15.3.11

Ética e jornalismo não se aprendem na faculdade

Ontem recebi da amiga Nathalia Alonso, estudante de jornalismo no IPA, um e-mail solicitando que respondesse uma pergunta para um trabalho da cadeira de Redação e Expressão Oral:


“Quais são as características essenciais ao profissional do jornalismo na sociedade atual?”

Respondi exatamente assim:

"Acredito que ninguém aprende de uma hora pra outra a ser jornalista. Isso está no sangue, é genético. A faculdade nos aperfeiçoa e nos indica qual caminho seguir, mas o dom já nasce com a gente.
A principal característica do bom profissional é ter o jornalismo no sangue. Independente da época e de realidade social que ele enfrenta.
Sendo assim, terá capacidade de adaptação às novidades e à evolução dos meios de comunicação.
Precisa estar sempre conectado com o mundo para não ser atropelado pela avalanche de informações que desce montanha abaixo. Buscar cada dia mais conhecimento sobre tudo e sobre todos.
Ter capacidade e conhecimento para filtrar o que é relevante ou não dentro do seu interesse e área de atuação. Poder se síntese é fundamental hoje em dia.
Ter uma boa agenda de contatos, um círculo de amizades. Possuir fontes de confiança. Saber “o que” e “quem” pode ajudar, e “quando” ajudar.
Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente.
Ter um excelente texto, saber se comunicar oralmente com as pessoas. Capacidade de transmitir suas informações de forma diferenciada e interessante.
Finalizando, um bom jornalista precisa ter o “feeling”, o sentimento, o instinto da notícia. Aquilo que faz com que esteja no lugar certo, na hora certa."

Evidente que se trata de uma visão resumida, até porque, se fosse escrever todas as características que acredito serem essenciais para um jornalista nos dias de hoje, gastaria algumas laudas.

Eis que, na tarde desta terça-feira, surge o fato que me chamou a atenção:
A divulgação na web de um conversa em “off” do “jornalista” Jorge Kajuru com o técnico Renato de uma suposta negociação do treinador gremista com o Fluminense.

Foi então que me lembrei da resposta enviada por e-mail horas antes à jovem estudante de jornalismo do IPA.

“Manter-se ético e criar uma boa reputação dentro do mercado de trabalho, seguindo uma conduta profissional e coerente”.

Fiquei feliz e orgulhoso por ainda ter lembrado destas características mesmo já tendo 14 anos de profissão, todos eles dentro do jornalismo esportivo, onde nem sempre são levadas em consideração (vide o fato acontecido).

Por isso que eu digo: ética e jornalismo não se aprendem na faculdade.
Estão no sangue.

Jamais se deve expor uma fonte desta forma. Jamais se deve gravar e divulgar uma conversa em “off” sem a autorização de uma das partes (principalmente quando uma delas pede para que não seja divulgada).

Quem conhece o referido profissional (e eu já tive a oportunidade de conviver com ele na época em que eu trabalhava como assessor do Ronaldinho) sabe a forma como ele atua profissionalmente.

É uma característica dele.
Assim ele ganha a vida.
Tem gente que gosta desse tipo de profissional.
Mas tem outros que não aceitam.
Cada um sabe o que faz, e deve arcar com as consequências.
E as consequências são: um profissional mal visto pelos colegas. Com uma péssima reputação e com uma pilha de processos nas costas.

Sem querer ser piegas e cair no senso comum, espero realmente que estes ensinamentos de ética e profissionalismo possam acompanhar estes aprendizes que vem por aí.
Que não tenham o caráter corrompido.
Pois não há nada melhor do que chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho, poder abraçar a família e deitar a cabeça no travesseiro para ter uma boa noite de sono.

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