30.3.11

Rudi Armin Petry

Ao chegar ao Olímpico na manhã desta quarta-feira, fiz questão de me despedir do “seu” Rudi Armin Petry, ex-presidente gremista falecido ontem, cujo corpoo está sendo velado no Salão Nobre do Conselho Deliberativo.

Qualquer pessoa que conheça um pouco da história centenária do Grêmio sabe a importância que Petry teve para o Clube.
Sua característica pacificadora era explorada sempre que alguma crise ameaçava o Clube de alguma maneira.
Criador da célebre expressão “assunto de economia interna”, tratava e resolvia todos os problemas dentro de quatro paredes, sem deixar transparecer as desavenças e as disputas de vaidade.
Basicamente porque não alimentava a vaidade.
O Grêmio como instituição sempre esteve acima de tudo.
Respeitado até pelo mais tradicional adversário, “seu” Petry deixou um legado e ensinou como se deve portar um grande dirigente de futebol.

Tive a honra e o prazer de conviver bem de perto com “seu” Rudi Armin Petry várias vezes nestes meus 12 anos de Clube.
Senti na pele o carisma e a bondade no trato com as pessoas, sem fazer diferença entre o maior dos medalhões e o mais humilde dos funcionários.

A história que conto abaixo se passou no ano de 2003, durante o tradicional Jantar Farroupilha, evento que faz parte da programação oficial de aniversário do Grêmio e que celebra a conquista do Campeonato Farroupilha de 1935.
O time andava mal das pernas, nas últimas colocações na tabela de classificação e seriamente ameaçado de rebaixamento.
Os problemas financeiros eram tantos, que os funcionários estavam há meses com os salários atrasados. Uma crise sem precedentes e nada para comemorar.
Ainda assim, as festividades de aniversário de 100 anos ocorreram normalmente.
Pois durante o Jantar Farroupilha, fui ao banheiro da churrascaria.
Lá entrando, me deparo com “seu” Petry em frente ao espelho.
Cumprimentei-o carinhosamente, no que ele respondeu com a voz suave:
- As coisas não estão bem, né, Marcinho? – Ele me chamava assim.
- É verdade, “seu” Petry. Nossa situação está bem complicada.
Dois dias antes, o Grêmio acabara de perder mais um jogo para o Coritiba e estava nas últimas posições.
Com a mesma voz suave, “seu” Petry continuou.
- Nunca vi o Grêmio desse jeito. Está muito difícil pra mim.
E as lágrimas começaram a escorrer daqueles olhos azuis.
Senti naquele momento que um homem que havia dedicado sua vida ao Grêmio estava, de alguma forma, entregando os pontos.
Tomado por um sentimento de carinho e compaixão, abracei forte o “seu” Petry e disse em tom reanimador:
- A gente vai dar a volta por cima, “seu” Petry! Levanta essa cabeça e não desiste.
Ele não desistiu.
O Tricolor conseguiu fugir do rebaixamento na última rodada, contra o Corinthians, depois de dois jogos históricos fora de casa contra Criciúma e Santos.

Depois deste acontecimento singelo, passei a admirar ainda mais aquele homem não só por todos os adjetivos já mencionados neste texto, mas também pelo seu “gremismo”.

25.3.11

Nem tudo são flores

Não consigo ver meus filhos há pelo menos um mês.
Não atendem meus telefonemas. Não retornam minhas mensagens.
Nem mesmo tendo direito garantido de pegá-los em finais de semana alternados e nas quintas-feiras está sendo suficiente.
Não consigo colocar em prática este direito.
Com o passar do tempo, vou sentindo que estão cada vez mais distante.
Não há mais contato.
Não há mais diálogo.
Passam os dias sem que eu saiba o que anda acontecendo.
Como estão na escola, o que gostam de fazer, quais as brincadeiras preferidas, quais seus medos e suas alegrias. Coisas básicas do crescimento de um filho que o pai gosta de participar.
Uma convivência que foi cortada de uma hora pra outra com a separação.
Já cansei de ouvir que o marido se separa da esposa, mas não se separa dos filhos.
Pois comigo essa teoria não se concretizou.
Infelizmente, as pessoas que detém a guarda dos meus filhos do primeiro casamento não estão preocupadas com a saúde mental das crianças.
Desde a minha saída de casa, bombardeiam os pequenos com informações inverídicas a meu respeito.
Acabando com qualquer sentimento bom que poderia existir para comigo.
Um ato de covardia inominável, que certamente reflete no dia-a-dia dos pequenos, que não tem culpa do que acontece.
A lavagem cerebral foi tanta contra mim que hoje nenhum dos dois mostra interesse em estar comigo, ou passar comigo algum tempo.
E se mostram, recebem uma dura repreensão.
Tão dura que preferem nem mostrar.
Estão acabando com o amor que existia entre pai e filha e pai e filho.
Tenho medo do que virá pela frente.
Cheguei a pensar que, com o tempo, eles fossem capazes de perceber quem é quem nesta relação. Com a maturidade, teriam discernimento para perceber o mal que sofreram durante todos esses anos. Porém, com o passar dos dias e o distanciamento, já começo a acreditar que a situação é irreversível.
Tenho as mãos atadas, não sei o que fazer.
Procuro meus direitos de pai junto à justiça e obrigo o cumprimento da decisão judicial ou aceito o desejo e a opinião dos pequenos?
Difícil.
Por outro lado tenho uma família pra cuidar.
Uma esposa nova e um novo filho que precisa do meu carinho e da minha atenção.
Lógico que um novo filho não ameniza a dor da separação dos outros dois, mas faz com que toda essa ânsia de cumprir o papel de pai seja direcionada apenas pra ele.
Aliás, a chegada do pequeno Pietro foi prato cheio para que colocasse em prática o plano denominado “teu pai gosta mais do filho novo do que de vocês”.
Nada pode ser mais cruel para uma criança do que uma mentira dessas sendo repetida diariamente na cabecinha delas.
O que acontece?
Qualquer pessoa que não entenda muito de psicologia sabe que a mentira acaba virando verdade para quem não tem muita estrutura emocional.
É muito triste.

Já faz bastante tempo que a Maria Eduarda optou por não mais passar comigo os finais de semana.
Tem seus motivos pessoais.
Bate de frente com minha esposa atual.
É mais ligada à mãe e à avó materna, facilmente influenciável.
Foi minha primeira filha.
Éramos ligados demais um no outro.
Foi a que mais sentiu a separação.
Sem dúvida, deve guardar essa mágoa dentro do peito.
O Mártin era pequeno na época.
Chegou a resistir certo tempo à lavagem cerebral, mas hoje já está no mesmo caminho da Duda.
Aceitando a “mentira verdadeira” que é imposta diariamente.

É difícil escrever sobre isso.
As ideias me vêm à cabeça de forma desorientada e não consigo organizá-las em palavras.
Só sei que o aperto que levo dentro do peito é insuportável.
Tão insuportável que decidi colocar pra fora neste espaço.
Não estou conseguindo conviver com essa situação.
Não dá pra fingir que está tudo bem.
Levar a vida na alegria, como eu costumo levar.
Sei que minha nova família não tem nada a ver com isso, mas é ela que sofre as consequências. Infelizmente.
Espero que possam entender e me apoiar.
Pois tudo que menos preciso agora são de críticas e julgamentos.

Passei muito anos levando uma vida autodestrutiva.
Me deixando levar pra baixo.
Liquidando com minha autoestima, minha ética e minha forma de ver as coisas.
Conheci a maldade e a falta de caráter. Situações presentes na vida de todo mundo, mas que na minha, eram apenas realidade nas novelas da TV.
Quase afundei definitivamente.

Levou bastante tempo, mas consegui reverter a situação.
Ainda pago pelas escolhas mal feitas, mas conto com o apoio das pessoas queridas para recomeçar.
Recomeçar de todas as maneiras.

Desculpa encher vocês com este papo.
Mas precisava fazer alguma coisa sobre isso.
Os acontecimentos têm superado todos os limites, e podem continuar desta maneira.
Preciso fazer alguma coisa.
Pois, se tem algo que aprendi nessa vida, é que o bem vence o mal.
Preciso colocar isso em prática.

Não vai ser fácil.

22.3.11

Pedido de desculpas ao povo de Rondonópolis

É uma pena que a população de Rondonópolis (pelo menos uma parte dela) não tenha entendido o teor debochado e humorístico deste blog.

Sendo assim, de forma espontânea, venho me dirigir às pessoas de Rondonópolis que se sentiram ofendidas com o post publicado em fevereiro do ano passado (e que já foi retirado do blog) para pedir minhas sinceras desculpas e dizer que, de forma alguma, tive o intuito de ofender a cidade e a população local.

Concordo que o texto foi genérico e infeliz no seu conteúdo, mas sem nenhum teor destrutivo.

Fui muito bem recebido e muito bem tratado em Rondonópolis e só trouxe para Porto Alegre as melhores lembranças.

É evidente que todas as cidades têm suas coisas boas e suas coisas ruins.

Em nenhum momento comparei Rondonópolis com Porto Alegre e/ou Rio Grande do Sul com Mato Grosso.

Já viajei boa parte do mundo e aprendi que não existem lugares melhores ou piores, mas apenas diferentes.

Além disso, quem me conhece sabe que sou uma pessoa de boa índole, sem preconceitos, que preza a amizade e a paz entre os povos. Espero, portanto, que esse post sirva para amenizar a ira e a revolta de parte da população de Rondonópolis para comigo.

Ofensas, agressões e ameaças, não fazem parte da minha vida e do meu dia-a-dia. Para esses, prefiro o silêncio.

Mas quem quiser manter um diálogo franco, discordando ou concordando comigo, estou aberto para receber qualquer tipo de opinião e comentário dentro dos limites da educação.

Sem nenhuma demagogia, ainda pretendo voltar a Rondonópolis e tenho certeza que serei muito bem recebido outra vez. Quero conhecer também Cuiabá, já que só vi de passagem.

Quem sabe um dia?

A gente nunca sabe o que a vida nos prepara.

15.3.11

Ética e jornalismo não se aprendem na faculdade

Ontem recebi da amiga Nathalia Alonso, estudante de jornalismo no IPA, um e-mail solicitando que respondesse uma pergunta para um trabalho da cadeira de Redação e Expressão Oral:


“Quais são as características essenciais ao profissional do jornalismo na sociedade atual?”

Respondi exatamente assim:

"Acredito que ninguém aprende de uma hora pra outra a ser jornalista. Isso está no sangue, é genético. A faculdade nos aperfeiçoa e nos indica qual caminho seguir, mas o dom já nasce com a gente.
A principal característica do bom profissional é ter o jornalismo no sangue. Independente da época e de realidade social que ele enfrenta.
Sendo assim, terá capacidade de adaptação às novidades e à evolução dos meios de comunicação.
Precisa estar sempre conectado com o mundo para não ser atropelado pela avalanche de informações que desce montanha abaixo. Buscar cada dia mais conhecimento sobre tudo e sobre todos.
Ter capacidade e conhecimento para filtrar o que é relevante ou não dentro do seu interesse e área de atuação. Poder se síntese é fundamental hoje em dia.
Ter uma boa agenda de contatos, um círculo de amizades. Possuir fontes de confiança. Saber “o que” e “quem” pode ajudar, e “quando” ajudar.
Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente.
Ter um excelente texto, saber se comunicar oralmente com as pessoas. Capacidade de transmitir suas informações de forma diferenciada e interessante.
Finalizando, um bom jornalista precisa ter o “feeling”, o sentimento, o instinto da notícia. Aquilo que faz com que esteja no lugar certo, na hora certa."

Evidente que se trata de uma visão resumida, até porque, se fosse escrever todas as características que acredito serem essenciais para um jornalista nos dias de hoje, gastaria algumas laudas.

Eis que, na tarde desta terça-feira, surge o fato que me chamou a atenção:
A divulgação na web de um conversa em “off” do “jornalista” Jorge Kajuru com o técnico Renato de uma suposta negociação do treinador gremista com o Fluminense.

Foi então que me lembrei da resposta enviada por e-mail horas antes à jovem estudante de jornalismo do IPA.

“Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente”.

Fiquei feliz e orgulhoso por ainda ter lembrado destas características mesmo já tendo 14 anos de profissão, todos eles dentro do jornalismo esportivo, onde nem sempre são levadas em consideração (vide o fato acontecido).

Por isso que eu digo: ética e jornalismo não se aprendem na faculdade.
Estão no sangue.

Jamais se deve expor uma fonte desta forma. Jamais se deve gravar e divulgar uma conversa em “off” sem a autorização de uma das partes (principalmente quando uma delas pede para que não seja divulgada).

Quem conhece o referido profissional (e eu já tive a oportunidade de conviver com ele na época em que eu trabalhava como assessor do Ronaldinho) sabe a forma como ele atua profissionalmente.

É uma característica dele.
Assim ele ganha a vida.
Tem gente que gosta desse tipo de profissional.
Mas tem outros que não aceitam.
Cada um sabe o que faz, e deve arcar com as consequências.
E as consequências são: um profissional mal visto pelos colegas. Com uma péssima reputação e com uma pilha de processos nas costas.

Sem querer ser piegas e cair no senso comum, espero realmente que estes ensinamentos de ética e profissionalismo possam acompanhar estes aprendizes que vem por aí.
Que não tenham o caráter corrompido.
Pois não há nada melhor do que chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho, poder abraçar a família e deitar a cabeça no travesseiro para ter uma boa noite de sono.

@marcio_neves - 2000 seguidores

Depois de atingir a marca de 2000 seguidores (segundo minha esposa, 95% dos usuários do twitter não possuem mais que 300) decidi fazer um sorteio para contemplar essa façanha.


Num primeiro momento pensei em sortear uma foto minha de sunga, mas quando isso foi divulgado, meu número de seguidores começou a diminuir.

Não entendi a razão.

Depois de analisar bem e chegar à conclusão que esse sorteio me traria problemas pessoais tendo em vista o assédio feminino, optei por sortear uma camisa autografada pelo Renato.

Acho que vale a pena marchar com alguns reais em detrimento destes abnegados seguidores que acompanham minhas divagações diárias.

Portanto, a partir da tarde desta terça-feira, até às 15h de quinta, todos os mais de 2000 seguidores que retuitarem a frase que será divulgada (juntamente com o link) estarão participando do sorteio e concorrendo a uma camisa oficial do Grêmio com o autógrafo do Santo Portaluppi.

O vencedor será contatado pelo meu twitter oficial (@marcio_neves) e terá a oportunidade de escolher o tamanho e o modelo da camisa (tricolor, celeste ou branca).

Eu mando a camisa via Sedex para qualquer lugar do mundo!

Tomara que ganhe alguém de Rondonópolis.

1.3.11

Dormindo com Alonso

Quem tem mulher, vai entender o que eu vou contar:
Sabe aquele dia em que ela acorda insatisfeita com a casa?
De uma hora pra outra parou de gostar das coisas.
Não gosta mais da sala, do sofá, da decoração, da cor das paredes...
Pois é.
Não tem jeito.
Foi isso que aconteceu com a minha no último final de semana.
Decidida em mudar algumas “coisinhas” em casa, fomos dar um pulo na Leroy Merlin da Sertório.
Dentre as várias coisas escolhidas pela patroa, me chamou a atenção uma obra abstrata feita de madeira.
Várias curvas entrelaçadas sem definição aparente.

- O que é isso? Eu quis saber.
- Não sei exatamente o que significa, mas vou colocar para enfeitar nossa cabeceira, atrás da cama. Disse ela.

Já em casa, vendo TV, Priscila me chama para ver como ficou a montagem da peça na parede do quarto.
Parado, ao pé da cama, fiquei alguns minutos observando aquele desenho abstrato.

- Que estranho. Comentei coçando o queixo e olhar fixo na parede.
- O que foi?

Levei alguns segundos para responder:

- Acho que eu descobri o que significa esse desenho.
- Não significa nada, Má. É só uma obra abstrata.

Pois, a partir daquele momento, a obra deixou de ser abstrata pra mim. Como naqueles desenhos de ilusão de ótica, meus olhos foram captando o sentido da imagem:

- É um carro de Fórmula 1! Gritei emocionado com a descoberta.
- Tá maluco?
- Claro que é! Um Fórmula 1 visto de frente! Olha aqui o capacete do piloto, as rodas, não consegue ver?

Com a boca aberta, o semblante de surpresa vai se transformando em decepção. E Priscila murmura lamentando.

- Não acredito nisso. Comprei um carro de Fórmula 1 pra decorar o nosso quarto.

Depois de alguns minutos gargalhando, dei a sugestão:

- Joga fora.
- Que nada. Não vou rasgar dinheiro.

Resultado disso tudo: hoje temos uma cabeceira com a imagem de um carro de Fórmula 1 de cabeça pra baixo.

- Ninguém nota que é um carro de Fórmula 1. Diz ela tentando me convencer.

Mas não tem jeito.
Hoje eu olho pra “obra abstrata” e não consigo ver outra coisa que não seja um carro de Fórmula 1.

E você?



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