31.12.11

Sou um retardado

Isso mesmo.
Sempre fui um pouco retardado.

Sei que a frase inicial deste post é um tanto polêmica ou surpreendente, mas quem me conhece mais profundamente pode entender o que quero dizer.
E o que quero dizer é que as coisas na minha vida sempre aconteceram um pouco depois do que acontece na vida das pessoas normais.
Na minha adolescência, enquanto meus amigos se preocupavam em ficar correndo atrás das menininhas, eu passava meus finais de semana jogando botão em casa.
Achei necessário ilustrar com um exemplo.

Num primeiro momento, considerava esta lentidão um tanto quanto preocupante.
Não propriamente pelas consequências que trazia pra minha vida, mas pela pressão da sociedade.
E quando falo sociedade, quero dizer “família”.

Um dia meus pais me chamaram para um papo sério.
Estavam preocupados com minha dificuldade em amadurecer.
Minha mãe até chorou.
Não queria um filho vagabundo morando na casa dela até aos 45 anos.
Até entendi o desespero deles, mas a verdade é que não via nenhum motivo para acelerar o meu amadurecimento.
Por outro lado, eles tinham grande parcela de culpa nisso tudo.
Sempre tive uma vida confortável.
Sempre tive tudo que quis.
Nunca precisei batalhar e encarar a vida de frente.

Mas sei que não foi por mal.
Fizeram o que fizeram por amor.
Para me proteger.
Essa parte foi para tranquiliza-los, caso estejam lendo.

Mas o tempo foi passando, e aos poucos foram vendo que as coisas iam se ajeitando na minha vida.
Até larguei o futebol de botão para correr atrás das menininhas.

Um grande erro.

Quando tentei acelerar o processo, acabei me dando mal.
Troquei os pés pelas mãos.
Coloquei a carroça na frente dos bois.
E até hoje arco com as consequências.
Tivesse seguido meu ritmo “retardado” não teria feito tanta merda nessa vida.
Agora não adianta chorar o leite derramado.

Desculpem-me os jargões, mas esse papo todo veio hoje na minha cabeça depois de assistir uma reportagem especial do canal SporTV durante o voo que me trouxe de Campinas para Porto Alegre.
A matéria, longa e bem produzida, era sobre o efeito da idade (do passar do tempo) sobre o corpo e a mente dos atletas de alto-rendimento.
O desgaste.
O término da carreira.
As desilusões.
A ascensão e queda.

Em 2012, completo 40 anos de vida.
Já não sou mais um guri.
Já estou na fase descendente.
Ou seja, já passei da metade da minha existência.
Cronologicamente pensando, estou na contagem regressiva para a morte.

Nossa!

Parece trágico, mas não é.
Seria trágico, não fosse um detalhe:
Não me sinto com 40 anos.
Não me sinto com 40 anos nem física e nem mentalmente.
Me sinto jovem.
Me sinto bem.

Hoje não me preocupo mais com a maturidade.
Muito pelo contrário:
Hoje me sinto feliz por ser um retardado.
Que assim seja até o fim.

19.12.11

Santos se borrou

Pessoas me abordam na rua e imploram para que eu teça algumas palavras sobre a decisão do Mundial entre Santos e Barcelona.
Até pelo fato de eu ter publicado na véspera do jogo, pelo Twitter, que o resultado final do cotejo se daria nas cobranças de penalidade máxima.
Fui cobrado de forma incisiva por isso.
Ainda que tivesse dito que o Barcelona seria campeão (e acertei) confesso que acreditava que o Santos exigiria um pouco mais da equipe catalã.
A própria história do Mundial de Clubes mostra uma resistência maior e até superioridade das equipes sul-americanas sobre a prepotência e empáfia dos europeus.
Principalmente na antiga Copa Intercontinental, disputada em apenas um jogo.
Foi assim com o Grêmio batendo o Hamburgo, o Vélez ganhando do Milan e, mais recente, o Internacional surpreendendo o Barcelona.
Mas não foi o que vimos neste último confronto.

Depois da eliminação do Inter para o Mazembe, no Mundial de 2010, a derrota do Santos por 4 a 0 para o Barcelona foi a maior vergonha do futebol brasileiro na competição.
Ainda que tenha sido contra o Barcelona, o grande time do momento, que possui o melhor jogador do mundo, não poderia ter sido da maneira que foi.
Não poderia ter sido tão humilhante e tão desparelho.

No último dia 26 de novembro, esse mesmo Barcelona perdeu de 1 a 0 para o Getafe.
Quem é o Getafe?
O que este time tem que o Santos não tem?
Se bobear, o Sapucaiense ganha do Getafe.
Esse é só um detalhe para deixar claro que o Barcelona também perde.
Não é tudo isso.

O Santos foi covarde.
Foi cagão.
E, para ser ainda mais chulo: o Santos abriu as pernas bonito.
Ninguém foi capaz de dar uma chegada mais forte no Messi.
Ninguém mostrou espírito de decisão.
Ninguém assumiu a bronca.
Ninguém foi capaz de decidir quando teve a chance.
Ou vão esquecer que Borges e Neymar perderam gols cara a cara com Valdés?
Perderam sim. Chegaram lá. Mas tremeram as perninhas.

Vocês acham que o Messi conseguiria fazer firula na frente do Dinho?
Ou o Xavi entraria driblando na área sendo marcado pelo De León?
Até o Sandro Goiano seria capaz de colocar o Iniesta no alambrado.
Não estou fazendo apologia à violência.
É apenas uma visão metafórica do que imagino como jogo decisivo de Mundial.
E o Santos não apresentou.
Para o time da Vila, parecia um amistoso do Trianon no Sessinzão, em Cidreira.

Para finalizar, vou dizer outra coisa: se eu juntar um grupo de amigos e formar um time para enfrentar o Barcelona, não faremos tão feio quanto fez o Santos.

E deixa o Messi comigo.

15.12.11

Bicampeão do Brasil - Há 15 anos


Já estava conformado em não estar presente em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio: a decisão do Campeonato Brasileiro de 1996.
Me recordo como se fosse hoje.
Meu estágio na equipe de esportes da Rádio Gaúcha me obrigava a trabalhar nas jornadas esportivas no estúdio, no prédio da Érico Veríssimo.
Havia sido assim durante todo o ano.
Mas aquele era um domingo especial.
Coração batendo mais forte e aquele clima de decisão tomando conta.
O evento mobilizou toda a equipe da rádio desde cedo.
Cheguei à emissora às 8h30 e não teria hora pra ir embora.
Estava ansioso e pessimista com relação ao jogo.
A derrota de 2 a 0 na primeira partida, em São Paulo, abalara minha confiança.

Logo após o almoço, o Cleber Grabauska, chefe da equipe, me chamou e comunicou: “O (programa) Pré-Jornada vai ser direto do Olímpico e tu vais com o Macedo pra lá. Quando terminar, tu volta”.

Acatei prontamente a ordem e, em poucos minutos, já estava no Olímpico usando uma camisa da RBS.
O trabalho faz com que a gente fique focado e esqueça um pouco todo o ambiente em volta.
Mas o Olímpico estava lindo, lotado.
Lembro de vários helicópteros das emissoras de TV sobrevoando o estádio.
Aquele ruído ensurdecedor misturado com o alarido da multidão que chegava confiante.
Uma loucura!
Faltando aproximadamente meia hora para o início da partida e com o programa finalizado, me preparava para retornar ao estúdio quando fui chamado ao telefone que fica na pequena sala da Rádio, no setor de imprensa. Do outro lado da linha, o Cleber Grabauska perguntando: “Já terminou tudo que tinha que fazer?”. Respondi que sim e disse que já estava voltando, quando ele me surpreendeu: “Tenho um presente pra ti. Pode ficar aí no estádio e assiste ao jogo. Sei que tu queres muito isso”, e desligou sem me deixar agradecer.

Emocionado demais, pensei comigo mesmo: “é grande esse Cleber!”.

Quando me dei conta, a bola já estava rolando e eu, devidamente credenciado, posicionado estrategicamente atrás do gol, junto às placas de publicidade, seguindo o ataque tricolor.

Não demorou muito para Paulo Nunes abrir o marcador.
Contido, preferi optar pela postura profissional, sem comemorar.
Afinal, estava ali representando a RBS, uma empresa imparcial.

(Pausa para os risos)

O jogo seguiu tenso até o final da segunda parte.
Com o resultado de 1 a 0, a Portuguesa conquistaria o título.
Estava pessimista...
O tempo ia se esgotando e nada de chegarmos ao segundo gol.
Do meu lado, um repórter de uma rádio de São Paulo torcia descaradamente: “A Lusa vai ser campeã! A Portuguesa vai calar a boca desses gaúchos arrogantes! É a vitória do bom futebol sobre a violência de um time que só sabe dar pontapé!”, berrava no meu ouvido.
Cada vez que ele falava isso, olhava na minha cara de propósito, com sorriso irônico no rosto.
Pensei comigo: “assim que o jogo acabar, vou dar uma porrada nesse infeliz. Posso ser preso, mas ele não vai mais se levantar do chão”.

Mas não precisou: a porrada certeira e devastador foi dada pelo Ailton, há três minutos do final da partida. Era o gol do título gremista.
Aos prantos, de joelhos, comemorei não só a conquista, mas o fato de não precisar quebrar a cara do futuro colega de profissão.

Aos berros, ao lado do Felipão, eu fazia sinal pro árbitro terminar o jogo:

“ACABOU! ACABOU, PORRA!”

No apito final, fui o primeiro a invadir o campo em desabalada carreira para comemorar.
Nessa hora, mandei para o espaço o que restou da minha postura profissional.

13.12.11

7.12.11

Sócrates e a caneta do Odair

É inegável que Sócrates foi um dos maiores jogadores do futebol brasileiro.

Pessoas da minha geração, que viveram a fundo os anos 80, certamente acompanharam mais de perto a trajetória deste atleta que fez seu nome defendendo o Corinthians.
Não vou nem falar nas questões extra campo e engajamento político, algo que não me ligava muito na época.

Dizem que Sócrates não pode ser chamado de “atleta”, pois sempre levou uma vida desregrada fora de campo (e a causa de sua morte está aí para comprovar).
Mesmo assim, ao contrário de outros, não recordo que o excesso de bebida tenha prejudicado seu lado profissional.

Apesar de tudo, não guardo muitas recordações do Sócrates como tenho do Zico ou do Roberto Dinamite, ídolos contemporâneos do “Doutor”.

Para falar a verdade, a grande lembrança que levo dele foi num jogo contra o Grêmio quando Sócrates defendia o Flamengo (sim, ele jogou pelo Flamengo). Diante das sociais do Olímpico, levou um drible desconcertante do pequeno Odair, pelo meio das pernas. A diferença de estatura entre os dois tornou a cena ainda mais constrangedora para o adversário gremista.
A galera foi ao delírio e, para completar o quadro, Sócrates mandou um gesto obsceno em nossa direção.

Jamais vou esquecer.

2.12.11

No campo dos sonhos

Trabalho no Grêmio desde 1999.
Nesses 12 anos joguei futebol apenas duas vezes no gramado principal do Olímpico.

A primeira delas, na preliminar de um jogo de quartas-de-final de Campeonato Brasileiro contra o Santos. Não recordo ao certo que ano foi, mas lembro que o estádio estava lotado.
Atuei defendendo as cores da ACEG (associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos) contra a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinegrafistas).
Era um jogo festivo, bagunçado e desorganizado, mas deu pra sentir a emoção de estar pela primeira jogando no gramado sagrado do Monumental.
Levantei a massa após uma pique de 40 metros ao receber um lançamento na ponta direita.
Fui expulso no segundo tempo (só um detalhe menor).

Minha segunda vez foi num domingo pela manhã, mas com o estádio vazio.
Joguei de zagueiro e me destaquei cobrando tiro de meta já que era o único que tinha força pra colocar a bola no meio campo.
Cheguei a dar um chute a gol, mas mandei por cima da trave (excesso da maldita força).

Bom, toda essa ladainha inicial foi empolgação ao saber que na próxima sexta-feira voltarei a atuar no campo principal. Não tenho dúvidas de que será a última vez antes da demolição.

Estando por dentro dos bastidores do Clube, sei da dificuldade que é liberar o campo principal para algum evento de fora. Por isso, valorizo essa oportunidade.
Existe um ritual de cuidado muito grande com a grama, que passa pela avaliação de uma agrônoma. Existe um período certo para plantar novas sementes e para corte. Uma frescurada que faz do gramado do Olímpico um dos melhores do Brasil.

Há algum tempo, li no site da Portuguesa uma promoção onde o torcedor pagava uma quantia em dinheiro (R$ 990,00) para jogar uma partida no gramado do Canindé. Achei excelente a ideia!
Mas, com todo o respeito, é o Canindé.
Nada contra, mas não podemos comparar com o Olímpico.


EM LONDRES.


Tudo isso me fez lembrar de um relato do responsável pelo tour do estádio de Wembley, em Londres. Um dos maiores estádios do futebol mundial. Não pelo tamanho em si, mas pela importância na história.

Me considero um privilegiado por ter tido a oportunidade de conhecer o antigo estádio de Wembley, antes da demolição e da construção de um novo.
Já faz muito tempo, lá no início dos anos 90 do século passado.
Mas, ainda assim, guardo na memória cada passo percorrido no interior daquele templo.

O Tour, extremamente organizado, com hora marcada, com venda de ingresso e com acompanhamento de um guia, faz de tudo para que o visitante leve pra casa as melhores lembranças.

Não quero contar aqui os detalhes desta visita, portanto passarei ao ponto relevante e que vem ao encontro do tema do post: pois no momento final do tour, o visitante sai do vestiário principal e simula uma entrada em campo ao som ensurdecedor da torcida entoado nos autofalantes. O estádio está vazio, mas o barulho ecoa pelas arquibancadas vermelhas dando uma sensação inesquecível.
Falei que a pseudo entrada em campo era apenas uma simulação, pois nós não pisamos no gramado.

Me dirigi ao guia e praticamente implorei para apenas fazer uma foto com os pés dentro do campo, mas a resposta dele me surpreendeu:

“Ninguém coloca os pés no gramado de Wembley. Apenas os jogadores da seleção inglesa, os jogadores que disputam a final da Copa da Inglaterra e os funcionários que trabalham aqui quando fazem uma partida festiva no final do ano”.

Na hora, imaginei a alegria e o orgulho daqueles funcionários.

Portanto, amigos que estão vivenciando este momento de poder atuar no gramado sagrado do Olímpico, sintam-se orgulhosos e privilegiados.
Aproveitem cada segundo.
Beijem a grama.
Façam fotos e guardem para sempre.
Pois esta será a última vez.

Não tenho dúvidas de que na Arena não será tão fácil.

25.7.11

Vida de merda

Com o decorrer da vida, a cada ano que passa, acabamos enredados num emaranhado de situações que, tal como uma bola de neve, vai crescendo à medida que desce montanha abaixo.

Tais situações consomem a sua vida corroendo seus planos e seus sonhos.
Quando você se dá conta, o melhor dos seus anos já passou e viver é apenas uma mera formalidade cotidiana.
Isso se você se der conta, pois a maioria nem percebe.
Como voltar no tempo e fazer diferente?
Infelizmente, isso não é possível.
E Jogar tudo pro alto para tentar começar do zero?
Seria uma decisão extrema, pois certamente atingiria outras pessoas que precisam da sua sanidade mental ilesa.
Vale correr o risco?
Você conseguiria conviver com as consequências deste gesto?
Provavelmente não.
Dizem os entendidos que vontade dá e passa.
Espero que passe logo, antes que seja tarde demais.

Pois já cansei de fazer merda nessa vida.

30.3.11

Rudi Armin Petry

Ao chegar ao Olímpico na manhã desta quarta-feira, fiz questão de me despedir do “seu” Rudi Armin Petry, ex-presidente gremista falecido ontem, cujo corpoo está sendo velado no Salão Nobre do Conselho Deliberativo.

Qualquer pessoa que conheça um pouco da história centenária do Grêmio sabe a importância que Petry teve para o Clube.
Sua característica pacificadora era explorada sempre que alguma crise ameaçava o Clube de alguma maneira.
Criador da célebre expressão “assunto de economia interna”, tratava e resolvia todos os problemas dentro de quatro paredes, sem deixar transparecer as desavenças e as disputas de vaidade.
Basicamente porque não alimentava a vaidade.
O Grêmio como instituição sempre esteve acima de tudo.
Respeitado até pelo mais tradicional adversário, “seu” Petry deixou um legado e ensinou como se deve portar um grande dirigente de futebol.

Tive a honra e o prazer de conviver bem de perto com “seu” Rudi Armin Petry várias vezes nestes meus 12 anos de Clube.
Senti na pele o carisma e a bondade no trato com as pessoas, sem fazer diferença entre o maior dos medalhões e o mais humilde dos funcionários.

A história que conto abaixo se passou no ano de 2003, durante o tradicional Jantar Farroupilha, evento que faz parte da programação oficial de aniversário do Grêmio e que celebra a conquista do Campeonato Farroupilha de 1935.
O time andava mal das pernas, nas últimas colocações na tabela de classificação e seriamente ameaçado de rebaixamento.
Os problemas financeiros eram tantos, que os funcionários estavam há meses com os salários atrasados. Uma crise sem precedentes e nada para comemorar.
Ainda assim, as festividades de aniversário de 100 anos ocorreram normalmente.
Pois durante o Jantar Farroupilha, fui ao banheiro da churrascaria.
Lá entrando, me deparo com “seu” Petry em frente ao espelho.
Cumprimentei-o carinhosamente, no que ele respondeu com a voz suave:
- As coisas não estão bem, né, Marcinho? – Ele me chamava assim.
- É verdade, “seu” Petry. Nossa situação está bem complicada.
Dois dias antes, o Grêmio acabara de perder mais um jogo para o Coritiba e estava nas últimas posições.
Com a mesma voz suave, “seu” Petry continuou.
- Nunca vi o Grêmio desse jeito. Está muito difícil pra mim.
E as lágrimas começaram a escorrer daqueles olhos azuis.
Senti naquele momento que um homem que havia dedicado sua vida ao Grêmio estava, de alguma forma, entregando os pontos.
Tomado por um sentimento de carinho e compaixão, abracei forte o “seu” Petry e disse em tom reanimador:
- A gente vai dar a volta por cima, “seu” Petry! Levanta essa cabeça e não desiste.
Ele não desistiu.
O Tricolor conseguiu fugir do rebaixamento na última rodada, contra o Corinthians, depois de dois jogos históricos fora de casa contra Criciúma e Santos.

Depois deste acontecimento singelo, passei a admirar ainda mais aquele homem não só por todos os adjetivos já mencionados neste texto, mas também pelo seu “gremismo”.

25.3.11

Nem tudo são flores

Não consigo ver meus filhos há pelo menos um mês.
Não atendem meus telefonemas. Não retornam minhas mensagens.
Nem mesmo tendo direito garantido de pegá-los em finais de semana alternados e nas quintas-feiras está sendo suficiente.
Não consigo colocar em prática este direito.
Com o passar do tempo, vou sentindo que estão cada vez mais distante.
Não há mais contato.
Não há mais diálogo.
Passam os dias sem que eu saiba o que anda acontecendo.
Como estão na escola, o que gostam de fazer, quais as brincadeiras preferidas, quais seus medos e suas alegrias. Coisas básicas do crescimento de um filho que o pai gosta de participar.
Uma convivência que foi cortada de uma hora pra outra com a separação.
Já cansei de ouvir que o marido se separa da esposa, mas não se separa dos filhos.
Pois comigo essa teoria não se concretizou.
Infelizmente, as pessoas que detém a guarda dos meus filhos do primeiro casamento não estão preocupadas com a saúde mental das crianças.
Desde a minha saída de casa, bombardeiam os pequenos com informações inverídicas a meu respeito.
Acabando com qualquer sentimento bom que poderia existir para comigo.
Um ato de covardia inominável, que certamente reflete no dia-a-dia dos pequenos, que não tem culpa do que acontece.
A lavagem cerebral foi tanta contra mim que hoje nenhum dos dois mostra interesse em estar comigo, ou passar comigo algum tempo.
E se mostram, recebem uma dura repreensão.
Tão dura que preferem nem mostrar.
Estão acabando com o amor que existia entre pai e filha e pai e filho.
Tenho medo do que virá pela frente.
Cheguei a pensar que, com o tempo, eles fossem capazes de perceber quem é quem nesta relação. Com a maturidade, teriam discernimento para perceber o mal que sofreram durante todos esses anos. Porém, com o passar dos dias e o distanciamento, já começo a acreditar que a situação é irreversível.
Tenho as mãos atadas, não sei o que fazer.
Procuro meus direitos de pai junto à justiça e obrigo o cumprimento da decisão judicial ou aceito o desejo e a opinião dos pequenos?
Difícil.
Por outro lado tenho uma família pra cuidar.
Uma esposa nova e um novo filho que precisa do meu carinho e da minha atenção.
Lógico que um novo filho não ameniza a dor da separação dos outros dois, mas faz com que toda essa ânsia de cumprir o papel de pai seja direcionada apenas pra ele.
Aliás, a chegada do pequeno Pietro foi prato cheio para que colocasse em prática o plano denominado “teu pai gosta mais do filho novo do que de vocês”.
Nada pode ser mais cruel para uma criança do que uma mentira dessas sendo repetida diariamente na cabecinha delas.
O que acontece?
Qualquer pessoa que não entenda muito de psicologia sabe que a mentira acaba virando verdade para quem não tem muita estrutura emocional.
É muito triste.

Já faz bastante tempo que a Maria Eduarda optou por não mais passar comigo os finais de semana.
Tem seus motivos pessoais.
Bate de frente com minha esposa atual.
É mais ligada à mãe e à avó materna, facilmente influenciável.
Foi minha primeira filha.
Éramos ligados demais um no outro.
Foi a que mais sentiu a separação.
Sem dúvida, deve guardar essa mágoa dentro do peito.
O Mártin era pequeno na época.
Chegou a resistir certo tempo à lavagem cerebral, mas hoje já está no mesmo caminho da Duda.
Aceitando a “mentira verdadeira” que é imposta diariamente.

É difícil escrever sobre isso.
As ideias me vêm à cabeça de forma desorientada e não consigo organizá-las em palavras.
Só sei que o aperto que levo dentro do peito é insuportável.
Tão insuportável que decidi colocar pra fora neste espaço.
Não estou conseguindo conviver com essa situação.
Não dá pra fingir que está tudo bem.
Levar a vida na alegria, como eu costumo levar.
Sei que minha nova família não tem nada a ver com isso, mas é ela que sofre as consequências. Infelizmente.
Espero que possam entender e me apoiar.
Pois tudo que menos preciso agora são de críticas e julgamentos.

Passei muito anos levando uma vida autodestrutiva.
Me deixando levar pra baixo.
Liquidando com minha autoestima, minha ética e minha forma de ver as coisas.
Conheci a maldade e a falta de caráter. Situações presentes na vida de todo mundo, mas que na minha, eram apenas realidade nas novelas da TV.
Quase afundei definitivamente.

Levou bastante tempo, mas consegui reverter a situação.
Ainda pago pelas escolhas mal feitas, mas conto com o apoio das pessoas queridas para recomeçar.
Recomeçar de todas as maneiras.

Desculpa encher vocês com este papo.
Mas precisava fazer alguma coisa sobre isso.
Os acontecimentos têm superado todos os limites, e podem continuar desta maneira.
Preciso fazer alguma coisa.
Pois, se tem algo que aprendi nessa vida, é que o bem vence o mal.
Preciso colocar isso em prática.

Não vai ser fácil.

22.3.11

Pedido de desculpas ao povo de Rondonópolis

É uma pena que a população de Rondonópolis (pelo menos uma parte dela) não tenha entendido o teor debochado e humorístico deste blog.

Sendo assim, de forma espontânea, venho me dirigir às pessoas de Rondonópolis que se sentiram ofendidas com o post publicado em fevereiro do ano passado (e que já foi retirado do blog) para pedir minhas sinceras desculpas e dizer que, de forma alguma, tive o intuito de ofender a cidade e a população local.

Concordo que o texto foi genérico e infeliz no seu conteúdo, mas sem nenhum teor destrutivo.

Fui muito bem recebido e muito bem tratado em Rondonópolis e só trouxe para Porto Alegre as melhores lembranças.

É evidente que todas as cidades têm suas coisas boas e suas coisas ruins.

Em nenhum momento comparei Rondonópolis com Porto Alegre e/ou Rio Grande do Sul com Mato Grosso.

Já viajei boa parte do mundo e aprendi que não existem lugares melhores ou piores, mas apenas diferentes.

Além disso, quem me conhece sabe que sou uma pessoa de boa índole, sem preconceitos, que preza a amizade e a paz entre os povos. Espero, portanto, que esse post sirva para amenizar a ira e a revolta de parte da população de Rondonópolis para comigo.

Ofensas, agressões e ameaças, não fazem parte da minha vida e do meu dia-a-dia. Para esses, prefiro o silêncio.

Mas quem quiser manter um diálogo franco, discordando ou concordando comigo, estou aberto para receber qualquer tipo de opinião e comentário dentro dos limites da educação.

Sem nenhuma demagogia, ainda pretendo voltar a Rondonópolis e tenho certeza que serei muito bem recebido outra vez. Quero conhecer também Cuiabá, já que só vi de passagem.

Quem sabe um dia?

A gente nunca sabe o que a vida nos prepara.

15.3.11

Ética e jornalismo não se aprendem na faculdade

Ontem recebi da amiga Nathalia Alonso, estudante de jornalismo no IPA, um e-mail solicitando que respondesse uma pergunta para um trabalho da cadeira de Redação e Expressão Oral:


“Quais são as características essenciais ao profissional do jornalismo na sociedade atual?”

Respondi exatamente assim:

"Acredito que ninguém aprende de uma hora pra outra a ser jornalista. Isso está no sangue, é genético. A faculdade nos aperfeiçoa e nos indica qual caminho seguir, mas o dom já nasce com a gente.
A principal característica do bom profissional é ter o jornalismo no sangue. Independente da época e de realidade social que ele enfrenta.
Sendo assim, terá capacidade de adaptação às novidades e à evolução dos meios de comunicação.
Precisa estar sempre conectado com o mundo para não ser atropelado pela avalanche de informações que desce montanha abaixo. Buscar cada dia mais conhecimento sobre tudo e sobre todos.
Ter capacidade e conhecimento para filtrar o que é relevante ou não dentro do seu interesse e área de atuação. Poder se síntese é fundamental hoje em dia.
Ter uma boa agenda de contatos, um círculo de amizades. Possuir fontes de confiança. Saber “o que” e “quem” pode ajudar, e “quando” ajudar.
Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente.
Ter um excelente texto, saber se comunicar oralmente com as pessoas. Capacidade de transmitir suas informações de forma diferenciada e interessante.
Finalizando, um bom jornalista precisa ter o “feeling”, o sentimento, o instinto da notícia. Aquilo que faz com que esteja no lugar certo, na hora certa."

Evidente que se trata de uma visão resumida, até porque, se fosse escrever todas as características que acredito serem essenciais para um jornalista nos dias de hoje, gastaria algumas laudas.

Eis que, na tarde desta terça-feira, surge o fato que me chamou a atenção:
A divulgação na web de um conversa em “off” do “jornalista” Jorge Kajuru com o técnico Renato de uma suposta negociação do treinador gremista com o Fluminense.

Foi então que me lembrei da resposta enviada por e-mail horas antes à jovem estudante de jornalismo do IPA.

“Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente”.

Fiquei feliz e orgulhoso por ainda ter lembrado destas características mesmo já tendo 14 anos de profissão, todos eles dentro do jornalismo esportivo, onde nem sempre são levadas em consideração (vide o fato acontecido).

Por isso que eu digo: ética e jornalismo não se aprendem na faculdade.
Estão no sangue.

Jamais se deve expor uma fonte desta forma. Jamais se deve gravar e divulgar uma conversa em “off” sem a autorização de uma das partes (principalmente quando uma delas pede para que não seja divulgada).

Quem conhece o referido profissional (e eu já tive a oportunidade de conviver com ele na época em que eu trabalhava como assessor do Ronaldinho) sabe a forma como ele atua profissionalmente.

É uma característica dele.
Assim ele ganha a vida.
Tem gente que gosta desse tipo de profissional.
Mas tem outros que não aceitam.
Cada um sabe o que faz, e deve arcar com as consequências.
E as consequências são: um profissional mal visto pelos colegas. Com uma péssima reputação e com uma pilha de processos nas costas.

Sem querer ser piegas e cair no senso comum, espero realmente que estes ensinamentos de ética e profissionalismo possam acompanhar estes aprendizes que vem por aí.
Que não tenham o caráter corrompido.
Pois não há nada melhor do que chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho, poder abraçar a família e deitar a cabeça no travesseiro para ter uma boa noite de sono.

@marcio_neves - 2000 seguidores

Depois de atingir a marca de 2000 seguidores (segundo minha esposa, 95% dos usuários do twitter não possuem mais que 300) decidi fazer um sorteio para contemplar essa façanha.


Num primeiro momento pensei em sortear uma foto minha de sunga, mas quando isso foi divulgado, meu número de seguidores começou a diminuir.

Não entendi a razão.

Depois de analisar bem e chegar à conclusão que esse sorteio me traria problemas pessoais tendo em vista o assédio feminino, optei por sortear uma camisa autografada pelo Renato.

Acho que vale a pena marchar com alguns reais em detrimento destes abnegados seguidores que acompanham minhas divagações diárias.

Portanto, a partir da tarde desta terça-feira, até às 15h de quinta, todos os mais de 2000 seguidores que retuitarem a frase que será divulgada (juntamente com o link) estarão participando do sorteio e concorrendo a uma camisa oficial do Grêmio com o autógrafo do Santo Portaluppi.

O vencedor será contatado pelo meu twitter oficial (@marcio_neves) e terá a oportunidade de escolher o tamanho e o modelo da camisa (tricolor, celeste ou branca).

Eu mando a camisa via Sedex para qualquer lugar do mundo!

Tomara que ganhe alguém de Rondonópolis.

1.3.11

Dormindo com Alonso

Quem tem mulher, vai entender o que eu vou contar:
Sabe aquele dia em que ela acorda insatisfeita com a casa?
De uma hora pra outra parou de gostar das coisas.
Não gosta mais da sala, do sofá, da decoração, da cor das paredes...
Pois é.
Não tem jeito.
Foi isso que aconteceu com a minha no último final de semana.
Decidida em mudar algumas “coisinhas” em casa, fomos dar um pulo na Leroy Merlin da Sertório.
Dentre as várias coisas escolhidas pela patroa, me chamou a atenção uma obra abstrata feita de madeira.
Várias curvas entrelaçadas sem definição aparente.

- O que é isso? Eu quis saber.
- Não sei exatamente o que significa, mas vou colocar para enfeitar nossa cabeceira, atrás da cama. Disse ela.

Já em casa, vendo TV, Priscila me chama para ver como ficou a montagem da peça na parede do quarto.
Parado, ao pé da cama, fiquei alguns minutos observando aquele desenho abstrato.

- Que estranho. Comentei coçando o queixo e olhar fixo na parede.
- O que foi?

Levei alguns segundos para responder:

- Acho que eu descobri o que significa esse desenho.
- Não significa nada, Má. É só uma obra abstrata.

Pois, a partir daquele momento, a obra deixou de ser abstrata pra mim. Como naqueles desenhos de ilusão de ótica, meus olhos foram captando o sentido da imagem:

- É um carro de Fórmula 1! Gritei emocionado com a descoberta.
- Tá maluco?
- Claro que é! Um Fórmula 1 visto de frente! Olha aqui o capacete do piloto, as rodas, não consegue ver?

Com a boca aberta, o semblante de surpresa vai se transformando em decepção. E Priscila murmura lamentando.

- Não acredito nisso. Comprei um carro de Fórmula 1 pra decorar o nosso quarto.

Depois de alguns minutos gargalhando, dei a sugestão:

- Joga fora.
- Que nada. Não vou rasgar dinheiro.

Resultado disso tudo: hoje temos uma cabeceira com a imagem de um carro de Fórmula 1 de cabeça pra baixo.

- Ninguém nota que é um carro de Fórmula 1. Diz ela tentando me convencer.

Mas não tem jeito.
Hoje eu olho pra “obra abstrata” e não consigo ver outra coisa que não seja um carro de Fórmula 1.

E você?



31.1.11

Gre-Nal é Gre-Nal até no Central

Fotos tiradas do site holandês Football Culure.
Dica do Ducker

Legal mesmo são os trapos da torcida nas "arquibancadas".

Lembranças de acampamento

No último final de semana, saímos para comprar um novo aparelho de televisão, tendo em vista que minha TV comprada para assistir a Copa de 1994 definitivamente foi pro saco.
Na loja onde adquirimos o produto, havia uma seção de camping com diversos tipos de barracas.
Enquanto aguardava todos os trâmites burocráticos para liberação da TV, relembrei de todas as vezes em que acampei.
Foi então que descobri que nenhuma delas me trazia boas recordações.

Guarda do Embaú I

Minha primeira experiência dentro de uma barraca foi com meu tio Childrey (Sim. Esse é o nome dele).
Foi por meados de 1985.
Ele me colocou dentro de uma Kombi com a mulher e os dois filhos e fomos acampar na Guarda do Embaú, quando esta praia catarinense ainda era completamente desabitada.
Meu tio era assim, meio sem noção.
Adepto à cultura hippie.
Cabelos compridos, dieta macrobiótica, essas coisas.
Hoje ele é uma pessoa normal.

Bom, nossa barraca ficou montada em um terreno no meio do mato.
Era pequena.
Apertada para cinco pessoas.
No dia seguinte, quando voltamos de um passeio pelas praias vizinhas, encontramos uma vaca dentro dela.
Destruiu tudo e acabou com nossos mantimentos.

Guarda do Embaú II

A segunda experiência foi logo depois.
Desta vez já com uma barraca própria comprada pela família (exatamente igual a essa).
Ainda assim, uma experiência não menos traumática.
O local foi o mesmo: a Guarda do Embaú.
Desta vez Childrey (ele outra vez) alugou uma casa de pescador para poder convidar mais gente.
Montamos a barraca no pátio desta casa.
Luiz Nei e Juçá, adeptos ao conforto e às boias coisas da vida, foram obrigados a dormir num colchonete num dos quartos da barraca.
No outro, espremidos, Leila, Marcos e eu.
Calor infernal.
O sofrimento por si só já começava aí.
No terceiro dia de acampamento, metade da família foi acometida por uma virose intestinal graças a um sorvete de coco queimado ingerido na cidade mais próxima.
Foi triste.
Luiz Nei foi o que mais sofreu.

Canasvieiras

Mas a pior de todas as experiências foi a terceira, no verão de 1991.
Desta vez não tinha família nem Childrey.
Mas tinha a barraca.
Eu, juntamente com o xará Márcio, amigo da praia, decidimos acampar em Santa Catarina.
Barraca no porta-malas do meu Fiat Uno 1.6 R, seguimos rumo à Ilha da Magia.
Montamos acampamento em Canasvieiras.
Um camping de verdade, grande.
Um mínimo de infraestrutura.
O dono do local nos ajudou.
Deu algumas dicas.
Alertou para que montássemos a barraca em um local mais alto para que, em caso de chuva, ela não ficasse embaixo d´água.
Seguimos à risca tal conselho.
A barraca ficou supimpa!
Com cara de lar.
Tinha até uma mesa e cadeiras de praia.
A noite se aproximava, e antes de sair para um passeio pela cidade, deixei minha cama arrumada e ainda coloquei um espiral de “Boa-Noite”, um veneno para mosquitos.
Já no centrinho de Canasvieiras, repleto de argentinos, começou um temporal.
Imaginei ser uma chuvinha passageira de verão.
Mas ela veio com tudo.
Muita chuva. Muita água.
Nos escondemos dentro de um shopping center.
Nós e uma multidão.
Aos poucos os transtornos começaram a aparecer.
Ruas e calçadas inundadas.
Pessoas já em pânico.
Aquela chuva que, num primeiro momento, parecia chegar para refrescar o calor, já não tinha mais graça.
Enquanto observava uma verdadeira cachoeira que desabava diante da porta de entrada do shopping, comentei com meu xará:

- Bah. E a nossa barraca?

No que de imediato ele me tranquilizou.
- Nem esquenta. Montamos ela numa parte mais alta do camping. Não vai ter problemas.
Passada a tormenta, e já entrávamos na madrugada, decidimos retornar ao camping.
No caminho, um verdadeiro caos.
Tudo embaixo d´água.
Casas inundadas.
Não estava com um bom pressentimento.
Já na entrada do camping, dava pra ver que a situação lá dentro não era muito diferente.
Encharcados e no escuro, corremos para o local onde havíamos montado acampamento.
Chegando lá, pavor!
Cadê?
Cadê nossa barraca?
Cadê nossas coisas?
Pois bem, senhores...
Nosso lar havia desabado.
Aquele cantinho acolhedor carinhosamente montado havia se transformado em um pedaço de lona amontoada e ferro retorcido debaixo d´água.
A situação foi tão bizarra que tive uma crise de riso.
Gargalhei por aproximadamente 15 minutos deitado na grama molhada para espanto dos outros hóspedes.
Quanto mais lembrava da frase do dono do camping na hora de montar a barraca, mais eu ria.

- Monta ela aqui em cima. É uma área mais alta. Se chover, não corre o risco de alagar.

Chorei.

Bom, passado o momento inicial da euforia, tratamos de salvar alguma coisa.
Consegui achar um espaço sob a lona e os ferros para penetrar no que anteriormente era o interior da barraca e onde estavam nossos pertences.
Segurando uma lanterna, a primeira coisa que avistei foi o espiral de “Boa-Noite” aceso, boiando na água.
Mais uma crise de riso interminável.
Do lado de fora, meu amigo gritava:

- O que houve? O que houve? Tá maluco?

Lá de dentro, só tinha uma coisa que eu conseguia gritar no meio da crise:

- Não tem mosquito! Não tem mosquito!

Nesta noite dormimos dentro do carro e voltamos no dia seguinte pra casa.
Meu travesseiro ficou embaixo d´água e nunca mais foi o mesmo.
Também nunca mais acampei.
Hoje em dia, sigo armando a barraca, mas no sentido figurado.

28.1.11

Mártin - 7 anos

Hoje é aniversário do meu filho Mártin.
Completa 7 anos.
Um cara sensacional e que eu amo muito.
Graças a ele, pela primeira vez, toquei num tico que não era meu.
Apesar da distância (ele mora com a mãe), procuro acompanhar seus passos para que se torne uma pessoa de caráter e de grande coração.
Consegui fazer com que se tornasse um apaixonado por futebol.
Hoje sabe mais do que eu.
Dificilmente conseguirei dar a ele todo o amor que sinto, mas só o fato dele ter consciência disso, já é um consolo.
Este post é em homenagem a ele.

25.1.11

Noches De Luz Dias De Gas


Preciso urgente deste CD/DVD.
Alguém de passagem pela Espanha nos próximos dias?

21.1.11

Twitter: a arte de (não) saber usar

Levei algum tempo até entender a utilidade do twitter.
(E exemplifico com este post que publiquei há dois anos).
Num primeiro momento, me pareceu um concorrente para o meu blog.
No segundo momento, tive certeza disso.
Tanto que praticamente meu blog ficou escanteado por muito tempo. Até eu aprender a usar as duas ferramentas ao mesmo tempo.
E quando digo "aprender" não me refiro ao uso técnico delas, e sim à forma de tirar proveito das vantagens de uma delas em prol da outra.

Com o tempo, o twitter se tornou um dos mais importantes meios de comunicação em todo o planeta.
Saber usufruir de suas peculiaridades é fundamental para qualquer profissional, independente de sua área de atuação.

E a grande dica para você fazer do twitter o seu grande aliado é perceber que o importante não é o que você escreve e sim o que os outros escrevem.

Pode parecer confuso, mas acredito ser esse o caminho.
Você precisa saber filtrar as informações que recebe e trabalhá-las em benefício próprio.
Talvez esteja direcionando esse texto para área jornalística, que é onde atuo.
Pode ser.
O certo é que precisamos ter muita responsabilidade para controlar uma conta de twitter que leve o nosso nome.
Pois o mesmo twitter que pode transformar uma pessoa em celebridade, pode acabar com uma reputação.
Tem muita gente engatinhando pela timeline que ainda não percebeu o poder e a repercussão que uma frase infeliz no miniblog pode trazer.

Exemplos temos todos os dias.
Hoje mesmo um fotógrafo paulista foi demitido do jornal para qual trabalhava por ter ofendido a torcida do Palmeiras pelo twitter enquanto trabalhava na cobertura das eleições do clube (aqui).

Ano passado, um executivo da Localweb também foi demitido por ofender o São Paulo pelo seu twitter pessoal sendo que a empresa para qual ele trabalhava era patrocinadora da equipe do Morumbi (aqui).

Eu mesmo sofri na pele essa inexperiência.
No início de 2010, o então técnico Silas do Grêmio se envolveu em uma polêmica com o jogador Mário Fernandes dizendo que o atleta deveria tomar café da manhã, lembra?
Pois no dia seguinte, acompanhando a delegação na cidade de Santa Cruz do Sul, flagrei Silas e Mário Fernandes lado a lado no café da manhã no hotel.
Ingenuamente, comentei este fato no meu twitter pessoal dizendo que poderia ter feito uma foto histórica daquele momento.

A repercussão foi imediata e culminou com a história contata ao vivo pela RBS TV durante a transmissão do jogo, inclusive mencionando o meu nome.
Lógico que o fato em si não tem muita importância, mas o momento em que o Clube vivia graças a esta polêmica repercutiu negativamente.
Desde então, penso duzentas vezes nas coisas que vou tuitar.

Bom, dito isto, convido os leitores a fazerem parte desse maravilhoso mundo virtual.
Use seu twitter e colha os frutos de um comentário bem feito e, principalmente, assuma as consequências de um pensamento infeliz.

Não esqueça: 140 caracteres são mais do que suficientes para você acabar com a sua reputação.

19.1.11

Minha camisa do Mazembe

Já fui um grande colecionador de camisas de futebol.
Cheguei a possuir mais de 500 exemplares.
Juro.
Quando era pequeno, meu pai sempre me trazia uma camisa quando retornava de suas viagens.
Comecei a investir sério neste hobby em 1988 quando as lojas começaram a vender as camisetas dos times da Copa União levando o logo da Coca Cola.

Aos poucos, minha coleção foi crescendo.
Naquela época não tínhamos as facilidades de agora.
Uma camisa diferente era vista como um troféu.
Hoje você encontra na internet a camisa que quiser.

Tinha camisas raras (dentro dos meus critérios).
Dentre elas, posso nominar a camisa do Grêmio original número 8 usada pelo Osvaldo na final da Libertadores de 1983 contra o Penharol.
A camisa do Independiente usada pelo Burrochaga na Libertadores de 1984 contra o Grêmio.
Outra do Nacional de Medellin usada por Aristizábal na final da Libertadores de 1995.
Uma mais diferente do goleiro Chilavert usada num jogo do Vélez Sarsfield contra o Grêmio no Olímpico com o famoso desenho do Bulldog na frente.
Bom, precisaria de um post exclusivo só pra destacar todas as camisas que eu achava importantes.
Bem ou mal, todas tinham uma história.
E, apesar de 500 camisas, eu sabia contar a origem de cada uma delas.

Mas o tempo passou, e acabei vendendo minha coleção.
Uma verdadeira barbada que alegrou a vida de um colecionador do Rio de Janeiro, outro de São Paulo e um aqui de Porto Alegre mesmo.
Me arrependo até o último fio de cabelo.
Apesar de minhas prioridades serem outras, depois de tantos anos minha paixão por camisas de futebol continua.
E, aos pouquinhos, vou tentando reiniciar minha coleção.

Toda essa introdução foi pra dizer que adquiri uma camisa do Mazembe.
Isso foi há duas semanas.

Pois não é que esta camisa do Mazembe teve uma repercussão que nenhuma das minhas outras quinhentas tiveram?

Usei pela primeira vez na praia durante as férias.
Só faltou eu ser carregado pela multidão no centro de Capão, tamanha a euforia.
Hoje resolvi sair com ela pela segunda vez na companhia da minha esposa.
Ela não tinha acreditado quando contei que havia virado celebridade em Capão.
Pois hoje ela teve a comprovação.

Fomos ao BarraShopping.

O assédio começou ainda no carro, no posto de gasolina.
Recém havíamos saído de casa.
O posto parou para ver a camisa.
Depois dentro do shopping.
Na praça de alimentação.
Dentro das lojas.
No cinema.
Tive que ser escoltado pelos seguranças do local.
Coisa de louco!
Assustador.

Bom, se sua vida anda meio borocoxo.
Se sua autoestima está mais baixa do que barriga de cobra.
Se você cansou de ser só mais um na multidão.
Compre sua camisa do Mazembe e vá passear na Rua da Praia.
É resultado garantido.

Minha esposa já encomendou a dela.

Espero que ela possa cuidar melhor do que cuida da minha camisa do Palmeiras (clique aqui pra entender)



Pra quem quiser, vai a dica.
Comprei aqui.
O cara é de Porto Alegre e retirei na casa dele.

4.1.11

Férias?

Acho que vários fatores devem estar em sincronia para que possamos realmente usufruir do período de férias.
Confesso que tais fatores nunca me são favoráveis.
Sendo assim, dificilmente conseguirei verdadeiramente curtir o período como deveria.
E leia-se “período” os 30 dias aos quais todos os funcionários têm direito.
Lógico que tenho estes 30 dias á minha disposição, mas não posso fazer com eles o que eu bem entendo.
Começando pelo fato da esposa ainda não possuir direito ás férias.
Seguindo pela obrigação que tenho em dedicar 15 destes 30 dias aos meus dois filhos do primeiro casamento.
Sendo assim, torna-se humanamente impossível conciliar tudo e todos.

Estou de férias desde o dia 20 de dezembro tendo que retornar dia 19 de janeiro.
Neste interim, passei uma semana em Americana (interior de São Paulo) na casa dos sogros.
Nenhuma reclamação, mas longe de ser um cinco estrelas na beira do mar em Acapulco.

Hoje estou no calor de Porto Alegre, cuidando dos filhos e da casa enquanto a esposa trabalha.
Talvez consiga aproveitar um final de semana no litoral após passar horas em congestionamento tanto para ir quanto para voltar.
Durante a semana, sempre atendo ás novidades no trabalho.
Vai que alguma coisa importante acontece.
Afinal, como bom jornalista, não posso abrir mão de uma apresentação do Ronaldinho, por exemplo.

Seja como for, não tem como desligar.
O mundo gira e os acontecimentos vão se sucedendo num ritmo alucinado.
Quem comer mosca, baila.

Além disso, férias em Acapulco eu deixo pra turma do Chaves.


*Neste primeiro post de 2011, aproveito o espaço para desejar um excelente ano para todos que por aqui passam. Obrigado pelo carinho e pela atenção. Seguiremos juntos em mais um ano de blog. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...