15.12.11

Bicampeão do Brasil - Há 15 anos


Já estava conformado em não estar presente em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio: a decisão do Campeonato Brasileiro de 1996.
Me recordo como se fosse hoje.
Meu estágio na equipe de esportes da Rádio Gaúcha me obrigava a trabalhar nas jornadas esportivas no estúdio, no prédio da Érico Veríssimo.
Havia sido assim durante todo o ano.
Mas aquele era um domingo especial.
Coração batendo mais forte e aquele clima de decisão tomando conta.
O evento mobilizou toda a equipe da rádio desde cedo.
Cheguei à emissora às 8h30 e não teria hora pra ir embora.
Estava ansioso e pessimista com relação ao jogo.
A derrota de 2 a 0 na primeira partida, em São Paulo, abalara minha confiança.

Logo após o almoço, o Cleber Grabauska, chefe da equipe, me chamou e comunicou: “O (programa) Pré-Jornada vai ser direto do Olímpico e tu vais com o Macedo pra lá. Quando terminar, tu volta”.

Acatei prontamente a ordem e, em poucos minutos, já estava no Olímpico usando uma camisa da RBS.
O trabalho faz com que a gente fique focado e esqueça um pouco todo o ambiente em volta.
Mas o Olímpico estava lindo, lotado.
Lembro de vários helicópteros das emissoras de TV sobrevoando o estádio.
Aquele ruído ensurdecedor misturado com o alarido da multidão que chegava confiante.
Uma loucura!
Faltando aproximadamente meia hora para o início da partida e com o programa finalizado, me preparava para retornar ao estúdio quando fui chamado ao telefone que fica na pequena sala da Rádio, no setor de imprensa. Do outro lado da linha, o Cleber Grabauska perguntando: “Já terminou tudo que tinha que fazer?”. Respondi que sim e disse que já estava voltando, quando ele me surpreendeu: “Tenho um presente pra ti. Pode ficar aí no estádio e assiste ao jogo. Sei que tu queres muito isso”, e desligou sem me deixar agradecer.

Emocionado demais, pensei comigo mesmo: “é grande esse Cleber!”.

Quando me dei conta, a bola já estava rolando e eu, devidamente credenciado, posicionado estrategicamente atrás do gol, junto às placas de publicidade, seguindo o ataque tricolor.

Não demorou muito para Paulo Nunes abrir o marcador.
Contido, preferi optar pela postura profissional, sem comemorar.
Afinal, estava ali representando a RBS, uma empresa imparcial.

(Pausa para os risos)

O jogo seguiu tenso até o final da segunda parte.
Com o resultado de 1 a 0, a Portuguesa conquistaria o título.
Estava pessimista...
O tempo ia se esgotando e nada de chegarmos ao segundo gol.
Do meu lado, um repórter de uma rádio de São Paulo torcia descaradamente: “A Lusa vai ser campeã! A Portuguesa vai calar a boca desses gaúchos arrogantes! É a vitória do bom futebol sobre a violência de um time que só sabe dar pontapé!”, berrava no meu ouvido.
Cada vez que ele falava isso, olhava na minha cara de propósito, com sorriso irônico no rosto.
Pensei comigo: “assim que o jogo acabar, vou dar uma porrada nesse infeliz. Posso ser preso, mas ele não vai mais se levantar do chão”.

Mas não precisou: a porrada certeira e devastador foi dada pelo Ailton, há três minutos do final da partida. Era o gol do título gremista.
Aos prantos, de joelhos, comemorei não só a conquista, mas o fato de não precisar quebrar a cara do futuro colega de profissão.

Aos berros, ao lado do Felipão, eu fazia sinal pro árbitro terminar o jogo:

“ACABOU! ACABOU, PORRA!”

No apito final, fui o primeiro a invadir o campo em desabalada carreira para comemorar.
Nessa hora, mandei para o espaço o que restou da minha postura profissional.

3 comentários:

Pri Tescaro disse...

Bah, este é o Márcio Neves com quem eu casei.

Texto impecável!

Márcio Neves disse...

Amada

La Barca News disse...

Baita história. Pé quente.

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