14.12.10

Sem palavras para descrever

Debruçado na janela do apartamento no 14º andar observava o movimento de saída do colégio que ficava na frente do prédio que eu morava.
Aperto no coração e dificuldade para segurar as lágrimas.
Ódio era o que eu sentia naquele momento.
E nada poderia fazer. Nada.
Sentimento de total impotência.

Nas cobranças de penalidade máxima, o Grêmio acabava de perder a final do Mundial para o Ajax, da Holanda.

Nas ruas, gremistas cabisbaixos buscavam retornar para suas casas ou para qualquer lugar onde houvesse um mínimo de consolo.
Em contrapartida, cruzavam por colorados eufóricos que, em nenhum momento, procuravam poupar ou respeita a dor alheia.
Muito pelo contrário, faziam questão de pisotear ainda mais sobre a ferida dilacerada.
Não era apenas uma derrota qualquer, como se fosse um Gre-Nal decidindo um Gauchão.
Era a chance do Grêmio se distanciar ainda mais em sua superioridade sobre o tradicional rival.
Uma vitória gremista àquela altura modificaria para sempre a história do futebol gaúcho.
Daria outro rumo ao que hoje conhecemos como “rivalidade Gre-Nal”.
Seria o divisor de águas.
E “eles” sabiam disso.
Sabiam da importância daquele jogo até para sua existência futura.
Aquela derrota doeu fundo na alma.
Ainda mais do jeito que foi.

Esperei aproximadamente seis horas desde o final do jogo desta tarde, entre Mazembe e Inter, pelo Mundial, para escrever alguma coisa neste blog.

Já li todos os sites, vi todos os programas.
Pensei, repensei.
Gargalhei.
E não achei palavras para descrever o que ocorreu lá pelas bandas do Golfo Pérsico.

Talvez o maior vexame da história do futebol recente no Brasil?
Provavelmente, sim.

Não tenho sentimento de revanchismo dentro de mim, mas logo após o jogo, aquele distante 1995 me veio à mente.
Assim como tudo que passei.
Tenho vários amigos que pagaram aproximadamente R$ 10 mil para irem ao Oriente Médio.
Compraram camisetas, turbantes, bandeiras.
Passaram quase um dia dentro de um avião.
Estes mesmos que torceram desesperadamente para o Goiás contra o Independiente na quarta-feira passada.
Lembram?
Pois é.
Eles estavam lá.
Curtindo do bom e do melhor.
Hotel sete estrelas.
Zero Hora na porta do quarto.
Radinho de pilha “de grátis”.
Essas coisas que nós acompanhamos daqui pela imprensa imparcial do Rio Grande do Sul.

Pra esse pessoal, só tenho uma coisa pra dizer.
E peço licença ao meu amigo Diego, argentino como D´Alessandro e Guiñazu:

- Que la chupen y sigan chupando!



Ps. A foto que ilustra a abertura deste texto pode não ter muito a ver, mas foi tirada minutos depois do término da partida entre Mazembe e Inter. Estava deixando a minha sala de trabalho, rumo à glória.Precisava desse registro para sempre.

Ah! Antes que eu me esqueça!
Eu avisei!

3 comentários:

Pablo Retamoso disse...

Grande Marcio!
Cara, to com 34 anos, e esperei 15 anos para me vingar.
Primeira coisa q me lembrei foi de 1995...e onde trabalho falei pra todo mundo: essa foi por 95!!!! To de alma lavada cara...a banca da vida paga e recebe. Me identifiquei contigo no teu texto! Demais! Desde a Batalha dos Aflitos o futebol não me dava tanta alegria!!! ahuhauhua

- Que la chupen y sigan chupando!

Essa é a frase!!

Saudações!!!

Paulo Roberto disse...

Cheguei ao teu site via blog tricolor do Lucas.
Primeiro parabéns pela qualidade dos teus textos, pois além de bem escritos são mui loucos...rsrs
Ontem me lembrei da minha mãe no final do jogo deles..
Ela era tão antcolorada que possivelmente sairia pelas ruas do Menino Deus emitando o KIDIABRA, e sua dancinha mágica...rsrsrs
Olha, dizem que jogar a Série B é vergonha. Pensava que era, mas apartir de ontem NOTEI que a famosa BATALHA dos AFLITOS divulgou o nosso Grêmio positivamente no MUNDO INTEIRO, e ontem, a BATALHA DO ADU BYEBYE apenas humilhou, serviu de chacotas em toda imprensa MUNDIAL.
Pois bem, o tal dos Campeões de Tudo não são Campeões de Tudo...não são Campeões do Congo!
95 foi doloroso para nós gremistas, ainda mais porque os colorados diziam que nós trememos na frente da camisa vermelha do Ajax.
Pois bem, então me perdoe Márcio Neves, eles ontem se cagaram só de imaginar que teriam de enfrentar um clube na final com a camisa igualzinha a nossa..
A Vida não sei se faz vinganças, mas o aborto da Natureza foi em 2006, pois só ganharam Mundial após roubarem do Nacional.
E o resto todos agora sabem...
"mesmo em possíveis vexames o Grêmio transforma limão em limonada, AFLITOS que o diga, agora eles...transformam as Mil Noites em um filme de terror, ou melhor, numa legítima comédia dos 3Patetas...ou seria 11?"

Um grande abraço Márcio.

Márcio Neves disse...

Caros amigos Pablo e Paulo Roberto.

Primeiramente, obrigado pela visita e pelos elogios. Melhor coisa!
Sobre o jogo histórico, nunca vivi nada igual. Certamente vai ser um daqueles dias que lembraremos todos os detalhes desde a hora que acordamos.
Mas faz parte do futebol. Realmente o mundo dá voltas e certas situações deixam uma espinha cravada na garganta.
Mas só vou descansar quando "eles" cairem. E não vai demorar.

Abs pra vocês e apareçam sempre

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