2.12.11

No campo dos sonhos

Trabalho no Grêmio desde 1999.
Nesses 12 anos joguei futebol apenas duas vezes no gramado principal do Olímpico.

A primeira delas, na preliminar de um jogo de quartas-de-final de Campeonato Brasileiro contra o Santos. Não recordo ao certo que ano foi, mas lembro que o estádio estava lotado.
Atuei defendendo as cores da ACEG (associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos) contra a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinegrafistas).
Era um jogo festivo, bagunçado e desorganizado, mas deu pra sentir a emoção de estar pela primeira jogando no gramado sagrado do Monumental.
Levantei a massa após uma pique de 40 metros ao receber um lançamento na ponta direita.
Fui expulso no segundo tempo (só um detalhe menor).

Minha segunda vez foi num domingo pela manhã, mas com o estádio vazio.
Joguei de zagueiro e me destaquei cobrando tiro de meta já que era o único que tinha força pra colocar a bola no meio campo.
Cheguei a dar um chute a gol, mas mandei por cima da trave (excesso da maldita força).

Bom, toda essa ladainha inicial foi empolgação ao saber que na próxima sexta-feira voltarei a atuar no campo principal. Não tenho dúvidas de que será a última vez antes da demolição.

Estando por dentro dos bastidores do Clube, sei da dificuldade que é liberar o campo principal para algum evento de fora. Por isso, valorizo essa oportunidade.
Existe um ritual de cuidado muito grande com a grama, que passa pela avaliação de uma agrônoma. Existe um período certo para plantar novas sementes e para corte. Uma frescurada que faz do gramado do Olímpico um dos melhores do Brasil.

Há algum tempo, li no site da Portuguesa uma promoção onde o torcedor pagava uma quantia em dinheiro (R$ 990,00) para jogar uma partida no gramado do Canindé. Achei excelente a ideia!
Mas, com todo o respeito, é o Canindé.
Nada contra, mas não podemos comparar com o Olímpico.


EM LONDRES.


Tudo isso me fez lembrar de um relato do responsável pelo tour do estádio de Wembley, em Londres. Um dos maiores estádios do futebol mundial. Não pelo tamanho em si, mas pela importância na história.

Me considero um privilegiado por ter tido a oportunidade de conhecer o antigo estádio de Wembley, antes da demolição e da construção de um novo.
Já faz muito tempo, lá no início dos anos 90 do século passado.
Mas, ainda assim, guardo na memória cada passo percorrido no interior daquele templo.

O Tour, extremamente organizado, com hora marcada, com venda de ingresso e com acompanhamento de um guia, faz de tudo para que o visitante leve pra casa as melhores lembranças.

Não quero contar aqui os detalhes desta visita, portanto passarei ao ponto relevante e que vem ao encontro do tema do post: pois no momento final do tour, o visitante sai do vestiário principal e simula uma entrada em campo ao som ensurdecedor da torcida entoado nos autofalantes. O estádio está vazio, mas o barulho ecoa pelas arquibancadas vermelhas dando uma sensação inesquecível.
Falei que a pseudo entrada em campo era apenas uma simulação, pois nós não pisamos no gramado.

Me dirigi ao guia e praticamente implorei para apenas fazer uma foto com os pés dentro do campo, mas a resposta dele me surpreendeu:

“Ninguém coloca os pés no gramado de Wembley. Apenas os jogadores da seleção inglesa, os jogadores que disputam a final da Copa da Inglaterra e os funcionários que trabalham aqui quando fazem uma partida festiva no final do ano”.

Na hora, imaginei a alegria e o orgulho daqueles funcionários.

Portanto, amigos que estão vivenciando este momento de poder atuar no gramado sagrado do Olímpico, sintam-se orgulhosos e privilegiados.
Aproveitem cada segundo.
Beijem a grama.
Façam fotos e guardem para sempre.
Pois esta será a última vez.

Não tenho dúvidas de que na Arena não será tão fácil.

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