30.11.10

Fanatismo

O Wikipédia define fanatismo como sendo “o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema”.
Dentro desta definição, destaque para a expressão “irracional”.
Sem dúvida, ela faz toda a diferença.
Existem milhares de exemplos por aí de fanatismo no futebol.
Onde o ódio passa a fazer parte do sentimento.
Onde atos irracionais acabam trazendo consequências muitas vezes irreversíveis.
Trabalhando há 20 anos com futebol, vivendo em constante contato com torcidas e com um mínimo conhecimento das relações humanas, já me deparei com diversos casos deprimentes que fazem pensar.

E ontem me peguei pensando até que ponto o fanatismo faz parte da minha vida e até que ponto posso me considerar um fanático.
Estou falando especificamente sobre o sentimento pelo Grêmio, é lógico.
Não foram raras as vezes que lendo o obituário da Zero Hora me deparei com um anúncio de falecimento com o escudo do Internacional e pensei: “menos um”.
Lógico que não fico feliz pela morte da pessoa, mas já que ela morreu mesmo e não há mais nada que se possa fazer, que pelo menos ela seja torcedora do Inter.
Já cansei de olhar as pessoas com outros olhos ao saber que torciam pelo Internacional.
Deixei de escutar as músicas da banda “Nenhum de Nós” tendo em vista sua grande identificação com o clube do Beira Rio.
Não leio Luiz Fernando Veríssimo por sua preferência clubística.
Não assisto aos espetáculos do “colorado” Zé Victor Castiel.
E coisas desse tipo.
Sei que é ridículo, imaturo e preconceituoso.
Mas faz parte do meu ser.
E vou dizer uma coisa: poderia ser muito pior.
Felizmente, meu grau de ”fanatismo” ainda consegue discernir o bem do mal, o certo do errado.
Sendo assim, não me encaixo na definição de “fanático”.
O quer seria esse sentimento então?
Existe uma definição?
Não há “mais” fanático e “menos” fanático.
O fanatismo já é o extremo.
Visto camisa vermelha.
Tenho amigos colorados com quem discuto futebol em alto nível.
Não fico irritado com gozações quando o Grêmio perde.
Respondo na mesma moeda e com criatividade.
Prefiro me definir como um “apaixonado”.

Mas sei também que paixão e loucura andam lado a lado.
E tudo pode mudar.
Seja como for, continuarei sem assistir aos espetáculos do Castiel.

4 comentários:

Pri Tescaro disse...

Bah... sensacional. Sempre!

Alisson disse...

Cara, também não escuto “Nenhum de Nós” e não leio Luiz Fernando Veríssimo.
Eu não uso nada vermelho.
Não compro nada da Reebok.
Se o Banrisul só patrocinasse "eles", tinha encerrado minha conta.
Jamais serei cliente da APLUB.
E nem cogitei em ir no show do Paul porque era no chiqueiro com patrocínio deles e da rbs (duplamente terrível!)
Mas como diz um amigo meu, sou fanático, porque "doente" é coisa de colorado!

Abraço!

Márcio Neves disse...

Hehehehehe, muito bom, Alisson!

ADRIANO GREMISTA disse...

Cara, eu sou assim também... e também tenho algumas restrições iguais às do Alisson, como não vestir vermelho e não comprar produtos da Reebok. Só que as vezes ainda ouço NDN, mesmo que ache ridículo o fato do Thedy ter dito a vida inteira que torcia pro Cruzeiro de Porto Alegre e só ter se declarado torcedor do time do aterro depois de 2006 (quando começou a história "deles")... No trabalho, se vejo que um cara torce pro time do aterro e é fanático como eu, evito falar, comentar futebol, etc, prá não rolar "stress"...

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