda quando o assunto é hierarquia militar.
Não sei a diferença entre um coronel, um tenente ou um major.
Não sei quem é mais importante e quem é menos.
Pura ignorância e falta de estudo.
Hoje participei das comemorações dos 173 anos da Brigada Militar aqui em Porto Alegre.
Presença da Governadora Yeda Crusius e o mais alto escalão do Governo e da própria Brigada.
Na verdade fui fazer a cobertura do evento já que um diretor gremista seria agraciado com a medalha da Instituição.
Impressionante a organização da solenidade e todo o ritual militar que cerca o evento.
Muito interessante e bonito de se ver.
Ainda assim, não consegui aprender a hierarquia.
Espero que não tenha que aprender na marra.

A propósito, fui dispensado o serviço militar em 1991 por excesso de contingente.

17.11.10

A volta dos que não foram

Teve um tempo em que eu possuía um público cativo que acessava meu blog.
Uma média de 60 visitantes diários.
Gozava até de um certo prestígio.
Mas tudo foi por água abaixo.
Exclusivamente por minha culpa que praticamente abandonei o espaço onde, diariamente, deixava alguns pensamentos, ideias, imagens e baboseiras.
Perdi meus seguidores.
Leitores assíduos.
Perdi principalmente todos os comentários graças ao programa que eu usava e que faliu.
Os responsáveis por ele até me avisaram que iriam encerrar as atividades.
Que era pra eu salvar.
Mas não levei muito em consideração.
Me arrependo, é verdade.

Ainda assim, nunca abandonei por completo.
Passava por aqui como quem não quer nada.
Volta e meia jogava um post para relembrar os velhos tempos.
O carinho continua.
Afinal, aqui está boa parte da minha vida.
Não falando em tempo, mas em intensidade.
Por aqui conheci minha esposa.
Por aqui casei.
Por aqui tive um filho maravilhoso.
Sempre acompanhado de perto por leitores e amigos, que também por aqui conheci.

Pois este espaço está completamente mudado.
Mudou de nome, mudou de cara, mudou endereço.
Só não mudou o autor.

Vou ser sincero com vocês: minha vontade em voltar a escrever como antes, não voltou.
Prefiro meu twitter.
Consigo dizer o que quero em pouco menos de 140 caracteres.
Não sei como será a atualização.
Só o tempo dirá.


Obrigado a minha esposa e hacker de plantão, Priscila Tescaro, que passou horas registrando o novo domínio e fazendo o novo layout.

Férias?


Hoje à tarde defini meu período de férias.
Muito mais por obrigação do que por vontade própria.
Até porque não estou com a mínima vontade de entrar de férias.
Tenho meus motivos, mas prefiro não externar por aqui.
Além da falta de vontade, vários fatores me levam a não tirar férias neste final de ano ou início de 2011.
O principal deles é a mudança de diretoria no Grêmio.
Não que eu tenha medo de que algo aconteça neste interim com relação ao meu trabalho (e tudo pode acontecer), mas muito mais pela ausência num momento importante de transição onde muita coisa será modificada e acredito a minha presença ser importante.
Mas nosso RH solicitou irremediavelmente a minha definição quanto às férias.
Levando em consideração as saídas dos outros dois jornalistas para o descanso, optei pelo período de 20 de dezembro até 18 de janeiro.
O certo é que dificilmente conseguirei usufruir deste tempo livre como deveria.
Minha esposa ainda não possui um ano na empresa em que trabalha. Isso quer dizer que não tem direito a férias. E isso muda tudo.
Teríamos apenas o final de semana para curtirmos juntos.
Poderia sair sozinho para uma viagem de descanso e contemplação, mas isto também está fora de cogitação. Além de ser muita cretinice da minha parte.
Com relação aos finais de semana, não acho que vale a pena todo o processo de deslocamento até o litoral com uma criança pequena junto. Isso sem falar no trânsito que teria que enfrentar na ida e na volta.
Ainda não mencionei meus outros dois filhos, Mártin e Maria Eduarda, e a minha obrigação legal em passar 15 dias das minhas férias com eles.
Vai ser bem complicado.
Mas assim é a vida.
Assim é a minha vida.
Escolhas foram feitas e as consequências delas fazem parte.
Seja o que Deus quiser.

Bom, parando pra pensar...uma cretinice a mais ou a menos não faz muita diferença.
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