18.6.14

Copa do Mundo - Enfim, Porto Alegre amadureceu

Queria deixar marcado para sempre nos anais o meus pensamentos e observações sobre a minha primeira experiência em uma partida de Copa do Mundo em 42 anos de vida. Só por isso decidi escrever esse post.

Não achei parâmetros para descrever a ansiedade que tomou conta de mim desde o momento em que consegui adquirir todos os ingressos para os jogos em Porto Alegre. Não via a hora de estar com todos eles em mãos.
Não comprei todos de uma só vez.
Fui sorteado com apenas dois jogos na primeira fase de vendas.
Não sabia nem sequer quais seleções viriam jogar aqui.
Após o sorteio dos grupos, me deparei com França x Honduras e Argentina x Nigéria.
Gostei demais!
Mas ainda assim não me dei por satisfeito.
Na segunda fase de vendas, por ordem de chegada, consegui comprar Holanda x Austrália.
Fiquei tão empolgado que decidi comprar também Coréia x Argélia só pra comemorar, já que não tinha esse jogo como objetivo.
Mas ainda faltava a partida de oitavas de final.
Consegui fazer a compra na véspera de aniversário e me dei de presente.
Chorei duas horas em posição fetal.

Na sequência, queria ter os ingressos nas mãos.
Queria muito.
Tanto que agendei a retirada dos mesmos no segundo dia de funcionamento do espaço construído no Barra Shopping para entrega dos bilhetes.
Com eles em mãos, só me restava namorar aquelas maravilhas.
Passei horas com eles no colo.
Li um por um.
Reli até decorar os portões de acesso, setores, anel, fileira e poltrona de cada jogo.

Minha primeira preocupação foi de como levar o ingresso até o estádio no dia do jogo.
Na hora que fiz a retirada, me alertaram para não dobrar o bilhete por causa de um chip interno.
Ok. Não dobrei.
Mas não caberia no meu bolso.
Não queria levar dentro da mochila. Poderiam me roubar e levariam o precioso ingresso junto.
Qual a solução?
Pedi para Juçá costurar um bolso interno em um dos meus casacos.
Lá dentro, fica o ingresso camuflado.

Na véspera do jogo, sábado, 14/06, praticamente não dormi.
Acordei várias vezes à noite.
Preparei minha roupa.
Arrumei a mochila com vários souvenires para trocar com hondurenhos e franceses (não troquei nenhum).
Até binóculo separei. Sério.
A ansiedade era tanto que até fiquei doente. Gripe.

Acordei cedo.
Tentei controlar o nervosismo.
Fingi que se tratava de um dia normal, mas estava louco para sair de casa e me dirigir ao estádio. Fato que ocorreu por volta das 12h.
Nem almocei.
Pra que?

Deixei o carro estacionado na rua Saldanha Marinho, no bairro Menino Deus, e segui caminhando pela Barbedo até chegar no chamado “Caminho do Gol”, trajeto organizado pela FIFA para levar a massa de torcedores até o estádio.

A partir dali, passei a curtir meu sonho particular de viver um Mundial.
Caminhei sem pressa, observando a multidão que chegava.
Achei que fosse cedo demais, pois o jogo começaria às 16h, mas estava enganado.
Segui imediatamente para o meu portão de acesso, encantado com as cores, os sons, os cheiros, a alegria das pessoas confraternizando sem preconceitos. Algo que só o futebol é capaz de proporcionar.
Me chamou a atenção a diversidade de camisetas de clubes de futebol de todas as partes.
Grêmio e Inter, lógico, era maioria, mas tinha de tudo que é parte do mundo.

Caminhei rápido até o final da fila para entrar no Beira Rio quando percebi o quão grande ela era.
Pelo menos andava rápido.
Era para passar pelo detector de metal.
Destes que existem nos aeroportos.
Minha mochila passou pela esteira sem maiores problemas.

Ao redor do estádio, muita celebração, com música alta, pessoas cantando, tirando fotos umas com as outras, mesmo sem nunca terem se encontrado antes na vida. Pelo simples fato de serem de outro país, com outro idioma e outra cultura.
Tão diferentes umas das outras, mas tão parecidas ao mesmo tempo (bonita essa frase).
As brasileiras eram as mais assediadas pelos estrangeiros.
Principalmente as mais gostosinhas.
Os gringos agarravam as meninas e faziam “selfies”, para quando retornarem aos seus países de origem poder dizer aos amigos: “Fui ao Brasil e me dei bem”.
A gente sabe como funciona isso.
Ah! E as gostosinhas adoravam.

Não, não fiz nenhuma foto com elas.

Estava com a camisa do Motagua, um time hondurenho, e fui muitas vezes confundido como sendo um deles. Tanto pelos brasileiros quanto por eles mesmos.
Muitos brasileiros me abordaram perguntando se eu queria trocar a camisa com eles, mas se decepcionavam ao perceber que eu era local.

Já no meu lugar (sentei na minha cadeira duas horas antes do jogo), fiquei admirando o Beira Rio.
Ficou um senhor estádio.
Já dei os parabéns para os colorados.
Lógico que não se compara com a Arena, mas ficou realmente muito bonito.
O único detalhe foi a impossibilidade de ver a linha do gol por causa do tamanho das placas de publicidade.
Um colorado ao meu lado me disse que era só na Copa do Mundo, pois no Brasileirão as placas ficam mais recuadas e não atrapalham a visão.
Acreditei.

Não vou falar sobre a partida em si, pois não é esse o objetivo.

Aliás, já vou finalizar com uma observação que fiz durante este período de Copa do Mundo em Porto Alegre.
A cidade amadureceu com a Copa.
É como aquele guri virgem que tem sua primeira experiência sexual.
No dia seguinte, ele se torna outra pessoa.
Ele amadurece, ganha confiança, se acha o tal.
É o que acontece hoje com Porto Alegre.

Em 242 anos de existência, nunca Porto Alegre recebeu tantos turistas.
Nunca a diversidade esteve tão presente na vida de cada um de nós.
Jamais tivemos a oportunidade de ser o anfitrião de tantos povos, tantas raças, tantos idiomas distintos.
Esse é um fato comum para Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, até Recife.
São cidades acostumadas com tantas diferenças.
Cidades turísticas.
São jovens de 25, 30 anos, com a vida sexual ativa há muito tempo.
Coisa que Porto Alegre não é.
Perdemos a virgindade.
Passamos a fazer parte deste seleto grupo.

O que virá depois?
Não sei.
Não faço ideia.
Espero que a Copa deixe um grande legado e que a maturidade seja permanente.
Não só para a cidade, mas para o povo de Porto Alegre.

Não quero entrar em questões políticas, longe disso.

Só quero curtir cada momento deste sonho que tem data para terminar.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...